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Hermano Henning — a reportagem que ainda está por vir

Por: Caíque Prall, Fernando Neopmann, João Mazzei, Luca Vulcano e Luis Chambrone

Luis Gustavo Oliveira Chambrone · 2026-06-15 18:16 · 1 claps · 4.8 min read
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Hermano Henning — a reportagem que ainda está por vir

Por: Caíque Prall, Fernando Neopmann, João Mazzei, Luca Vulcano e Luis Chambrone

Entrevista com Hermano Henning nos estúdios da Rede Brasil de Televisão. Hermano, com as roupas utilizadas para apresentar o jornal, explica sua trajetória. Foto: Luis Chambrone

Entrevista com Hermano Henning nos estúdios da Rede Brasil de Televisão. Hermano, com as roupas utilizadas para apresentar o jornal, explica sua trajetória. Foto: Luis Chambrone

“Eu venho de metrô para o trabalho, e sempre percebo a troca de olhares entre as pessoas, aquele tipo de olhar de reconhecer um rosto familiar. Mas ninguém chega a me abordar efetivamente como era antigamente”.

Afrase vem de quem passou mais de meio século diante das câmeras, acostumado a entrar diariamente na casa de milhões de brasileiros. Hermano Henning é um nome que marcou gerações de telespectadores, construiu histórias e deixou legados na televisão nacional, em uma carreira marcada pela presença constante nas telas, contando histórias em diferentes locais do mundo.

Um dos nomes de maior importância da telinha nacional vive dias mais calmos e, mesmo com números menores, sua paixão pelo trabalho permanece a mesma. Sempre com sorriso no rosto, o apresentador chega à Rede Brasil com antecedência, cumprimenta a todos, contagia o ambiente. Entre sorrisos e brincadeiras, o peso — ou respeito — que sua figura carrega é transformado em trocas sinceras e profissionais entre todos, desde maquiadores, equipe de montagem até a equipe de redação.

Henning no camarim, se maquiando para começar as preparações do jornal Brasil News. Foto: Fernando Neopmann

Henning no camarim, se maquiando para começar as preparações do jornal Brasil News. Foto: Fernando Neopmann

Sua satisfação em dias calmos não vem do acaso. A trajetória que o jornalista traçou lhe permite viver cada dia de trabalho com sentimento profundo de realização profissional.

E essa história começa no ano de 1945, em Guararapes, no interior de São Paulo, onde Hermano nasceu. Mesmo pequeno, descobriu cedo o gosto pela informação. Ainda na adolescência, conhecido momento de autodescobertas, Henning apresentou programas em uma rádio local da cidade, onde teve o primeiro contato com o funcionamento do meio comunicativo.

“Eu achei que minha vocação nasceu ali, dentro de uma emissora de rádio”.

Já aos 20 anos, mudou-se para a capital paulista, dividindo-se entre o curso de Direito, na Faculdade de Direito de Guarulhos, e o trabalho na rádio Difusora. E mesmo após se formar, seguiu profissionalmente no jornalismo, onde conseguia se enxergar e se sentir verdadeiramente realizado.

Foi na revista Veja, depois de formado, que Henning iniciou sua carreira nacional, conquistando espaço como repórter em meados da década de 1970. Em 1976, foi enviado à Alemanha para cobrir as eleições do país — experiência que o levaria a um novo patamar. Lá, foi convidado a integrar a equipe da Deutsche Welle, rádio internacional alemã, onde atuou como locutor em português, com transmissões para mais de 30 países.

E logo no ano seguinte, Hermano confirmou aquele potencial que sua trajetória até aqui nos mostrava, no momento em que a Rede Globo o contratou como correspondente internacional. Instalado na Europa, contou de perto alguns dos acontecimentos mais marcantes do século: o enterro de Charles Chaplin (1977), o sequestro e assassinato do ex-primeiro-ministro italiano Aldo Moro (1978), a Revolução Iraniana (1979) e os Jogos Olímpicos (1980). Durante esse período, também cobriu momentos decisivos da Igreja Católica, como a morte de Paulo VI (1978) e, posteriormente, a eleição de João Paulo II.

Henning não só contava histórias, mas construía elas. Foi o único jornalista brasileiro a conseguir uma entrevista exclusiva com o novo pontífice, que enviou uma saudação ao povo brasileiro e anunciou sua primeira visita ao país — reportagem exibida em rede nacional, que escrevia mais uma vez o nome de Hermano na história da televisão brasileira.

Nos dias de hoje, ele relembra importantes momentos profissionais com orgulho e sorriso no rosto.

Henning mostrando reportagem sobre o começo dos carros elétricos. Foto: Luis Chambrone

Henning mostrando reportagem sobre o começo dos carros elétricos. Foto: Luis Chambrone

De volta ao Brasil no início dos anos 1980, Hermano deu mais um grande passo em sua carreira: integrou a equipe do Fantástico. O jornalista logo se destacou por sua disposição em encarar novas grandes coberturas internacionais, esteve na guerra Irã-Iraque, na guerra civil em Angola, no conflito das Malvinas e na primeira expedição brasileira à Antártida, local em que permaneceu dois meses a bordo do navio Barão de Teffé.

“Nós fomos os primeiros jornalistas a ir para a Antártida para a televisão brasileira”,

Imagem capturada de vídeo: reportagem sobre a Antártida. Foto: Memória Globo

Imagem capturada de vídeo: reportagem sobre a Antártida. Foto: Memória Globo

Em 1989, encerrou sua primeira passagem pela Rede Globo e aceitou o convite do SBT para fundar o escritório internacional da emissora em Washington, onde apresentou o Telejornal Internacional. Três anos depois, retornou à Globo como correspondente em Nova York, novamente cobrindo episódios marcantes, como a morte de Tom Jobim (1994) e o atentado de Oklahoma City (1995).

Sua trajetória seguiu marcada por idas e vindas entre emissoras e formatos. De volta ao SBT, em meados dos anos 1990, consolidou-se como âncora de telejornais, entre eles o Jornal do SBT.

Com o encerramento do Jornal do SBT, em 2017, Hermano participou do SBT Notícias até deixar a emissora meses depois, concluindo mais de duas décadas na emissora. Ainda naquele ano, assumiu a direção de jornalismo da TV Câmara de Guarulhos, e em maio de 2018 anunciou seu retorno à televisão, ao firmar contrato com a Rede de Brasil de Televisão (RBTV).

Hoje, aos 80 anos, Hermano Henning segue à frente do telejornal Brasil News, exibido pela Rede Brasil de Televisão. O estúdio é menor, o ritmo mais tranquilo e o público mais segmentado — uma rotina que ele descreve sob medida para esta fase da vida.

“O Brasil News é um jornal mais tranquilo, ideal para um jornalista de 80 anos. Eu chego por volta das quatro da tarde, apresento o jornal e volto para casa”.

Atualmente, Hermano apresenta diariamente o Jornal Brasil News, transmitido pela Rede Brasil de segunda á sexta, às 18h30. Foto: Luis Chambrone

Atualmente, Hermano apresenta diariamente o Jornal Brasil News, transmitido pela Rede Brasil de segunda á sexta, às 18h30. Foto: Luis Chambrone

Embora já não seja reconhecido nas ruas como antes, segue exercendo o ofício com a mesma identificação de sempre — desta vez, com uma nova visão.

“Eu não encaro isso como um trabalho, eu encaro como uma curtição da minha parte. Eu gosto de fazer isso. […]”

Henning pode não ser parado no metrô ou não estar mais cobrindo notícias em Nova York, mas continua dando e extraindo aquilo que mais importa a cada dia como jornalista.

Acho que é o amor, o amor pela profissão.”

E essa história ainda não escreveu seu final feliz, existem páginas a serem escritas. “Eu não pretendo encerrar logo, não. Hoje eu trabalho do jeito que gosto, ser jornalista é algo bacana, uma profissão maravilhosa, em todos os sentidos”. A afirmação reflete a continuidade de uma trajetória que ultrapassa cinco décadas dedicadas à comunicação.

Mesmo com uma carreira consolidada, em diferentes lugares e projetos, Hermano Henning segue atuando com regularidade no telejornalismo. Com mais de meio século diante das câmeras, afirma que ainda há muito a realizar.

“Sinto que a grande reportagem da minha vida ainda está para ser feita”.


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