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Flee — Nenhum Lugar para Chamar de Lar: docudrama reencena confronto ao passado de dores do trauma…

Título original: Flugt Países de origem: Estados Unidos, Reino Unido, França, Suécia, Noruega e Dinamarca (2021) Duração: 90 minutos…

Thainá Campos Seriz · 2026-06-29 15:10 · 13 claps · 2.2 min read
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Flee — Nenhum Lugar para Chamar de Lar: docudrama reencena confronto ao passado de dores do trauma diaspórico e de autoexílio à assunção da identidade gay em longa de Jonas Poher Rasmussen

Pôster promocional de “Flee — Nenhum Lugar para Chamar de Lar” (título original: “Flugt”, 2021) (Diamond Films, 2022), longa documental de animação dirigido por Jonas Poher Rasmussen e roteirizado por Amin Nawabi e por Jonas Poher Rasmussen que venceu o Prêmio de Melhor Longa-metragem no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy e que recebeu três indicações aos Oscars 2022 (Melhor Longa-metragem de Animação, Melhor Longa-metragem documental e Melhor Filme Internacional). Foto: reprodução.

Pôster promocional de “Flee — Nenhum Lugar para Chamar de Lar” (título original: “Flugt”, 2021) (Diamond Films, 2022), longa documental de animação dirigido por Jonas Poher Rasmussen e roteirizado por Amin Nawabi e por Jonas Poher Rasmussen que venceu o Prêmio de Melhor Longa-metragem no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy e que recebeu três indicações aos Oscars 2022 (Melhor Longa-metragem de Animação, Melhor Longa-metragem documental e Melhor Filme Internacional). Foto: reprodução.

Título original: Flugt Países de origem: Estados Unidos, Reino Unido, França, Suécia, Noruega e Dinamarca (2021) Duração: 90 minutos Gênero: documentário; animação; drama; LGBT Direção: Jonas Poher Rasmussen Roteiro: Amin Nawabi e Jonas Poher Rasmussen Produção: Charlotte de La Gournerie, Monica Hellström e Signe Byrge Sørensen Fotografia: Mauricio Gonzalez-Aranda Montagem: Janus Billeskov Jansen Música: Uno Helmersson Direção de arte: Jess Nicholls Distribuição (Brasil): Diamond Films Elenco: Amin Nawabi, Kasper, Daniel Karimyar, Fardin Mijdzadeh, Milad Eskandari, Belal Faiz, Elaha Faiz, Zahra Mehrwarz, Sadia Faiz

Despersonalizados em preto e branco, rostos e corpos em fuga estabelecem o motivo visual por que Flee — Nenhum Lugar para Chamar de Lar (título original: Flugt, 2021) (Diamond Films, 2022) reencena o horror do insilamento diaspórico ao não lugar afegão. Ficcionalizada entre o esforço documental de Jonas Poher Rasmussen, a trajetória de Amin Nawabi anima o retorno à infância cuja assunção homoafetiva conviveu com o luto paterno estressado ao terrorismo de Estado do regime popular nacional e à atividade revoltosa mujahidin sobre o controle de Cabul. Neste sentido, a guerra civil suscitada aos eventos do levante comunista de Saur (1978), da insurgência antissoviética (1979–89) e do faccionalismo islâmico pós-1992 degeneraria a repressão estatal ensejadora do trágico exílio do clã Nawabi em solos leste e norte-europeu.

Ansioso pela passagem a outra etapa do relacionamento com Kasper, Amin Nawabi resgata o passado diaspórico como forma de debelar o trauma do exílio afegão. Fotos: reprodução.

Ansioso pela passagem a outra etapa do relacionamento com Kasper, Amin Nawabi resgata o passado diaspórico como forma de debelar o trauma do exílio afegão. Fotos: reprodução.

Sobrevivente da ruptura familiar criada pelo óbice migratório em territórios russo, sueco e dinamarquês, o protagonista desalenta-se na performance reafirmativa do teatro de silenciamentos da biopolítica (Foucault, 1979) refugiada e, pois hipervigilante ao trauma dissociador, suprime do amado Kasper a partilha da própria história de dores. Cindido à escolha de lealdades no processo de autodeterminação gay, Amin reconcilia nas imagens da alma e naquelas sintetizadas por conjunto cotejado em fontes secundárias o passado tentativamente obliterado de enfrentamentos à invisibilidade étnico-sexual, consciencializando ao presente sucedâneo não menos dignitário à agência de lutas pró-inclusão gestada. Elaborado no presente reavido de si ao confronto do perigo fóbico ou homicida, o futuro como (auto)definido à humanidade do amor serve de acúmulo a outro marco ético de produção da vida e, porque libertário, às novas gerações torne-se reparável a memória do direito à justiça.

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