insecta parida junto ao florilégio torácico
ou blandícia inerente no ventre do ser.
insecta parida junto ao florilégio torácico
ou
blandícia inerente no ventre do ser.
a entomologia aflorada em meu peito, causada pela mariposa-nácar habitando em poesia, vai de cigarras cantando no véu de meu leito ao louva-a-deus orquídea de beleza afrodisia.
quiçá, a fineza da princesa ao sentir o grão de ervilha sob dezenas de colchões tênue-hialina, seja lídima e melífera como a flor-de-baunilha que atrai a euglossini de asas cristalinas.
mas, se na imensidão de meu cerne reside tanta vida que fora protegida em exoesqueletos cobrindo a alva, sei que corpórea e translúcida a metamorfose lívida brotará em meu tórax feito pétalas de malva.
pondero com os insetos dentro de mim se tenho o que é preciso para tal delicadeza— se a ervilha, porventura, em meu invólucro de cetim impediria o repouso na completa macieza…
passei inúmeras ecdises durante a mocidade; da pureza artemísia à insanidade dionísia. faço preces e súplicas à amada deidade; que a tanatose de minh’alma torne-se ambrosíaca.
se são os artrópodes que fazem-me vivo, e no lugar de meus órgãos há seres de seis patas: ao fenecer, eles irão comigo? ou seguirão divagando e residindo pela mata?
de qualquer modo, sozinho não estarei ao ser deixado em desamparo pelas borboletas, libélulas e joaninhas de angélia; pois receberei ácaros, baratas, besouros em reparo— e apodrecerei suave como Ofélia.

insectes by adolphe millot (1857 - 1921)
메타데이터
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