Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos nós cegos, puxo um fio que me aparece solto.
Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos nós cegos, puxo um fio que me aparece solto.
acordo e tomo o meu café com leite de todos os dias. não abro a janela ainda, porque não quero que o dia comece. ouço a grama do vizinho sendo aparada por causa do cortador de grama e também escuto a minha irmã ouvindo seu álbum de musicas em frances preferido. escovo os dentes pensando se eu lavo o banheiro hoje ou amanha e se ainda dá tempo de caminhar na rua. olho para os meus gatos e me preocupo como todos os dias: será que eles vão viver mais um ano? olho para a minha coleção de bolsas e penso, pela milésima vez, que não tenho uma bolsa na cor lilás. descubro pelo Instagram que a menina que odeio passou o dia mais feliz do que eu, e na competição que só existe na minha cabeça, ela segue ganhando o jogo da vida. abro meu perfil, descubro que uma menina que sigo acabou de morrer, tão nova, ela tinha a minha idade: será que eu devo aproveitar mais a vida enquanto meu momento final não chega? olho para o meu kindle o que parece ser pela quinquagésima vez na semana: será que um dia vou terminar um livro inteiro? sinto meu coração batendo cada vez mais forte, ele parece até pensar mais do que a minha própria cabeça, minha respiração acelera e a falta de ar me agarra. meus pensamentos voltam para os afazeres do trabalho: será que hoje vou conseguir bater a meta? olho para o meu ventilador, que faz mais barulho do que deveria, e penso se deveria dormir até às 15h, mas se eu fizer isso vou perder a manhã inteira, mas o que eu contribuo ficando acordada? o mundo precisa de mim? vejo o sol na janela com todo o resplendor de um dia qualquer ensolarado, então penso no dia de ontem e em como o céu estava tão cinza. talvez para combinar com meu estado de espirito. mas claro que o mundo não gira conforme meus pensamentos e sentimentos, e ainda bem já que seria uma lista constante de dias nublados, que depois fazem sol e depois nublam novamente e depois e depois. olho para as minhas palavras e nenhuma delas faz sentido, sinto minhas mãos tremerem e penso em quem pode ler esse texto, na verdade qualquer um, mas principalmente as pessoas que não confio, porque sempre fico vulnerável demais em externalizar meus sentimentos. então se você não é próximo, pare de ler imediatamente, na verdade, continue lendo sim! absorva o quanto sou humana, tenho pensamentos confusos e sofro de ansiedade. e ela me pega, em diferentes momentos e dias, desde os meus 15 anos e olha só já se foram 10 anos pensando que o ar não passa direito pelo meu corpo. é um dos relacionamentos mais longos que tive. penso em parar de escrever, em reler tudo: e se eu voltasse a escrever histórias? será que as minhas leitoras ainda lembram de mim? penso no facebook e em como lá contem uma infinidade de lembranças e laços que nunca vão voltar, mas estão registrados para sempre serem uma lembrança gostosa. penso em minhas amigas e no nosso aniversário de 10 anos daqui duas semanas: como pode alguém me aguentar tanto tempo? penso na minha playlist de corrida e em como fiz bem em juntas little mix e twice. penso em twice e em como perdi o encanto completamente depois do show e que não acredito que gastei tanto dinheiro para vê-las. penso também na música malibu da miley e em como ela deveria tocar no filme malibu renasce. penso em miley, como todos os dias. ela é a única certeza que vai estar em meus pensamentos pro resto da vida. penso em dormir novamente e tentar acordar sem o coração disparar, quero tomar meu calmante e o dobro dos meus remédios, mas também quero parar de tomar remédios. penso nos meus amigos e nos amigos distantes: como faço pra manter amizades que não converso todos os dias, acho que nunca vou saber.
tento ficar acordada. quero dormir de novo. quero parar de escrever. e paro.
메타데이터
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