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Escutatória

Muito se fala, pouco se escuta. Por que isso acontece?

Mirra borra-telas · 2026-05-06 08:19 · 0 claps · 1.6 min read
#escuta #diálogo #preconceito #polarização #redes-sociais
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Wiki topics: 🔒 · Cybersecurity

Diagrama com elementos básicos da comunicação

Diagrama com elementos básicos da comunicação

Escutatória

Muito se fala, pouco se escuta. Por que isso acontece?

Uma resposta objetiva — principalmente porque os elementos do diálogo estão comprometidos, perderam sentido. Os ruídos prejudicam a comunicação (códigos mal empregados pelo emissor, comprometendo a mensagem, preconceitos do receptor, antecipando as motivações da mensagem e sua recusa). Seja como for, emissor transmitindo mal ou o receptor não recebendo a mensagem (não decodificando-a adequadamente), certo é que a escuta é elemento cada vez mais comprometido.

Dimensões do diálogo/ comunicação e seus elementos

  1. Estrutural (emissor, receptor, mensagem)
  2. Operacional (codificação, canal, decodificação)
  3. Crítica/ ruído (social, cultural, tecnológico)

Rubem Alves disse certa vez: “Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar… Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil.”

Fui voluntário do CVV e posso dizer que lá é uma organização que se esforça para escutar verdadeiramente. Para quem não conhece, trata-se de uma ONG que presta “serviço voluntário gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato.” Há um intenso treinamento de seus voluntários, com RPGs, discussão de casos, definição parâmetros para uma escuta integral. O diálogo é decomposto em três aspectos determinantes, problema, identificação social e o sentimento. A escuta e, por conseguinte o diálogo com a “outra pessoa”, termo que designa quem liga para o CVV, deve focar no sentimento e não na outras duas componentes.

Teoricamente, a escuta que o CVV propõe é baseada nos conceitos do psicólogo Carl Rogers, conforme os seguintes preceitos: Aceitação Positiva Incondicional: Acolher quem nos aborda sem julgamentos, valorizando-o como pessoa, independentemente de seus comportamentos ou sentimentos. Compreensão Empática: A capacidade de sentir o mundo interior do cliente como se fosse o seu, sem perder a sua própria identidade. Autenticidade (Congruência): O terapeuta deve ser genuíno e honesto na relação, sem máscaras profissionais.

Escutar é um ato de decolonialidade? Consigo interagir com o outro, para além dos preconceitos? Para provocar, diria que Carl Rogers revisitado e sua proposta de Aceitação Positiva Incondicional chega a ser revolucionária num mundo em que se escuta tão pouco e se fala demais.


메타데이터
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