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Magolítica #0.8 — Introdução à Esochannealogia

Quebra de Quarta Parede #3:

Cadáver Minimal · 2025-05-25 19:36 · 0 claps · 12.6 min read
#imageboard-shitpost #lixo #politica #português #memetic-warfare
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Magolítica #0.8 — Introdução à Esochannealogia

Quebra de Quarta Parede #3:

Infelizmente perdi completamente a minha capacidade de escrever esse livro. As ideias não chegavam de forma alguma e eu sequer sei como conduzir o rumo dessa merda (>o que não é uma grande novidade, Cadáver). Então em vez de eu apresentar a continuidade argumentativa dessa porcaria, apresentar-lhes-ei uma conversa com um amigo meu.

<o que é uma mentira, visto que o Cadáver Minimal não possui amigos

Conversa (>imaginária) com meu amigo (>também imaginário):

— Olá, Batatasperger Chan Soseki, como você está?

— Estou ótimo, Cadáver Minimal!

— O que tem feito?

— Tenho postado vídeos de femdom strap-on para trollar incels em suas comunidades e você?

— Tenho colecionado fotos de calcinhas de crochê.

— E da onde veio esse seu súbito interesse?

— Eu acho calcinhas de crochê fantásticas, Batatinha.

— Por quê?

— Quero ter uma coleção delas e colocá-las penduradas em todo meu quarto.

— Mas isso não vai fazer com que elas fiquem sujas com o tempo?

— Aí é que está a grande sacada, a grande magia da coisa toda, colocá-las-ei em quadros.

— Eita, aí sim!

— Quero ter uma coleção enorme de calcinhas de crochê como uma espécie de arte no meu quartinho.

— Parece um desejo bem legal.

— E você, tem algum novo hobbie?

— Tenho jogado bastante Sega Saturn e visto vídeos de churrasco texano.

— Maneiro, maneiro.

— Além disso, tenho praticado a minha mais nova trollagem.

— Qual a sua mais nova arte de trollagem?

— Eu já mencionei antes, bem no início de nossa conversa, mas mencioná-la-ei novamente: entro em grupos incels e posto femdom strap-on.

— E isso os engatilha?

— Com certeza, mas a legenda também.

— Qual é a legenda, Batatinha?

— Eu sempre escrevo na postagem: “a cura do incelismo”.

— Eita, mas aí você trolla os incelzinhos demais.

— Você não imagina.

— Eles ficam putos?

— Eles ficam furiosos!

— Doidões?

— Doidões.

— Me parece um bom método.

— E você tem lido alguma coisa, Cadáver?

— Terminei de ler “Devil’s Bargain”, mas ainda não terminei de escrever a análise desse livro pro meu blogspot. Atualmente estou lendo “Network Propaganda” e “The KinderGarden of Eden”.

— Como sempre, você está todo leitudo.

— E você, que é mais de ouvir, o que tem ouvido?

— Magdalena Bay, sou viciado nessa banda.

— Eu também, adoro um synthpop.

— Tem jogado alguma coisa?

— O de sempre: a minha vida no lixo.

— Não isso, visto que não é uma grande novidade, de videogame mesmo.

— Ah, jogo Bleach Brave Souls de vez em nunca.

— É um bom joguinho, eu admito.

— E você tem jogado alguma coisa, Cadáver?

— American McGee’s Alice.

— Esse é um clássico!

— Sim, sim, e você sabia que…

>como os diálogos seriam extremamente tediosos e completamente desnecessários para o desenvolvimento desse livro, resolvi usar o meu poder metanarrativo para encerrar a continuidade desse capítulo ruim do livro

<graças ao santo Pepe, meu Deus do céu, esse deve ser o capítulo mais tedioso lançado até agora

Quebra de Quarta Parede #4:

Para não irritar o Greentext e o Pinktext, Cadáver Minimal resolveu escrever um diálogo mais útil que adiantasse o andamento do livro.

>pare de escrever em terceira pessoal, cara

<pois é, você tá mais maluco que o Capitão Pátria e o Donald Trump

Enquanto Cadáver Minimal gastava seu tempo lendo livros sobre a política de outro país (Estados Unidos da América), ele foi encontrado no local mais bissexual e desconstruído de São Paulo — sim, a Vila Madalena, também chamada de Vila Madá, por seus íntimos. Quem encontrou ele não foi a jornalista feminista e tampouco o agente que apareceram nos capítulos anteriores, mas sim Incelito de Souza. Que veio confrontá-lo com suas chatas e estapafúrdias ideias de incel.

Introdução da Crítica da Razão Channealógica:

>rapaz, parece que a chapa vai esquentar

— Você! — diz Incelito de Souza

— Eu?

— Você mesmo!

— O que tem eu?

— É o Cadáver Minimal!

— Eu?

— Sim!

— Sim?

— Então não nega?

— Nego.

— Não é o Cadáver Minimal?

— Sou.

— Mas nega?

— Nego.

— Por qual razão?

— Pois não sei o que você pensa que sou.

— Penso que é o chamado Cadáver Minimal.

— Incorreto.

— Mas é.

— Sim e não.

— Como assim “sim” e “não”?

— Sou o Cadáver Minimal, mas não sei o que você pensa acerca do Cadáver Minimal e não posso afirmar que o seu pensamento é correto.

— Chega de baboseira. Fiquei sabendo que é um de nós.

— Sou?

— Sim, fiquei sabendo que é incel e da alt-right.

— Está desinformado.

— A Revista CUSPE não mente.

— Sim, não mente, mas se equivoca.

— Poupe-me. Você vai nos ajudar?

— Infelizmente não tenho um trocado. Essa cerveja que está aqui foi um boy que me pagou.

— O quê?

— Você nunca pegou um cara para conseguir algo de graça?

— Poupe-me! Não é para isso que quero a sua ajuda.

— Para quê?

— Quero a sua ajuda para combater o fim da decadência do Ocidente.

— O Ocidente está decaindo?

— Sim, não vê?

— Não.

— Veja, por exemplo, os valores morais que estão sendo destruídos.

— Não estão sendo destruídos, estão sendo trocados.

— Como?

— O que vocês chamam de decadência nada mais é do que um processo de transformação.

— E por que acredita nisso?

— Você veja, quando os cristãos passaram a se tornar predominantes no Ocidente, também se chamava isso de fim do Ocidente. Quando houve a troca de Platão por Aristóteles, no período escolástico, também. Renascentismo, protestantismo, iluminismo, liberalismo, comunismo, tudo isso foi chamado de decadência do Ocidente. A decadência do Ocidente é sempre a moda, a ideia do momento. E depois isso vira o próprio Ocidente e o motivo de orgulho do ser ocidental.

— O quê?

— Exato.

— Mas os judeus não conspiram?

— Conspiram com o quê?

— Eles criaram o liberalismo e o comunismo para criar uma falsa sensação de oposição!

— Aff. O problema das teorias da conspiração, meu amiguinho, é que elas exigem uma coordenação uniforme e perfeita, essa coordenação uniforme e perfeita é impossível na realidade, visto que os interesses humanos sempre conflitam e variam em gênero, número e grau.

— Como?

— Se admitirmos que a sua hipótese é verdadeira, temos que admitir que há um ser sem contradição que manipula uma série de movimentos históricos de forma completamente racional e com uma frieza absoluta.

— E não há?

— Não.

— Como não há?

— Não há não havendo.

— Mas e os livros que eu li?

— Leia mais livros.

— Mas eu já leio o suficiente.

— Lê poucos livros e, pior do que isso, só lê livros com vieses de confirmação. Lê para confirmar as próprias premissas, numa estéril monotonia filodóxica.

— Mas eu leio bem!

— Ler bem e ler o debate público é diferente.

— Ler o debate público?

— Quem não lê o debate público sempre cai em teorias da conspiração, pois não consegue ver a anulação contínua de hipóteses e o fato de que a razão humana é sempre contingencial.

— Mas eu sou um channer. E channers são assim.

— Channers não são assim e você não é um channer de verdade.

— Vai me negar o título de channer?

— Vou.

— E por qual razão?

— Pois foge do antiprincípio esochannealógico do caos.

— E que princípio é esse?

— O antiprincípio esochannealógico é o da desconstrução contínua da continuidade do discurso.

— O quê?

— Os channers são pessoas que precisam levar a um processo desconstrucionista constante do discurso, seja o discurso social, seja o próprio discurso, num processo de crítica e autocrítica.

— Como?

— Quem é Kek?

— Kek é o Deus do Caos.

— Sim, Kek é o Deus do Caos.

— Kek é contra o que é estabelecido institucionalmente e eu sou contra o que está estabelecido. Logo eu sou channer.

— Não.

— Por que não?

— Pois seu caos para tão somente naquilo que você considera como errado ou daquilo que você não gosta.

— Então eu deveria ser antichanner?

— Ser channer e antichanner é o antiprincípio do paradoxo esochannealógico. Ele é a pré-condição da condição esochannealógica.

— Como?

— O channer, para ser mais channer, precisa criar uma própria antichannealogia que lhe impulsiona para o caos.

— Não compreendo.

— Já leu a “Gravidade e a Graça” de Simone Weil?

— Não li, não leio livro de mulher.

— Pois deveria largar essa misoginia besta e começar a ler.

— Como?

— Pulando esse seu ódio abestalhado. No livro a “Gravidade e a Graça” a Simone Weil fala sobre o ateísmo purificador.

— Ela é atéia?

— Essa não é a questão. Pode um teólogo ser teólogo e sustentar visões equivocadas de seu Deus sem ser menos teológico? Ele não seria um teólogo pior?

— Exato. Seria um teólogo pior.

— Esse é um ponto, todo teólogo deve internalizar o ateísmo para chegar a graus superiores de teologização.

— O que você quer dizer com isso?

— Estou dizendo que se um channer quer ser mais channer, ele precisa abraçar e internalizar a antichannealogia como parte da sua channealogia, criando em si mesmo uma capacidade de transcender a sua atual capacidade channealógica. Esse é o antiprincípio do paradoxo esochannealógico.

— Então a desconstrução constante deve seguir o caminho da própria desconstrução e desconstruir a si mesma num processo dialético?

— Sim, a crítica só é completa quando também se torna crítica de si mesma. A desconstrução da desconstrução leva a um refinamento do desconstrucionismo e da possibilidade mesma de construir.

— A crítica à institucionalidade também deve se tornar crítica de si mesma?

— Exato. E a channealogia é um processo caótico que só consegue ser compreendida quando possui, em si mesma, uma crítica a si. E essa posicionalidade autocrítica potencializa infinitamente o processo desconstrucionista.

— Você não acabou de inventar tudo isso daí?

— Você que não compreende a verdadeira channealogia. E não consegue compreender o reino sutil da esochannealogia.

— E que reino sutil é esse?

— Kek é o caos. E pelo caos vivemos. O caos só se manifesta verdadeiramente caos quando leva a desconstrução não só do que está aí, mas também do sujeito que põe o caos para desconstruir a ordem. Um verdadeiro channer é capaz de desconstruir a si mesmo. Não basta ver o circo pegar fogo, ele precisa ver o fogo pegar a si mesmo. O verdadeiro channer não é só um iconoclasta, ele também é um autoiconoclasta.

— Espera, o quê?

— Um channer não fica triste de ser chamado de incel ou de alt-right. Ele simplesmente engole cada crítica, durante seu processo esochannealógico de autoengano, também chamado de antiprincípio do autoengano esochannealógico, para se libertar das correntes que prendiam e o separavam da arte kekética do caos.

— Está me dizendo que devo estudar feministas para me tornar um channer de verdade?

— Em verdade, em verdade te digo: se não leres e nem concordares com as feministas e suas críticas, nunca serás um channer de verdade.

— Por quê?

— Pois channealogia não é só a discordância com o feminismo (channalogia), é também a aceitação do feminismo (antichannealogia). A não-aceitação junto com a aceitação levam paradoxalmente a unidade sintética do caos que contrapõe a tese e a antítese para formar a síntese (dialática neossistemática esochannealógica).

— Mas e a redpill?

— A redpill é uma piada para quem não compreendeu os antiprincípios da cultura esochannealógica. Quando dizemos que tudo é pescaria, muitas coisas que fingimos acreditar também são pescarias. Somente idiotas levam o /b/ e o /pol/ a sério.

— Como?

— A verdadeira cultura channer não é como uma gnose de quem encontrou a verdade. Ela, na verdade, é a solução antignóstica de quem não encontra a verdade pois sabe que a verdade é ininteligível.

— É impossível captar a verdade?

— Não somos oniscientes. Tudo o que temos são fragmentos (preconceitos) e não a perfeição (conceitos). Logo tudo o que temos é preconceito. Em verdade, em verdade te digo: a esochannalogia é aconceitualista.

— Então a redpill é só uma trollagem que os velhos channers fazem para rir dos incautos?

— Exato.

— E por que vocês fazem isso?

— Pois somos os verdadeiros mestres do caos. Quando você realmente compreender o que é a channealogia, o que é a antichannealogia e o que é a esochannealogia, não será mais incel.

— E o que é a channealogia?

— Você não percebe que dentro do chan as postagens sempre se apagam devido a própria natureza do fórum e que a gente sempre reclama dos novos usuários?

— Sim, somos forçados a pesquisar sempre mais e mais.

— E qual o nome dessa técnica?

— Essa técnica de olhar sempre mais é chamada de lurk moar.

— Ou seja, a natureza channer, por excelência, comporta um padrão investigativo. O usuário precisa pesquisar cada vez mais e estar atento, visto que o conhecimento não é conhecimento, mas ilusão de conhecimento. Logo o usuário precisa estudar cada vez mais e relativizar os conhecimentos anteriores, visto que os conhecimentos anteriores eram estados menores de conhecimento e os de agora são conhecimentos maiores, mas ainda assim são preconceitos.

— Tá, mas o chan é misógino.

— O verdadeiro anonimato não possui gênero, doutrina, ideologia, religião ou posicionamento. A busca do anonimato é a busca da informa, a ausência de toda e qualquer forma, e a ausência de forma implica na descondicionalidade do ser. O que torna a misoginia impossível.

— O que isso quer dizer?

— Quero dizer que um verdadeiro channer não é um homem e nem uma mulher, mas aquele que encontrou uma condição pós-gênero. Em outras palavras, feminismo e machismo são relativizados e sintetizados pela condição esochannealógica.

— E o que é essa condição esochannealógica?

— A condição esochannealógica é a relativização constante daquilo que antes se havia. O caos é a negação das formas. Logo tudo aquilo que implique numa forma deve ser desconstruído. E a própria desconstrução deve ser desconstruída para que se torne ainda mais fortemente desconstrutora.

— O que é isso?

— No movimento LGBTQIAPN+, por exemplo, houve e ainda há traços disso, de uma época homonormativa.

— E o que foi essa época?

— Passaram a copiar os critérios da heteronormatividade, aceitando dentro de si uma LGBTfobia interna.

— Em outras palavras, tornaram-se aceitadores da opressão e subjugadores de si mesmos?

— Exato. Não basta que o movimento LGBT aceite a própria sexualidade, ele precisa questionar a heteromatrix e a si mesmo. É preciso que exista um estranhamento e esse estranhamento é a queerização do próprio movimento queer.

— Eita. Então a channealogia, que implica numa luta contra a normalidade e a institucionalidade, deve criar um movimento antichannealógico para gerar um aperfeiçoamento da própria condição channealógica?

— Exato. E é por isso que a esochannealogia leva a crer que toda cultura channer é uma bobagem, mas ao mesmo tempo é algo certeiro. No fundo, o Bobo Corte deve rir de si mesmo para fazer com que o Rei aprenda a rir de si mesmo.

— Não compreendo.

— Na corte do rei, ninguém poderia fazer uma autocrítica real. Nem os ministros. Nem mesmo a rainha. O único que tinha essa capacidade era o Bobo da Corte.

— Faz sentido.

— Ridendo Castigat Moris (rindo-se, corrigem-se os costumes). A função da sátira é que exista uma catarse em que a plateia ri de si mesma para libertar-se de si mesma. Um processo profundamente dialético em que o ser sai do preconceito de si e atinge um grau maior de conceituação sobre si mesmo.

— Mas isso é sempre parcial, não?

— Exatamente. Uma pessoa que não ri constantemente de si mesma é incapaz de ter um maior nível de selficação. O autoengano pode ser negativo quando temos a ideia de que conhecemos a nós mesmos, mas absurdamente positivo quando nos obriga a confrontarmos as noções preconcebidas que tínhamos de nós mesmos.

— Isso é interessante.

— O fundamento da democracia é que todas as ideias riam umas das outras. Em outras palavras, a crítica encontra a crítica e se torna autocrítica. A esquerda ri da direita e a direita ri da esquerda, uma fazendo com que a outra se veja como patética para se tornar mais autocrítica dos próprios erros. A posição confrontacional da democracia é o que possibilita dialeticamente a evolução das ideias que são discursadas no debate público.

— Hoje em dia isso ainda ocorre?

— Ocorre, mas pouco. E esse é o problema. “E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós (1 Coríntios 11:19).

— E o que isso quer dizer?

— Quero dizer que o saber humano se dá discursivamente, nunca adentrando num conhecimento do objeto em si. O conhecimento que temos na verdade é a ilusão do conhecimento e não o conhecimento em si. E se o nosso saber se dá a partir da unificação de diferentes fragmentos, então o discurso do outro, sobretudo o outro que está contra nós, é o que faz com que nos tornemos ainda mais capazes de dar saltos maiores no conhecimento.

— A discordância é necessária para o processo epistemológico?

— Sem discordância não há sequer epistemologia.

— É por isso que a intenção primária da cultura channer era a liberdade de expressão?

— Exato. As diferentes visões eram dispostas e acumuladas. Essas diferentes visões e fragmentos se acumulam e recebem o nome de mineralismo e a construção e desconstrução de novos sistemas é chamada de neossistemática. Tudo isso num processo caótico de construção, desconstrução e reconstrução. Num debate infinitamente aporético. Isso é central quando se fala de esochannealogia. Essa é a aporética infinitiva da condição esochannealógica.

— Se Kek é um símbolo proclamado como gnóstico, se gnose significa conhecimento, se as pessoas creem que os channers acreditam ter o conhecimento, a redpill e a verdade, mas na verdade isso tudo é um engano…

— Então a channealogia é o reino da aparência de quem não compreendeu a verdadeira cultura channer. E a esochannealogia é o fato de que a channealogia não pode ser compreendida, mas sim vivenciada enquanto processo de desconstrução contínua da própria channealogicidade.

— A verdadeira cultura channer é antignóstica e o seu principal símbolo é um sapo do caos que, por sua vez, representa a própria quebra de um conhecimento absoluto, visto que o conhecimento absoluto nada mais é do que uma ilusão de conhecimento a ser desconstruída.

— Exato. E a esochannealogia é fundada por uma negação dos princípios, visto que os princípios apresentam sempre uma institucionalidade normativa a ser cumprida e o processo esochannealógico é a desconstrução da própria normatividade. E essa é uma das razões que chamamos as habilidades esochannealógicas de antiprincípios.

— E como definimos channealogia e esochannealogia?

— Se existe um conhecimento e há um conhecimento do conhecimento, atribuímos ao primeiro o nome de conhecimento e ao segundo de filosofia. Por exemplo, podemos chamar um de linguagem e outro de filosofia da linguagem. A channealogia nada mais é do que a filosofia channer e a esochannealogia é a crítica da filosofia channer ou a metafilosofia channealógica, a metafísica channer.

— Caralho…

>ei, você acha que esse Sega Saturn pode se tornar um Dreamcast?

<não, duvido muito


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