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As Bodas de Prata do “Azulão dos Pampas”

Em 2026 a grande campanha do São José que levou o clube da Zona Norte de Porto Alegre ao octogonal final do Gauchão 2001 completa 25 anos…

Jhon Willian Tedeschi · 2026-05-20 03:01 · 0 claps · 6.9 min read
#esporte #futebol #história #jornalismo
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As Bodas de Prata do “Azulão dos Pampas”

Em 2026 a grande campanha do São José que levou o clube da Zona Norte de Porto Alegre ao octogonal final do Gauchão 2001 completa 25 anos e, como dizem os antigos, “recordar é viver”

Time do Zeca que perdeu para o Grêmio, no Olímpico, por 1 a 0, em 25/03/2001. Em pé: César Silva, Luís Eduardo, Ludo, Fábio de Los Santos, Paulo Roberto e Sidney. Agachados: Gílson Cabeção, Edinho Bagé, André Rosa, Chiquinho e Rossano.

Time do Zeca que perdeu para o Grêmio, no Olímpico, por 1 a 0, em 25/03/2001. Em pé: César Silva, Luís Eduardo, Ludo, Fábio de Los Santos, Paulo Roberto e Sidney. Agachados: Gílson Cabeção, Edinho Bagé, André Rosa, Chiquinho e Rossano.

Para quem acompanha futebol, algumas formações ficam marcadas em lugares privilegiados da lembrança. Em especial, aquelas que ganham títulos e levam alegrias aos torcedores. Por outro lado, outras não precisam chegar até a glória dos troféus para serem lembradas com muito carinho. Sempre se fala da Seleção Brasileira de 1982, que encantou o mundo na Copa da Espanha, apenas para citar um time que não venceu, mas até hoje está no imaginário de quem tem pelo menos 50 anos de idade.

Muita gente me pergunta como surgiu minha relação com o São José, um dos maiores clubes de bairro do Brasil. O vínculo se estreitou nos últimos 10 anos, ao trabalhar na cobertura e ajudar a contar momentos históricos dentro de campo. No entanto, o Zeca aparece pela primeira vez na minha vida em 2001, durante o Gauchão daquele ano. Em 2026 a campanha completa 25 anos e aqui revisito detalhes sobre como o time foi naquele campeonato, e como meu olhar sobre o futebol começou a mudar a partir disso.

Esta é uma história muito particular, até porque ainda falta um pouco para chegar aos 50 anos – tenho apenas 35 e alguns pares de cabelos brancos. A infância de quem gostava de futebol e nasceu entre o fim dos anos 80 e o início dos anos 90 tinha aspectos bem peculiares, e que divergem do que se vê na terceira década dos anos 2000: poucos jogos transmitidos na televisão, um pouco mais de opções no rádio, jornais impressos ainda no auge da popularidade e jogos de videogame. Quem crescia na periferia da Região Metropolitana de Porto Alegre tinha duas opções claras e dicotômicas entre azul, preto e branco ou vermelho e branco.

A percepção de tempo é algo muito engraçado. Confesso que naquele tempo eu não era o maior fã de assistir futebol na televisão. As tardes de sábado, faixa destinada nos finais de semana para as transmissões, normalmente eram ocupadas nas ruas. Ainda mais no verão, época de férias e dos campeonatos estaduais. E nessas pesquisas encontrei anúncios de jogos do São José transmitidos na RBS TV, na extinta TV COM, e até mesmo em emissoras de rádio como Gaúcha e Guaíba. Infelizmente a imensa maioria desses materiais são mídias perdidas, que apenas com uma pesquisa muito mais profunda podem ser encontradas – o que não foi o caso por aqui.

Naquela época estava muito popularizada a série de jogos de futebol Winning Eleven, para o PlayStation. E uma versão que surgiu nas bancas e locadoras foi, justamente, a do Gauchão 2001. Confesso que não lembro se a edição dos jogadores estava de acordo com a realidade, afinal, com apenas 10 anos de idade ainda faltava um pouco para adquirir senso crítico nesse sentido. Também isso não fazia diferença alguma, diante da perspectiva de poder jogar com os times que só víamos na televisão, mas que estavam muito mais próximos da nossa realidade do que Manchester United ou Real Madrid.

Ao mesmo tempo, o “Azulão dos Pampas” aparecia na televisão, graças a ótima campanha do Zeca naquele Gauchão, o que me chamou a atenção para o time. Jogar com o São José naquela edição do PlayStation era apenas uma consequência. Busquei referências nos poucos vídeos que a internet disponibiliza, nos acervos dos jornais Zero Hora, Correio do Povo e Pioneiro, no excelente Almanaque do Esporte Clube São José, e no igualmente competente trabalho do portal Súmulas-Tchê. E aqui vou destrinchar um pouco desse campeonato, em relatos e imagens.

A campanha histórica

A caminhada do Zeca no Gauchão 2001 iniciou na Serra, contra o Veranópolis, no Antônio David Farina. Vitória por 3 a 2, com gols de André Rosa, Chiquinho e Luiz Gustavo. Na sequência, duas derrotas, para Pelotas (vídeo no link, créditos ao canal Arquivo Lobão no YouTube) e Santa Cruz. Na quarta rodada, no Passo D’Areia, mais três pontos contra o São Luiz, em um 3 a 0 com todos os gols marcados por Chiquinho. O camisa 10 voltou a marcar no 1 a 0 contra o Passo Fundo, cobrando pênalti, também em Porto Alegre.

O capitão e veterano Luís Eduardo em ação contra o Passo Fundo, na vitória por 1 a 0, em Porto Alegre (Foto: Arquivo/Zero Hora)

O capitão e veterano Luís Eduardo em ação contra o Passo Fundo, na vitória por 1 a 0, em Porto Alegre (Foto: Arquivo/Zero Hora)

No dia 29 de janeiro, o primeiro grande resultado, que começou a chamar a atenção do Rio Grande do Sul. A goleada por 6 a 1 sobre o Novo Hamburgo, no estádio Santa Rosa, teve dois gols de Chiquinho, dois de Rossano, com Gílson Cabeção e Leandro Carlos fechando o placar. Um balde de água fria viria nas duas rodadas seguintes, com derrotas para o Santo Ângelo, em casa, e para o Guarani, em Venâncio Aires. Com os resultados, Luiz Freire deixou o comando da equipe.

Derrota para o Santo Ângelo, no Passo D’Areia, foi um dos resultados que custou o cargo do então treinador Luiz Freire (Foto: Arquivo/Correio do Povo)

Derrota para o Santo Ângelo, no Passo D’Areia, foi um dos resultados que custou o cargo do então treinador Luiz Freire (Foto: Arquivo/Correio do Povo)

Novo técnico e sequência positiva

O São José reencontrou as vitórias ainda no Vale do Rio Pardo. Nos Eucaliptos, em Santa Cruz do Sul, o Zeca fez 3 a 1 no Avenida, com gols de André Rosa, Chiquinho e André Bagé (contra). Era a estreia do até então coordenador técnico Luiz Carlos Winck como treinador. Aí o clube da Zona Norte pegou embalo, com a vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo, em casa, e a surpreendente goleada de 5 a 1 contra o 15 de Campo Bom, com mais três gols de Chiquinho.

Reportagem do Zero Hora, em 10/02/2001, que falava sobre a mudança no comando técnico do São José. Luiz Carlos Winck faria sua primeira experiência de muitas como treinador no Zeca

Reportagem do Zero Hora, em 10/02/2001, que falava sobre a mudança no comando técnico do São José. Luiz Carlos Winck faria sua primeira experiência de muitas como treinador no Zeca

A primeira fase terminou com um empate em 1 a 1 diante do Esportivo, em Porto Alegre, que deixaria o São José na terceira colocação, com 22 pontos em 12 jogos, dois pontos atrás dos líderes Pelotas e Santa Cruz. Foram 24 gols marcados e 11 gols sofridos, que deixaram o Zeca com a melhor defesa da competição. A fase seguinte seria o octogonal final, onde todos se enfrentariam em turno e returno. Antes da retomada, a primeira perda: o atacante Luiz Gustavo foi para a União Barbarense.

O “Azulão dos Pampas”

Destaque para os 100% de aproveitamento na página inicial do Caderno de Esportes do Zero Hora em 12/03/2001

Destaque para os 100% de aproveitamento na página inicial do Caderno de Esportes do Zero Hora em 12/03/2001

E a arrancada foi espetacular. Três vitórias em três jogos, contra Santa Cruz, no Passo D’Areia, Caxias e Esportivo, na Serra Gaúcha, com a dupla Chiquinho e Rossano contribuindo com dois gols cada. A sequência teve um empate em 1 a 1 com o Juventude, em casa, e a derrota por 1 a 0 para o Grêmio, no Olímpico (vídeo no link, crédito ao canal Acervo Grêmio FBPA no YouTube), quebrando uma série invicta de sete jogos. No jogo seguinte, uma derrota emblemática, em uma partida que começou no sábado e terminou no domingo, e acabou com o sonho do título do turno.

Água no chopp: dilúvio faz jogo terminar no domingo, com derrota traumática do São José no Passo D’Areia (Foto: Arquivo/Correio do Povo)

Água no chopp: dilúvio faz jogo terminar no domingo, com derrota traumática do São José no Passo D’Areia (Foto: Arquivo/Correio do Povo)

Parece mentira, mas São José e Pelotas começou no sábado, 31 de março, no Passo D’Areia, e só pode ser concluído no outro dia, devido a uma tempestade que atingiu o Rio Grande do Sul naquela tarde. Na manhã seguinte, Chiquinho abriu o placar cobrando pênalti, mas o Zeca pagou o preço pelos gols desperdiçados, e levou a virada em dois minutos, nos acréscimos do segundo tempo. A participação no primeiro turno terminou com um empate sem gols contra o Internacional, no Beira-Rio, despedida do artilheiro Chiquinho, que foi para o Ituano.

Returno sem combustível

O São José não conseguiu sair do empate contra o Caxias, mesmo jogando diante do torcedor no Passo D’Areia (Foto: Arquivo/O Pioneiro)

O São José não conseguiu sair do empate contra o Caxias, mesmo jogando diante do torcedor no Passo D’Areia (Foto: Arquivo/O Pioneiro)

A série de jogos sem vencer foi ampliada na abertura do returno, com o empate em 1 a 1 com o Santa Cruz, fora de casa, a derrota por 1 a 0 – com gol sofrido aos 51 minutos do segundo tempo – para o Esportivo, no Passo D’Areia, o empate em 1 a 1 contra o Caxias, também em casa, e a derrota por 3 a 0 para o Juventude, no Alfredo Jaconi (vídeo no link, créditos ao canal Hilhotta – Futebol Antigo no YouTube). A série de oito jogos sem vencer terminou na Boca do Lobo, na vitória por 2 a 0 contra o Pelotas, dois gols do centroavante Jorjão, que ainda seria expulso.

Derrota para o Juventude, no Alfredo Jaconi, foi a maior sofrida pelo São José naquela campanha, já sem alguns dos principais jogadores (Foto: Arquivo/O Pioneiro)

Derrota para o Juventude, no Alfredo Jaconi, foi a maior sofrida pelo São José naquela campanha, já sem alguns dos principais jogadores (Foto: Arquivo/O Pioneiro)

O Gauchão do São José ainda teria os confrontos contra a dupla Gre-Nal, ambos no Passo D’Areia. Em uma tarde de sexta-feira, derrota por 2 a 0 para o Grêmio (jogo completo no link, créditos ao canal Mauro Vicente Gremista no YouTube), e no domingo, empate em 1 a 1 contra o Internacional (vídeo no link, créditos ao canal Gols do Inter no YouTube). O Zeca terminou o octogonal com 17 pontos em 14 jogos. Ao todo, no campeonato, foram 26 jogos, com 11 vitórias, 6 empates e 9 derrotas, 37 gols marcados e 26 gols sofridos. O clube teve o artilheiro da competição, Chiquinho, com 15 gols.

Zeca recebeu a dupla Gre-Nal na despedida daquele Gauchão. O primeiro dos jogos foi contra o Grêmio (Foto: Arquivo/Correio do Povo)

Zeca recebeu a dupla Gre-Nal na despedida daquele Gauchão. O primeiro dos jogos foi contra o Grêmio (Foto: Arquivo/Correio do Povo)

Outros registros da campanha

Reportagem do Zero Hora em 28/01/2001 falava sobre os veteranos do São José. Destaque para Gílson Cabeção, César Silva, Chiquinho e Airton Caixão. Sérgio Winck reforçaria o Zeca no octogonal final, vindo do Novo Hamburgo

Reportagem do Zero Hora em 28/01/2001 falava sobre os veteranos do São José. Destaque para Gílson Cabeção, César Silva, Chiquinho e Airton Caixão. Sérgio Winck reforçaria o Zeca no octogonal final, vindo do Novo Hamburgo

Grande nome da história do São José, Luiz Eduardo desafiava os quase 40 anos ainda em forma, como conta esta matéria no Zero Hora de 28/01/2001. O zagueiro se aposentaria ao fim da temporada

Grande nome da história do São José, Luiz Eduardo desafiava os quase 40 anos ainda em forma, como conta esta matéria no Zero Hora de 28/01/2001. O zagueiro se aposentaria ao fim da temporada

Até os bastidores e curiosidades do que ocorria no entorno do Passo D’Areia virava pauta naquela época, conforme reportagem do Zero Hora de 07/03/2001

Até os bastidores e curiosidades do que ocorria no entorno do Passo D’Areia virava pauta naquela época, conforme reportagem do Zero Hora de 07/03/2001

A ligação entre São José e São Caetano estava nos nomes de santo, na cor azul, e nas campanhas surpreendentes, como relatou a matéria no Zero Hora de 09/03/2001

A ligação entre São José e São Caetano estava nos nomes de santo, na cor azul, e nas campanhas surpreendentes, como relatou a matéria no Zero Hora de 09/03/2001

Prévia ao jogo contra o Juventude, detalhando o momento do time, no Zero Hora de 16/03/2001

Prévia ao jogo contra o Juventude, detalhando o momento do time, no Zero Hora de 16/03/2001

Reportagem especial do Zero Hora de 19/03/2001, com bastidores de fora do campo no empate contra o Juventude, no Passo D’Areia

Reportagem especial do Zero Hora de 19/03/2001, com bastidores de fora do campo no empate contra o Juventude, no Passo D’Areia


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