De calada a fênix: como encontrei minha voz no meio do caos
Coisas que antes me paralisavam, hoje me libertam.
De calada a fênix: como encontrei minha voz no meio do caos
Coisas que antes me paralisavam, hoje me libertam.

Nunca imaginei que fazer vídeos pra internet mudaria tanto a minha forma de existir. Não só comecei a me comunicar melhor, mas também perdi a vergonha de tudo. De falar, de errar, de fazer piada besta, de perguntar, de me apresentar.
Eu era daquelas pessoas que passavam mal só de pensar em fazer uma apresentação. Não conseguia terminar um trabalho de faculdade sem chorar ou fugir. Não importava o quanto eu tivesse estudado , ou lido o medo me travava total e completamente. Hoje, se me perguntam algo que eu sei, eu respondo com convicção. Se eu errar? Aprendo. Simples assim.
Apesar disso, sempre fui mais de ouvir. E ainda sou. Gosto de aprender com os outros, ouvir conversas, absorver ideias. Aprender com quem fala não apaga a minha voz, só a torna mais rica em conhecimento. Falar melhor não me fez querer falar mais, só me deu liberdade de escolher quando e como falar.
Esses dias vivi uma situação tensa que exigia que eu me comunicasse bem. E eu consegui. Foi ali, depois naquela pressão toda que passei foi que percebi o quanto evoluí. Me admirei. Não porque fui perfeita, mas porque fui inteira.
Falei sem medo de como iriam interpretar. Porque no fim das contas, eu não tenho controle sobre isso. Só posso controlar o que digo e o que isso significa pra mim. Quem quiser entender, pergunta.
Antes eu só me sentia boa escrevendo. Evitava áudios, não me achava clara o suficiente falando. Hoje eu falo “ pra caralho”. Mesmo esquisita, mesmo tropeçando às vezes, eu falo. Me expresso. E me faço entender.
Quando percebi que tinha mudado, já tinha mudado faz tempo. É que eu não fico parada olhando pra minha dor como quem cultiva estátua. Eu sigo. Sigo transformando tudo, até o que parecia fim.
Foi aí que compreendi algo que meu Exu já tinha me dito: eu sou uma fênix. Já passei por mortes físicas e simbólicas. Já fui destruída e me reconstruí sozinha, muitas vezes. E esse é meu jeito de viver. Eu não fujo do abismo eu me jogo. E volto. Mais forte, mais inteira.
Às vezes nem percebo que estou no fundo. Nem quando saio. Eu só renasço. Vivo nesse ciclo bizarro, meio bruxa, meio humana, meio caos, meio luz, meio trevas. E sigo assim, pelos meus próprios instintos.
Então lembrei de Heráclito: ninguém entra no mesmo rio duas vezes. Porque nem o rio é o mesmo, nem você. Tudo muda. Tudo flui.
메타데이터
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