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Cotas permitem ingresso no ensino superior, mas não garantem acessibilidade

Estudantes com deficiência da UFRGS encaram problemas diários devido à falta de obras e equipamentos que tornem os espaços da universidade…

Rafaela da Silva Bobsin · 2024-10-31 16:55 · 100 claps · 3.1 min read
#acessibilidade #ufrgs #fotojornalismo #fotojournalismus #fotorreportagem
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Cotas permitem ingresso no ensino superior, mas não garantem acessibilidade

Estudantes com deficiência da UFRGS encaram problemas diários devido à falta de obras e equipamentos que tornem os espaços da universidade acessíveis

Em novembro de 2023, a Lei de Cotas passou por uma revisão. A legislação, que reserva 50% das vagas em Universidades Federais para pessoas autodeclaradas pretas, pardas ou indígenas, pessoas com deficiência (PCDs) e baixa renda foi ampliada e teve sua continuidade garantida.

A existência dessa lei representa um passo importante rumo à equidade, entretanto, no primeiro semestre de 2023, segundo o painel de dados da UFRGS, haviam apenas 255 estudantes que ingressaram na universidade por alguma cota para pessoas com deficiência — menos de 1% dos estudantes matriculados.

Em novembro de 2022, a UFRGS criou o DAPI (Departamento de Acessibilidade e Prevenção de Incêndio) com o objetivo de atender de forma mais eficiente as demandas sobre infraestrutura dos estudantes com deficiência. Embora o DAPI afirme que a manutenção é constante, há problemas que persistem e a falta de prazo para a finalização das obras de acessibilidade dificultam o acesso e permanência dos estudantes.

Vanessa Vieira, Francielle Borges e Victor Lucena são alguns dos estudantes que enfrentam a falta de manutenção em elevadores e calçadas, falta de cadeiras e pias adaptadas, além da ausência de pisos táteis.

Na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), Vanessa, estudante de Publicidade e Propaganda, requer auxílio dos funcionários da portaria para acessar o prédio, através da retirada de uma fita que isola parte do acesso.

Na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), Vanessa, estudante de Publicidade e Propaganda, requer auxílio dos funcionários da portaria para acessar o prédio, através da retirada de uma fita que isola parte do acesso.

Descrição foto 1: Na entrada da Fabico, uma mulher jovem, em uma cadeira de rodas, séria, encara as catracas que ficam na portaria da Faculdade, em direção ao lado de dentro do prédio. À sua direita, um pedestal com uma fita azul isola o espaço sem catracas.

A ausência de sinalização e de uma faixa de segurança na movimentada rua Ramiro Barcelos, fazem Vanessa se arriscar entre os carros no caminho em direção ao Restaurante Universitário.

A ausência de sinalização e de uma faixa de segurança na movimentada rua Ramiro Barcelos, fazem Vanessa se arriscar entre os carros no caminho em direção ao Restaurante Universitário.

Descrição foto 2: Vanessa, a mesma mulher da foto anterior, em uma cadeira de rodas, de costas, atravessando a rua. Ela está com o rosto virado para a direita. Ao fundo, um carro branco em movimento.

Francielle estuda administração e é a única estudante com deficiência da sua turma. Desde que ingressou na universidade, em 2018, ela reivindica melhorias na acessibilidade da Escola de Administração (EA), muitas delas seguem sem solução.

Francielle estuda administração e é a única estudante com deficiência da sua turma. Desde que ingressou na universidade, em 2018, ela reivindica melhorias na acessibilidade da Escola de Administração (EA), muitas delas seguem sem solução.

Descrição foto 3: Em primeiro plano há uma mulher jovem portadora de nanismo sentada em uma cadeira de sala de aula, ela está séria e seus pés não alcançam o chão. Ao fundo está o resto da sala de aula com todas as cadeiras vazias, representando a falta de estudantes PCD no local.

A falta de cadeiras adaptadas causa desconforto à Francielle e oferece risco de queda. Ao ingressar no curso ela solicitou uma cadeira adaptada ao Núcleo de Inclusão da UFRGS, a última informação obtida é que o pedido está em licitação.

A falta de cadeiras adaptadas causa desconforto à Francielle e oferece risco de queda. Ao ingressar no curso ela solicitou uma cadeira adaptada ao Núcleo de Inclusão da UFRGS, a última informação obtida é que o pedido está em licitação.

Descrição foto 4: A mesma mulher da foto anterior está subindo em uma cadeira giratória. Ela se segura nos braços da cadeira, com um joelho em cima dela e a outra perna subindo. Atrás dela está o computador da biblioteca da universidade.

Nos arredores do Campus Centro, o piso tátil tem falhas, desgaste e conduz a portões que não são utilizados. Dentro do campus, ele não existe. Segundo o DAPI, em 2024, será iniciada a instalação de piso tátil na parte interna do campus.

Nos arredores do Campus Centro, o piso tátil tem falhas, desgaste e conduz a portões que não são utilizados. Dentro do campus, ele não existe. Segundo o DAPI, em 2024, será iniciada a instalação de piso tátil na parte interna do campus.

Descrição foto 5: Em primeiro plano, um pouco desfocado, à esquerda da imagem, estão as pernas de uma pessoa sob um piso tátil de aparência velha. Em segundo plano, focado, mais ao centro, está a ponta da bengala dessa pessoa chegando em um piso tátil que está faltando. Os espaços para os pisos seguintes estão intercalados entre ter e não ter alguns deles. Os pisos na volta estão, em maioria, quebrados, soltos ou irregulares.

Para Victor, aluno de Relações Internacionais, estar sozinho no Campus Centro é estar limitado a um único ambiente. Os espaços mal planejados o impedem de andar sozinho e resultam na perda de autonomia de estudantes PCDs.

Para Victor, aluno de Relações Internacionais, estar sozinho no Campus Centro é estar limitado a um único ambiente. Os espaços mal planejados o impedem de andar sozinho e resultam na perda de autonomia de estudantes PCDs.

Descrição foto 6: No centro da foto, distante da câmera, está um homem jovem segurando uma bengala. Na composição da foto há bastante do piso da universidade que é todo liso, cinza com algumas partes irregulares. Também há parte de um prédio do lado direito e algumas árvores e postes do lado esquerdo, dando uma sensação de que o espaço é muito maior do que a pessoa.

Fotorreportagem realizada por Rafaela da Silva Bobsin e Alice Pissollatto para a disciplina de Fotojornalismo I da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).


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