Olimpíadas de Inverno 2026: trajetória e retorno da patinadora Alysa Liu
A história da prodígio norte-americana que enfrentou a pressão do alto rendimento e retomou sua carreira no gelo
Olimpíadas de Inverno 2026: trajetória e retorno da patinadora Alysa Liu
A história da prodígio norte-americana que enfrentou a pressão do alto rendimento e retomou sua carreira no gelo
Clara Lavor
Tim Clayton / Getty Images
A jovem atleta de 20 anos, Alysa Liu, é considerada um fenômeno da patinação artística feminina da década e uma das grandes promessas dos Estados Unidos (EUA) para a medalha de ouro no individual feminino nas Olimpíadas de Inverno 2026. A patinadora é vista como um dos maiores prodígios no esporte. Liu, com apenas 13 anos de idade, já havia se tornado a atleta mais jovem a vencer o campeonato nacional de patinação artística dos EUA, em 2019, competição que voltou a vencer em 2020. Além disso, tornou-se campeã do Campeonato Mundial de Patinação Artística em 2025, medalhista de bronze no Grande Prêmio de Patinação Artística Final, e aos 16 anos competiu nos Jogos Olímpicos de Inverno 2022, ficando em sexto lugar. Também foi a primeira mulher a completar um salto quádruplo e triplo axel no mesmo programa, e a primeira a acertar um triplo axel-triplo laçada dedo em combinação no programa curto. No entanto, mesmo jovem, passou por um período de aposentadoria durante sua trajetória até retornar recentemente ao circuito competitivo. Até a publicação deste texto, Alysa Liu conquistou a medalha de ouro na competição por equipes nas Olimpíadas de Inverno de 2026.
Sua trajetória teve inicio aos 5 anos, quando foi colocada por seu pai, Arthur Liu, um advogado e imigrante refugiado da China na década de 1990, em um centro de treinamento de patinação na Califórnia. Anos depois, a patinadora foi considerada a principal cotada para o recrutamento feminino da China, como parte do projeto de recrutar atletas estrangeiros nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022. Anterior à tentativa chinesa de recrutamento, em novembro de 2021, Alysa e seu pai haviam se tornado alvos de espiões sob a direção do governo chinês em uma operação para coletar informações privadas sobre dissidentes políticos chineses que viviam nos Estados Unidos. O ocorrido teve início quando um espião chinês se passou pela comissão Olímpica dos EUA solicitando cópias dos passaportes. Consequentemente, no período das Olimpíadas de Inverno em Pequim, precisou receber garantia de segurança do departamento Estadual dos Estados Unidos para poder competir.
No entanto, após as Olimpíadas de Pequim, algo dentro da atleta estava quebrado. Alysa admitiu posteriormente que planejava parar com a patinação, “a patinação pode ser uma atividade isoladora, rígida e sem graça”, declarou a atleta Alysa Liu. Aos 16 anos, poucos meses depois de ganhar uma medalha de bronze no campeonato mundial, anunciou a sua aposentadoria em uma publicação no Instagram justificando que o esporte deixou de fazê-la se sentir viva e passou a ser um peso. No ano de 2024, algo havia mudado, um desejo de patinar ressurgiu dentro de Alysa, porém não com o intuito da competição, mas com o objetivo de se expressar através da patinação artística. O ano “sabático” da patinadora não havia sido sobre fugir da competição, mas sobre confrontar o peso emocional de ser um prodígio e respirar em meio ao sufoco.
Em seu retorno, a norte-americana não prometeu perfeição e denominou a temporada de 2024/2025 como sua “temporada de estreia”, uma maneira de retornar gradativamente. No entanto, a patinadora deixou claro que dessa vez estaria no controle, sendo responsável pela escolha das músicas, da coreografia e do figurino para as apresentações. Pela primeira vez durante a carreira estaria patinando sob seus próprios termos. Durante o Campeonato Mundial de Patinação Artística 2025, em Boston, o público aguardava uma história de superação tradicional. Contudo, algo inesperado aconteceu. Na primeira apresentação, Alysa executou uma combinação impecável de triplo flip, triplo dedo do pé, duplo axel e triplo Lutz. O desempenho lhe garantiu a maior pontuação de sua vida no programa curto. Quando a pontuação final da disputa foi exibida, a patinadora havia se tornado a primeira mulher norte-americana em quase duas décadas a vencer um título mundial.
Alysa Liu representa um grande marco simbólico para a patinação artística, porém possui suas lutas internas e momentos pessoais de frustração. A pausa da atleta foi movida pela busca de ressignificados para sua vida, antes pautada apenas pelas vitórias nas competições, além das cobranças e pressão competitiva pela perfeição. A patinadora pode ser considerada o retrato do tempo como período para reencontro e realinhamento da saúde mental dos atletas, justificando a decisão de se distanciar dos pódios, mesmo que temporariamente, e finalmente poder existir livre das cobranças adicionais.
메타데이터
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