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A esquecida arte da meditação

A Leitura e a Pregação da Palavra de Deus Devem Ser Centrais na Vida do Crente

Editora Covenanter · 2025-04-13 15:47 · 0 claps · 4.7 min read
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A esquecida arte da meditação

Idoso segurando a palavra de Deus, admirando-a

Idoso segurando a palavra de Deus, admirando-a

A Leitura e a Pregação da Palavra de Deus Devem Ser Centrais na Vida do Crente

A leitura e a pregação da Palavra de Deus devem ocupar um lugar central na vida do crente. Devemos ser como o homem bem-aventurado do Salmo 1, que tem “o seu prazer na lei do SENHOR” (v. 2). No entanto, se nos limitarmos apenas a ler e ouvir a Palavra, não seremos tão beneficiados quanto poderíamos. O salmista também meditava na lei “dia e noite”, e isso foi essencial para o seu frutificar (v. 3). A igreja será grandemente abençoada ao recuperar essa arte perdida da meditação.

A Dificuldade da Meditação

A meditação é um pensamento sério, prolongado e contemplativo, e, ao dizermos isso, logo percebemos que isso representa um desafio para o homem moderno. Nossa primeira dificuldade é circunstancial. Sem dúvida, as pessoas sempre lutaram com a meditação, mas o ritmo de vida no século XXI, somado à predominância do entretenimento e ao efeito da tecnologia em nossas mentes, nos confinou às superficialidades quando se trata de reflexão sustentada. Nosso sistema educacional também não ajudou, com sua ênfase na utilidade prática em vez do desenvolvimento do pensamento disciplinado.

Nossa segunda dificuldade é espiritual. Estamos falando da meditação cristã, e aqui as pessoas não apenas lutam contra vidas agitadas, mas também contra mentes caídas. O pecado prejudicou nossa capacidade intelectual em comparação com nosso estado original de criação e nos deixou sem inclinação natural para “pensar nas coisas que são de cima” (Cl 3:2). A mente carnal está em inimizade contra Deus, e Satanás sabe disso e se aproveita de nossa condição caída para nos distrair de dedicar nossa mente ao que fará bem à nossa alma. Esse é um problema intransponível sem a graça; portanto, para recuperarmos a arte perdida da meditação, precisamos orar para que Deus renove nossas mentes e nos capacite a disciplinar e treinar nossos pensamentos.

A Arte da Meditação

A meditação cristã não é mística — pelo menos não no sentido em que essa palavra é usada hoje. O budista medita em busca do Nirvana, com o objetivo de esvaziar a si mesmo e sua consciência, buscando ser renascido. Outros que praticam a meditação transcendental buscam um estado de alerta tranquilo, livre de qualquer pensamento ativo. No passado, místicos cristãos privavam seus corpos e esvaziavam suas mentes para alcançar um estado passivo, esperando uma infusão da razão divina. Todas essas formas de meditação mística desengajam a mente na expectativa de uma descoberta.

A meditação cristã também não é meramente especulativa. Às vezes, nas igrejas reformadas, podemos cometer esse erro. Há um interesse pelo pensamento crítico e pelo estudo, o que é bom; seria uma bênção para a igreja se houvesse mais disso. No entanto, o estudo e o pensamento crítico se relacionam com a meditação como a coleta de gravetos se relaciona com o calor do fogo. Um homem pode juntar os gravetos do conhecimento por toda a vida, mas se beneficiará pouco se nunca acender o fogo. Assim como a meditação sem estudo é perigosa, muito do nosso estudo sem meditação é infrutífero.

A meditação cristã é verdadeiramente contemplativa. Não se trata de esvaziar a mente e esperar por uma infusão divina, nem do burburinho mental da investigação, mas de uma reflexão profunda sobre verdades conhecidas. É uma contemplação prolongada até que a alma seja movida pela verdade — os gravetos da verdade, recolhidos pelo estudo, são acesos e alimentados no fogo da meditação, onde nos assentamos para aquecer o coração e energizar a vida. R. L. Dabney diz sobre a meditação: “Não é a busca, mas a posse da verdade; não a investigação, mas o seu fruto na alma.”

O Conteúdo da Meditação

Então, sobre o que devemos meditar? A Bíblia responde isso de duas maneiras principais. Primeiro, meditamos na Palavra de Deus. O salmista meditava “na lei do SENHOR” (v. 2). Deus se revelou e revelou sua vontade aos homens nas Escrituras, portanto, o cristão enche seus pensamentos e afeta sua alma com a Palavra. A meditação é especificamente sobre o que Deus revelou. Há coisas ocultas que pertencem somente a Ele (Dt 29:29), e é inútil nos debruçarmos sobre elas com especulações. As coisas reveladas são suficientes para nós. Portanto, não meditamos nos “e se” das Escrituras, mas no “o que é” — ou seja, em Deus, no pecado, na fragilidade da vida, na estabilidade de sua aliança, no céu, no inferno e na eternidade.

Depois, devemos meditar nas obras de Deus: “Meditarei também em todas as tuas obras” (Sl 77:12), ou seja, todas as obras de Deus registradas em sua Palavra, juntamente com seus atos providenciais que podemos interpretar por sua Palavra. Podemos observar o homem, as constelações dos céus, as estações do ano, a fertilidade da terra, o clima, a ciência, as leis da lógica e toda a beleza deste mundo sob o governo de Deus. Estamos cercados de conteúdo para meditação.

O Objeto da Meditação

Embora meditemos na Palavra e nas obras de Deus, só teremos sucesso na medida em que elas nos levarem ao próprio Senhor, o glorioso objeto de contemplação.

Meditamos em Deus. “A minha meditação acerca dele será suave” (Sl 104:34). A Palavra nos leva a Deus, e, ao refletirmos, nossos pensamentos se enchem de suas perfeições. Nada pode tornar a alma mais feliz do que o pensamento de Deus; portanto, o homem que medita na Palavra de Deus é o “bem-aventurado” que começa algo na terra que será sua bem-aventurança eterna. Fomos criados para encontrar nossa satisfação nEle. Portanto, pegue uma verdade sobre Deus — por exemplo, sua santidade — e reflita sobre ela, até que você se sinta como Isaías, que, ao contemplar a glória de Deus, sentiu-se perdido, ou como os anjos, que cantam em louvor perpétuo: “Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos.”

Mas nosso objeto pode ser definido de forma mais específica. Devemos meditar em Deus em Cristo. Cristo é o centro da Palavra de Deus, e a maior obra de Deus é a redenção dos pecadores em seu Filho. É aqui, mais do que em qualquer outro lugar, que contemplamos a beleza e a glória de Deus. Em Cantares de Salomão 5, as filhas de Jerusalém perguntam à sulamita o que havia de tão especial em seu amado. Sua resposta é como uma meditação prolongada, concluindo com as palavras: “Sim, ele é totalmente desejável!” O pensamento de Deus sem um mediador aterrorizará os perdidos no inferno eternamente, mas o pecador que chegou a Deus pela fé em Cristo encontra na contemplação de Deus em Cristo o seu maior deleite. Pegue o que você sabe dEle — a majestade de sua pessoa, a glória e a perfeição de sua obra — reflita sobre isso e maravilhe-se com como Deus salvou pecadores. Coloque essas glórias ao lado de todas as coisas vãs com as quais costumamos prostituir nossas mentes e dê os primeiros passos para recuperar essa arte perdida da meditação cristã.

Texto de Gavin Beers. Título original, The lost art of meditation. Extraído do site: https://www.grangepress.com/2019/11/06/the-lost-art-of-meditation/


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