Eu adoro conversar.
Mas não se engane. Eu não gosto de conversar em qualquer lugar. Especialmente em espaços públicos que oferecem produtos ou serviços…

Eu adoro conversar. Quando vamos às festas, por exemplo, a CriX diz que meus comes e bebes são falações e escutas. E ela tem razão: eu me alimento de palavras e de tudo o que elas comportam, carregam, implicam, agenciam, despertam, provocam, destroem, representam e referenciam. Eu já entrei em festas badaladíssimas — com comidas e bebidas da mais alta qualidade — e saí sem ter aproveitado coisa alguma, exceto os papos.
Mas não se engane. Eu não gosto de conversar em qualquer lugar. Especialmente em espaços públicos que oferecem produtos ou serviços: mercados, hospitais, bancos, lojas… eu entro para fazer o que preciso e vou embora o mais rápido que consigo. Eu não entro para saber qual a notícia do momento, para discutir o conceito de desacordos profundos ou para comparar dores e sofrimentos [que é um esporte bem popular].
**Também não gosto de conversar com qualquer um. Eu valorizo demais um bom papo para desperdiçá-lo com um qualquer. Isso não tem a ver com alguma frescura, implicância ou arrogância moral, emocional, espiritual ou intelectual, e sim com uma absoluta resistência e crescente impaciência com gente chata***. E, para mim, esta é uma das poucas categorias que importam. E eu sou Pastor, sou um especialista em gente chata.
Não tenho do que reclamar. Estou cercado de pessoas consistentes, autênticas, inteiras, interessantes, intensas, humoradas, e tão imperfeitamente diferentes entre si! Sabe aquelas companhias — no meu caso, amizades transversais — com as quais você se senta à mesa e não tem pressa alguma de ir embora e, quando você se dá conta, já se passaram duas, quatro, seis horas (e que facilmente poderiam ser mais)?
É isso! E no último dia 28, mais uma vez, foi assim. Valeu demais, Novaes. Valeu demais, Sérgio. Valeu demais, Utahy [in memoriam].
*Os chatos não são pessoas más ou negativas. Aliás, em muitos lugares, posições e ocasiões eles são até necessários ou bem-vindos. Não é desses chatos que estou falando. Estou falando do chato cuja chatice é um estado de espírito (de porco); do chato plano e obtuso que só existe graças ao criacionismo, porque se dependesse dos evolucionismos, eles já estariam extintos e já não existiriam mais na natureza.
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