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SER MĀE é uma escolha*!

“Ela cuida dos negócios de sua casa e não dá lugar à preguiça.” Provérbios 31:27

Luciana Costa · 2025-02-07 14:13 · 0 claps · 9.2 min read
#maternidade #parentalidade #crianças-e-adolescentes #criação-de-filhos #saúde-mental-da-mulher
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SER MĀE é uma escolha*!

“Ela cuida dos negócios de sua casa e não dá lugar à preguiça.” Provérbios 31:27

Nos dias de hoje, muito se fala sobre os desafios da maternidade. Entre as redes sociais e as manchetes de revistas, há uma narrativa crescente sobre o esgotamento e insatisfação das mães. Um exemplo é a matéria publicada na Veja, intitulada “Esgotada e insatisfeita: pesquisa mapeia emoções da mãe brasileira”. Mas será que a culpa está na maternidade ou na forma como escolhemos vivê-la?

A maternidade nunca foi um conto de fadas. Desde sempre, nossas mães e avós demonstraram, no dia a dia, que criar filhos exige dedicação, sacrifícios e renúncias. Se você percebeu isso na sua própria família, então é provável que não tenha sido iludida por uma visão romântica da maternidade. O que vemos nas novelas, filmes e nas redes sociais nem sempre reflete a realidade.

Isso significa que a maternidade é só flores? Definitivamente, não! Algumas fases serão desafiadoras, repletas de espinhos. Mas não podemos colocar todo o peso da insatisfação de uma mulher apenas no fato de ser mãe. A gestão do tempo, o equilíbrio entre os papéis que exercemos na vida e a forma como organizamos nossa rotina são fatores determinantes para uma jornada mais leve. A responsabilidade e as escolhas que fazemos todos os dias impactam diretamente na nossa experiência como mulheres e mães.

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele.” Provérbios 22:6

Criar filhos é uma missão dada por Deus, e Ele nos orienta a educá-los nos caminhos do Senhor. Isso demanda tempo, paciência e sabedoria. Como então podemos tentar tornar essa jornada mais leve? Confira algumas dicas a seguir:

Aqui estão algumas sugestões práticas:

1.Identifique suas sobrecargas: Faça uma lista de tudo o que tem te deixado exausta e roubado seu tempo. Visualizar as tarefas pode ser o primeiro passo para encontrar soluções e eliminar o que não é essencial. Ao anotar tudo o que tem causado sua exaustão, você “captura” o que está ocupando sua mente, transformando o caos em clareza. Esse é o primeiro passo para identificar as sobrecargas e, assim, encontrar soluções para eliminá-las.

Você não pode administrar o que não consegue capturar. — em A arte de fazer acontecer: Estratégias para a produtividade sem estresse.

2.Reorganize suas prioridades: Pergunte-se: “Minha rotina reflete as minhas verdadeiras prioridades?” Ajuste seu dia a dia para dar espaço ao que realmente importa. Lembre-se:**“Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”** Mateus 6:33

Pergunte-se e anote:

  1. Quais são as minhas prioridades?
  2. Que prioridades precisam ser reorganizadas?
  3. Como que eu quero que seja a minha lista de prioridades daqui em diante?
  4. Qual é o meu compromisso comigo mesma, com Deus e com minha família?
  5. O que precisa ser acrescentado a minhas atividades ou subtraído delas para realizar meu propósito neste momento de vida? Prioridades mudam de acordo com a estação que você está vivendo.
  6. Que hábitos prejudiciais precisam ser corrigidos em minha forma de pensar, agir e reagir?
  7. Incluí tempo diário com Deus, autocuidado e descanso?

Administração de prioridades é diferente de administrar tempo. Todas nós temos a mesma porção de tempo todos os dias, mas temos prioridades diferentes. Mulher, seja você solteira, casada, viúva ou divorciada, pode entender por que é tão importante organizar devidamente suas prioridades. Então, o poder, o amor, e as bênçãoes dele fluirão por sua vida. A escolha é sua. — em Experiência do Lar, Devi Titus e Trina Titus

3.Planeje suas tarefas: Estudos mostram que anotar suas atividades aumenta as chances de cumpri-las. Crie um planejamento diário e semanal, com todas as suas atividades. Por exemplo: ter um cardápio definido para a sua semana pode reduzir o estresse e ajudar e até ajudar no orçamento familiar.

Você não sobe ao nível de suas metas, você cai ao nível dos seus sistemas. Ao planejar seu dia e sua semana, você constrói um sistema de hábitos que transforma pequenas ações em grandes conquistas. Essa organização não só reduz o estresse, mas também traz clareza, permitindo que cada decisão diária se converta em um passo firme rumo aos seus objetivos. — em Hábitos Atômicos de James Clear

4.Cuide da sua gestão do tempo: O tempo é um recurso precioso e limitado. Estabeleça objetivos claros e aprenda a distribuí-lo de forma equilibrada.“Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu.” Eclesiastes 3:1

Stephen Covey, um dos maiores nomes no campo da gestão de tempo e produtividade nos ensina que para melhorar a produtividade e o equilíbrio entre trabalho, vida pessoal e bem-estar, devemos:

  1. Estabeleça “Metas Pessoais”.
  2. “Primeiro o Mais Importante”.
  3. Evite a armadilha da procrastinação.
  4. Delegação e Dizer “Não”.

Comece com o fim em mente. — em Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, Stephen Covey

5.Mantenha a casa organizada: Um ambiente organizado traz mais calma e bem-estar. Divida as tarefas por ambientes e estabeleça um cronograma simples. A organização do lar reflete na organização da mente. “Cuidem para que tudo seja feito com decência e ordem” 2 Coríntios 14:40

Uma casa organizada confere paz ao ambiente familiar, mesmo que você esteja sozinha. Ou, colocando de outra forma: uma casa desorganizada tira a sua paz. A arrumação da casa reduz a confusão e a agitação da família, e todos conseguem encontrar o que precisam no momento em que precisam. “Um lugar para cada coisa, e cada coisa em seu lugar” é um velho ditado que continuará a valer até o fim dos tempos. Aproveite a jornada. Vá devagar e dê tempo a si mesma para se ajustar durante o processo de tornar sua vida mais ordenada. — em Experiência do Lar, Devi Titus e Trina Titus

6.Priorize seu autocuidado: Lembre-se: para cuidar dos outros, é essencial cuidar de si mesma. Reserve momentos diários para meditar, orar, ler ou simplesmente descansar. “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:7) Estudos da University of Sussex indicam que ler por apenas seis minutos pode reduzir os níveis de estresse em até 68%.

Em 2023, fui impulsionada por uma amiga, criei um Clube de Leitura para mulheres. Embora seja um grupo pequeno, ele já proporcionou a leitura de inúmeros livros e gerou muitos testemunhos inspiradores. Essa simples atitude de fazer parte de uma comunidade que compartilha da mesma estação de vida tem um impacto significativo na saúde mental. Uma mãe que tem um filho de 2 anos, hoje, compartilhou: “Por causa do clube de leitura, no ano passado (2024) li 3 livros.” Essa prática tem ajudado muitas mulheres a se conectarem, cuidarem melhor de si mesmas e encontrarem momentos de pausa e reflexão em meio à correria do dia a dia. A leitura, além de enriquecer o conhecimento, é um ato de amor próprio que pode transformar a forma como vivemos a maternidade.

Gaste tempo com você, crie maneiras para renovar o seu poço de água antes que outros o esgotem. — em A dama, seu amado e Seu Senhor. T. D. Jakes

7. Crie uma rede de apoio: Conectar-se com outras mães e pessoas que compreendem sua realidade pode transformar seu dia. Compartilhar experiências e desafios permite que você perceba que não está sozinha nessa jornada.

A conexão é a energia que existe entre as pessoas quando elas se sentem vistas, ouvidas e valorizadas.” —em A coragem de ser imperfeito, Brené Brown.

8.Aceite que nem tudo será perfeito: A maternidade é um processo de aprendizado contínuo. Permita-se errar, aprender com os desafios e celebrar cada pequena vitória. Reconheça e valorize seus progressos diários.

Torne-se uma bússola, um guia, e evite tornar-se o destino final de todo mundo. É sábio ser um meio e não um fim. Sirva, ame e depois guie os seus para alguém que nunca irá falhar. Compreenda que você não é Cristo, mas apenas uma estrela. — em A dama, seu amado e Seu Senhor. T.D. Jakes

9.Delegue tarefas sempre que possível: Para muitas mulheres, delegar tarefas pode ser um grande desafio. O desejo de ter tudo sob controle, garantindo que cada detalhe saia como planejado, faz com que a sobrecarga aumente sem necessidade. No entanto, tentar carregar tudo sozinha pode levar ao esgotamento físico e emocional. Pesquisas apontam que a dificuldade em delegar está muitas vezes ligada ao perfeccionismo e à crença de que “ninguém fará tão bem quanto eu”.

A mulher que tenta fazer tudo sozinha está fadada a se sentir exausta e desconectada de si mesma. — em Mulheres que correm com os lobos, Clarissa Pinkola Estés

10.Defina seus limites: Aprenda a dizer “não” e a estabelecer limites claros entre o trabalho, o lazer, o autocuidado e ministério. Embora essa prática seja essencial para a saúde mental e o bem-estar, muitas mulheres enfrentam dificuldades em impor esses limites devido à sobrecarga de expectativas e responsabilidades. Estudos indicam que a dificuldade em recusar pedidos está associada à síndrome da “boazinha”, caracterizada pela necessidade constante de agradar aos outros, muitas vezes às custas das próprias necessidades. Essa síndrome pode resultar em baixa autoestima, ansiedade e dificuldade em estabelecer limites pessoais, sendo motivada por expectativas sociais de que as mulheres devem ser altruístas e cuidadoras. Além disso, a incapacidade de dizer “não” pode levar a uma sobrecarga de responsabilidades, aumentando o risco de estresse crônico e burnout. E quem sofre com esse peso? A maternidade! Muitas vezes, é nela que descarregamos o nosso estresse. O famoso: “meu melhor sorriso ficou na rua, no trabalho, na mesa com as amigas.” Manter uma agenda equilibrada não é apenas uma questão de organização, mas também de autovalorização, permitindo que você preserve sua energia e cuide de si mesma sem culpa.

Tudo o que Deus cria tem limites. — em A dama, seu amado e Seu Senhor. T.D. Jakes

Uma administradora sem título oficial

A maternidade é um dos papéis mais desafiadores e, ao mesmo tempo, mais ricos em habilidades que uma mulher pode desempenhar. Ser mãe não se resume a cuidar fisicamente dos filhos, mas envolve uma série de competências, como a administração de tempo, finanças, organização e tomada de decisões. A mãe é, muitas vezes, uma administradora de casa, que lida com a logística do dia a dia, equilibrando as demandas familiares e pessoais. Além disso, ela exerce um papel crucial como educadora, transmitindo valores, ensinamentos e moldando o comportamento de seus filhos. Nesse contexto, as qualificações de uma mãe são vastas e exigem uma grande capacidade de adaptação e resiliência. Não se pode subestimar a importância de sua função, que vai muito além do cuidado físico, sendo fundamental para o desenvolvimento emocional e intelectual das crianças.

As crianças não precisam de perfeição; elas precisam de presença. — em O Seu Filho Precisa de Si, Gordon Neufeld e Gabor Maté. Leia aqui O presente da presença

No entanto, quando a saúde mental da mãe está comprometida, as repercussões podem afetar não apenas a mulher, mas também o ambiente familiar. No livro O Seu Filho Precisa de Si, os psicólogos Gordon Neufeld e Gabor Maté discutem como as mães desempenham um papel central na formação do vínculo emocional saudável com seus filhos. Eles argumentam que a conexão genuína entre mãe e filho é essencial para o desenvolvimento emocional da criança. Quando essa conexão é prejudicada, seja por estresse emocional ou problemas de saúde mental da mãe, o impacto no desenvolvimento da criança pode ser profundo. A pesquisa de Neufeld e Maté sugere que, em ambientes onde a mãe não está emocionalmente disponível, a criança pode apresentar dificuldades comportamentais, ansiedade e até problemas de apego, o que pode afetar seu comportamento e relações interpessoais ao longo da vida. Está acontecendo um efeito cascata, geracional, de mãe para filhos.

Nos dias de hoje, muitas mães enfrentam uma pressão constante para equilibrar todas essas funções com perfeição, o que pode tornar a maternidade um peso, ao invés de uma experiência enriquecedora. A pressão social, as múltiplas demandas diárias e a falta de apoio emocional adequado são fatores que contribuem para o estresse e a sobrecarga emocional de muitas mulheres. Quando a saúde mental da mãe não é cuidada, as consequências podem ser profundas e duradouras, afetando não apenas sua qualidade de vida, mas também o desenvolvimento emocional e psicológico de seus filhos.

Portanto, é fundamental que se reconheça e valorize as múltiplas qualidades que envolvem o papel da maternidade, sem desconsiderar os desafios impostos pela saúde mental. Cuidar da saúde emocional das mães não é apenas uma questão de bem-estar individual, mas também de promover um ambiente saudável para as futuras gerações. É preciso compreender que a maternidade é uma função que exige equilíbrio e cuidado.

A maternidade tem seus desafios, mas também é uma jornada de crescimento e aprendizado. Ao invés de focarmos no peso das dificuldades, podemos buscar estratégias para vivê-la com mais equilíbrio e gratidão. O que precisamos não é reforçar uma visão negativa da maternidade, mas sim encontrar maneiras de tornar essa caminhada mais leve e significativa. Tudo começa na mente, se pensar que é um peso, assim será!

Acima de tudo, seja gentil consigo mesma. Algumas fases serão mais fáceis que outras, e ajustes serão necessários ao longo do caminho. A maternidade é uma escolha que exige dedicação, mas com planejamento, oração e uma abordagem equilibrada, é possível vivê-la de forma mais leve e satisfatória.

Devemos estar atentas ao que consumimos nas mídias, pois cada vez mais, há tentativas de distorcer a visão sobre a maternidade, como se ser mãe fosse um fardo. Já viu quantas matérias por aí, como a que li recentemente na revista Visão, “Os filhos são um empecilho”. Esses discursos buscam enfraquecer os laços familiares. No entanto, lembre-se: uma família sólida é a base de uma sociedade forte. Se querem destruir uma sociedade, basta atacar os lares.

Ser mãe é uma escolha*, e como toda escolha, há consequências!

🌻 Escolha florescer, de mãe para mães. Luciana Costa

  • *escolha: exceto em casos de abusos.
  • *os livros citados acima foram lidos nos dois últimos anos, como ferramenta de ajuda e conhecimento para a jornada.

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