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Carta à Professora de Deus

ComuEscritaJulEx3

Zuleica Águeda Ferrari in Comunidade da Escrita Afetuosa · 2025-07-24 00:35 · 4 claps · 2.3 min read
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Carta à Professora de Deus

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Curitiba, 23 de julho de 2025.

Prezada Professora de Deus,

Faz sete anos que lhe dei um basta! Frequentemente me pergunto como pude tolerar você por tanto tempo. O meu problema é que me esforço para aceitar as pessoas como elas são e procuro não as comparar umas às outras. No entanto, sempre achei você um tanto simplória e com pouca sofisticação intelectual. Porém, como éramos vizinhas, com filhas pequenas, pensei que poderíamos conviver pacificamente. Você sempre demonstrou um certo ar de superioridade, mas eu procurei relevar isso em várias ocasiões.

Após 40 anos de “amizade”, partimos para aquela fatídica viagem à Europa, em que ficamos no mesmo quarto de hotel. Você começou a me irritar ao arrumarmos as malas de forma diferente. Enquanto eu gostava de espalhar as roupas, você preferia guardá-las em rolinhos. Segundo você, eu fazia “errado”, mas você fazia “o certo”. Esse é o meu jeito e eu esperava que você o respeitasse, mas não. Você continuava a ser “a dona da verdade”. Depois, começou a cismar com meu jeito “errado” de usar o secador. Aguentei calada por 15 dias, mas depois explodi naquela noite, no hotel. Disparei em você a minha metralhadora de mágoas e raiva guardadas por 40 anos. Saíram cobras e lagartos da minha boca. Você ficou muda pela primeira vez.

Em várias ocasiões anteriores, você se gabava das suas filhas e dos seus genros que já estavam “muito bem de vida” e que ambos os casais haviam comprado apartamentos caríssimos. Quando me perguntou como estavam, financeiramente, a minha filha e meu genro, eu (imbecil ao cubo) caí na sua armadilha e respondi que estavam “mais ou menos”. Em seguida, com aquele seu ar de superioridade que lhe é peculiar, tentou me encorajar, dizendo: “Eles ainda vão melhorar”. Ai, que cansaço!

Lembro também, de uma passagem, em que você queria decidir até o tipo de homem que EU deveria namorar. Pela sua experiência, o sujeito deveria ser uns 10 ou 20 anos mais velho. Você é que estava “correta” nesse aspecto também, pois namorava um homem casado, bem abonado, e 20 anos mais velho do que você. E veio falar isso logo para mim que sempre gostei de cara mais novo. Ah, me poupe, né?

Depois da minha explosão, lá no hotel, ainda tivemos de nos suportar por mais alguns dias naquela viagem. Isso tudo aconteceu, exatamente, em julho de 2018. Não sinto falta de você para nada, nem como companhia para ir ao cinema. Não tenho mais vínculo que me prenda a uma amizade doentia dessas, em que a tônica da sua parte eram a comparação e a humilhação. Você é uma nova rica emergente que, para dissimular o complexo de inferioridade, de falta de cultura e de educação formal, acha que pode tripudiar na cabeça dos outros.

Mas devo a você um enorme agradecimento. Obrigada por ter me ajudado a abrir os olhos e me ensinado a dizer não para amizades tóxicas que não me acrescentam absolutamente nada de positivo. Pelo contrário, fazem mal à autoestima e só destilam veneno em qualquer pessoa.

Adeus,

Zuleica

Zuleica Águeda Ferrari — Comunidade da escrita afetuosa — Profª Ana Holanda — Exercício 3 — Escrever uma carta para alguém que não lhe fez bem. (23/07/25)


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