ADELAIDE, aqui não há segunda vez para o erro.
Como assim você nunca ouviu falar de Adelaide Carraro? É… Eu te entendo, meu amigo. Até iniciar o meu processo de pesquisa sobre autora…
ADELAIDE, aqui não há segunda vez para o erro. Direção de Anna Zêpa. São Paulo: Arenga Filmes, 2020, 20min, documentário — (Mostra de Cinema de Tiradentes).
Como assim você nunca ouviu falar de Adelaide Carraro? É… Eu te entendo, meu amigo. Até iniciar o meu processo de pesquisa sobre autora, também ainda não a conhecia. O motivo? Estou tentando descobrir. Cadê os rastros da escritora? Por que pouco se fala dela? É muito provável que foi a partir de questões desse tipo, de cunho investigativo, de incompreensões de certos assuntos, que Anna Zêpa, autora e diretora, pensou e construiu o documentário: “Adelaide, aqui não há segunda vez para o erro”. Que integrou a Mostra Panorama de 24 Mostra Tiradentes, exibido no portal oficial do festival.
Adelaide Carraro foi uma das escritoras brasileiras mais lida entre os anos 60 e 70. No entanto, a maioria de seus livros foram censurados pela Ditadura Militar. Acusada pela censura de pornográfica e maldita, Adelaide, de certa forma, foi esquecida na história literária brasileira. No documentário, uma marca explícita e não comum para o gênero é a forma que a narrativa acontece, em primeira pessoa por uma personagem morta — ala Brás Cubas. A linguagem é um aspecto marcante, onde a protagonista morta está deslocada para dirigir o filme atrás da câmera, construindo uma possível percepção dela sobre sua trajetória. Possibilitando assim, que o interlocutor dialogue com essas visões, tanto da personagem morta quanto dos olhares colocados pelos entrevistados e entrevistas. Esses se dirigem à câmera como se falassem com a personagem. Falam da escritora como se falassem para ela, colaborando numa espécie de (re)descoberta da Adelaide. Porque esse é o intuito, é fazer com que todos juntos se instiguem em desvendar o enigma que circunda a arte da autora. Um reencontro póstumo.
Esse jogo fúnebre envolve todo o enredo do filme, que se inicia e termina no cemitério o qual a autora encontra-se enterrada. Além de contribuir para o clima de suspense, de mistério, fazendo com que o telespectador se prenda e, de certa forma, fique apreensivo com o desenrolar da narrativa. As falas dos entrevistados e entrevistadas traz muita bagagem acerca da vida da escritora, tornando o documentário uma fonte muito satisfatória para pesquisadores das obras da autora, um verdadeiro prato cheio. No fim, a sensação que nos perpassa é que Adelaide Carraro ainda tem muito a nos contar. Pronto, agora você já ouviu falar um pouquinho da grande história e escritora que foi a mulher que mataria o presidente.
메타데이터
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