daqui a três meses
as desilusões que enfrentei #02
daqui a três meses
as desilusões que enfrentei #02
Continuação do texto “segunda etapa”.
Sem suspense e nem mistério: eu não passei na entrevista — pelo menos não por enquanto.
Foram semanas naquela espécie de agonia para, no fim das contas, “morrer na praia”.
Em um constante atualizar de e-mail me deparo com uma desagradável surpresa: um e-mail da tal empresa. O que, obviamente não é um bom sinal, pois boas notícias são dadas por telefone (pelo menos nestes casos). Balanço a cabeça negativamente, já sabendo que “o sonho” acabou ali.
A confusão aqui dentro é imensa. Não paro de me questionar o porque de ter recebido aquela sequência de e-mail e ligação para depois ser surpreendida negativamente com um “não foi dessa vez, bjs”.
Revivo inúmeras vezes as entrevistas, tentando entender o que eu posso ter feito de errado. Procuro por pontos de melhorias, mas acabo sempre caindo em uma espécie de desânimo.
Abandono um pouco a ideia de arranjar um novo trabalho. Deixo as coisas mais quietas e vou vivendo os últimos meses do ano. Me conforta pensar que um novo ano está por vir e que ele pode trazer uma vida nova — deposito uma boa dose de esperança ai.
Janeiro começa e, com ele, o calor parece aumentar a cada dia. Me sinto cansada e preocupada: onde estaria aquele famosa energia que só os começos possuem?
Estou mais um dia sentada na minha velha mesa, no meu velho trabalho. O bocejar é tão constante que meus olhos começam a lacrimejar. Tiro os óculos, já meio engordurados por causa do calor e limpo as gotas de água salgada antes que elas possam borrar o que me resta da maquiagem.
Devolvo rapidamente os óculos no rosto quando sinto meu celular vibrar. O número que aparece na tela não é tão desconhecido assim… pareço me lembrar dessa sequência final. Atendo. Deixo meu posto de trabalho mais uma vez. Peço um minuto e vou para rua afim de ter mais privacidade.
Quando cai a ficha de onde estão me ligando, fico incrédula. “Mas o que será que esse povo ainda quer comigo?” Em uma explicação rápida, entendo que a pessoa que eles haviam escolhidos para a vaga que eu estava concorrendo não passou do período de experiência (parece que o jogo virou, não é mesmo?!) e lá estava eu, sendo considerada mais uma vez,
Agendamos mais uma entrevista presencial e, instantaneamente, expectativas são criadas. Desta vez, como em uma fase extra do processo, converso com o gerente de RH.
Sem falar muito sobre o âmbito profissional, batemos um papo leve, falamos sobre a vida e, mesmo sem querer, acabo encaixando ele na caixinha das pessoas legais.
No dia seguinte, sem mais delongas e tempos de espera, recebo a proposta que tanto esperei.
Para quem participou de tudo isso sem saber o valor de remuneração, só posso dizer que a realidade e a expectativa não andam tão próximas quanto gostaríamos. Mas, depois de tudo, eu realmente queria trocar de trabalho. Aceitei a proposta, já com a promessa de que os valores seriam revistos no final do período de experiência, daqui a três meses.
Não sei quantos meses se passam até eu me deparar com o aquele mesmo começo: tenho o péssimo costume de classificar as pessoas. Ela entra na sala mais uma vez — hoje como minha supervisora e na sala que passamos praticamente o dia todo. Não tenho mais tanto impulso em surpreendê-la e, sinceramente, admito aqui meu erro: Eu estava ligeiramente errada em encaixa-la como “viciada em trabalho”. Mas atesto aqui a minha inocência e também um pouco de falta de malícia. Ela era boa, muito boa, em convencer os outros. Agora consigo perceber nitidamente que aquilo era uma espécie de disfarce.
Noto a dinâmica da área logo no começo: ela manda e os outros obedecem. O clima quieto chega a me dar arrepios. Crio a imagem de que só se é feliz fora daquele cubículo que chamamos de sala, mas os momentos de descontração não são tão raros e costumam acontecer em sua ausência: o que não é nada raro. O expediente adotado por ela só começa na hora do almoço, o que me proporciona manhãs tranquilas que, somados a almoços eternos, acaba alongando o clima descontraído ainda mais.
Mas não se engane como eu me enganei, não é preciso estar presente fisicamente para se fazer presente. As ligações e mensagens inspecionando meticulosamente as atividades me fizeram adotar uma espécie de detox digital, deixando o celular na bolsa (e no silencioso). Ela me parece levar bem ao pé da letra o título de supervisora…
Os poucos momentos presentes são grandes torturas vividas em sua máxima plenitude. Mas vamos deixar esse assunto para uma próxima, não quero te cansar logo no início. Vamos manter a sensação de “lua de mel” nessa relação entre eu e meu novo trabalho. Mas, caro leitor, saiba que essa história não acaba por aqui. E, mesmo que agora você esteja pensando que o problema sou eu, saiba que eu também pensei muito isso. Parece que eu tenho um dedo podre para trabalho, mas acontece. As histórias contadas aqui dirão por si só e, com os fatos aqui dispostos, dispenso esforços para causar qualquer convencimento de que o problema não sou (e nem nunca foi) eu.
Hey! Que bom que você chegou até o fim :) Não vai embora ainda não… Para ler os outros relatos baseados em fatos reais, clique aqui. Sua história pode virar um texto!! Para ser ouvido, entre em contato comigo por direct ou por e-mail.
메타데이터
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