He-Man (2026) — Review.
Pelos Poderes de Grayskull e da nostalgia.
He-Man (2026) — Review.
Pelos Poderes de Grayskull e da nostalgia.

Atualmente eu soube da existência do filme de He-Man (2026) e fui rever alguns episódios do desenho. A experiência continua estranha divertida. He-Man sempre foi uma das coisas mais conservadoras já colocadas num desenho infantil. É literalmente um príncipe loiro, musculoso e virtuoso defendendo um reino mágico. Só que ao mesmo tempo aquilo é um delírio completo. Tem homens-fera, esqueletos falantes, magos, tecnologias futuristas, castelos gigantes, monstros, raças diferentes e uma quantidade absurda de personagens que parecem ter sido criados depois de uma reunião de cinco minutos de marketeiros cheirados que só querem vender brinquedos.
Também vale lembrar que o filme dos anos 80, Masters of the Universe (1987) foi um acontecimento. Pelo menos foi o que ouvi do meu irmão mais velho, que sempre dizia que aquela foi uma das primeiras grandes decepções cinematográficas de uma geração de crianças. Hoje estamos acostumados com universos compartilhados, planejamento de franquias e a estrutura quase industrial do MCU, mas aquilo não existia. O filme de Dolph Lundgren chegou sem saber muito bem o que era, gastou mais tempo na Terra do que em Eternia e virou um fracasso. Então o que esse novo longa tem de diferente?
He-Man, o homem mais poderoso do universo, enfrenta o maligno Esqueleto para salvar o planeta Eternia e proteger os segredos do Castelo de Grayskull.

Eu nunca fui exatamente fã do desenho. Nunca acompanhei toda a loucura, mas sei o básico para entender o que aquilo era uma máquina de vender bonecos. E o filme não é muito diferente. A Mattel claramente olhou para o sucesso de Barbie e pensou que também podia transformar brinquedos em cinema. A diferença é que Barbie tinha em mãos o grande truque de lacrar e lucrar ao mesmo tempo. Já He-Man parece não saber muito bem o que quer dizer. Sobra então a saída mais fácil, fazer piada de si mesmo, zoar os nomes dos personagens e admitir o quão ridículo tudo aquilo é.
O curioso é que o filme realmente não tem medo de trabalhar esse ridículo. Pelo contrário, abraça tudo de uma vez. O problema é que ele força tanto essa ideia que chega uma hora em que você quer avisar os roteiristas que já entendeu a brincadeira. Sim, aceitamos Eternia. Sim, aceitamos um sujeito chamado Esqueleto. Sim, aceitamos um tigre gigante de armadura. Não precisa mais ficar apontando para a própria piada. De tanto se parodiar, o filme começa a cansar.
A ambientação de Eternia também é um problema. Quando a câmera fecha nos personagens funciona, mas quando abre para mostrar o mundo tudo parece tão falso demais. Falta peso, falta textura e falta vida. E para piorar eles repetem o mesmo erro do filme dos anos 80, a necessidade quase patológica de trazer a história para a Terra. A trama inicial com Adam ainda criança fugindo é muito boa, mas depois ele precisa trabalhar no RH, viver como uma pessoa comum e lidar com um amigo que parece um drogado sem drogas. São erros antigos voltando como se ninguém tivesse aprendido nada.

Agora, quando o assunto são as lutas, o filme cresce. Quando Adam se transforma em He-Man pela primeira vez é muito foda. Existe um senso de escala que finalmente faz justiça ao personagem. A batalha que vem na sequência é emocionante e entrega exatamente aquilo que o público esperava. Em certo momento até o Esqueleto grita “que show”, e pela primeira vez eu concordei completamente com ele. As lutas, combinadas com as músicas nostálgicas dos anos 80, são facilmente o ponto mais alto do filme.
Os atores também ajudam bastante. Todo mundo parece entender exatamente o tipo de filme em que está. Nicholas Galitzine funciona muito bem como Adam e como He-Man, conseguindo ser engraçado e heroico ao mesmo tempo. Idris Elba continua sendo foda em praticamente qualquer papel. Alison Brie nunca esteve tão bonita, engraçada e sexy olhando para a câmera. Quem rouba o filme é Jared Leto. No seu melhor trabalho desde Clube de Compras Dallas (2013) tudo por que seu rosto não aparece. Eu achei que o Esqueleto seria tratado com seriedade, mas fiquei feliz ao descobrir que ele é uma piada ambulante.
He-Man chegou alguns anos atrasado. É uma experiência divertida, engraçada e cheia de ação, mas parece algo que teria causado muito mais impacto antes. Depois de anos de Marvel, Disney e dezenas de filmes usando exatamente a mesma mistura de humor, nostalgia e espetáculo, hollywood não tem mais brilho.
메타데이터
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- 2026-06-20 20:29:01