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José Mariano da Rocha Filho, o Reitor-Fundador da Universidade Federal de Santa Maria

Confira a história do reitor-fundador da UFSM, José Mariano da Rocha. Aqui, você poderá conferir uma linha do tempo completa e um podcast.

Homens do Gabinete · 2021-08-26 20:46 · 0 claps · 4.4 min read
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José Mariano da Rocha Filho (1960–1973)

Bem vindos ao blog do Homens do Gabinete, um podcast multimídia sobre os reitores da Universidade Federal de Santa Maria. O programa, com 6 episódios, busca apresentar os onze reitores que dirigiram a UFSM desde a sua criação até o ano de 2019.

Tendo em vista que a UFSM completou 60 anos em 2020, o Homens do Gabinete busca apresentar um resgate histórico com os feitos daqueles que conduziram a Universidade a ser o que é hoje.

Confira agora o episódio 1:

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No dia 12 de Fevereiro de 1915, em Santa Maria, nascia o oitavo dos filhos do médico José Mariano da Rocha e de Maria Clara Marques Mariano da Rocha.

Médico por formação e educador por vocação, José Mariano da Rocha Filho, conhecido por muitos como Doutor Marianinho, foi um visionário na expansão das universidades públicas brasileiras. Foi ele quem impulsionou a descentralização do Ensino Superior (antes restrito às capitais) para as cidades do interior. No primeiro episódio do Homens do Gabinete, vamos contar a história do Reitor-fundador da UFSM, José Mariano da Rocha Filho, que comandou a Universidade de 1960 a 1973.

A articulação de José Mariano da Rocha Filho pela democratização e interiorização do ensino começou na década de 1940. As universidades, à época, estavam localizadas apenas nas capitais dos Estados, mas Mariano da Rocha queria mais. Ele acreditava que o ensino precisava chegar ao interior, atingindo todas as pessoas. Para fortalecer a ideia, criou e presidiu a Associação Santa-Mariense Pró-Ensino Superior (Aspes), sendo uma entidade que reunia as principais lideranças e com importância fundamental para a criação de novos cursos na cidade e para a fundação da UFSM.

Em 1952, sua insistência e incansável luta começam a tomar forma, com o lançamento da pedra fundamental da primeira construção da futura UFSM (os prédios das faculdades de Farmácia e Medicina). No ano seguinte, ele dedica-se a viagens para Estados Unidos e Europa na intenção de identificar sua concepção de universidade e começar a escrever o livro “USM, a Nova Universidade”. Fazendo parte do Conselho Universitário da UFRGS, Mariano da Rocha obteve, em março de 1954, a autorização para o funcionamento do curso de Medicina no município, anexo à Faculdade de Farmácia.

Mas um dos momentos mais implacáveis foi quando apresentou, em 1957, para o então presidente Juscelino Kubitschek, seus planos para a criação da Universidade de Santa Maria.

Enfim, em novembro de 1960, Mariano da Rocha viaja para Brasília, para inteirar-se a respeito da fase final de tramitação do Projeto de Lei nº 3.834-C, que criava a Universidade de Goiás e a sua tão sonhada Universidade de Santa Maria (USM). Em 14 de dezembro de 1960, Marianinho foi nomeado e tomou posse como reitor. Em 18 de Março de 1961, finalmente ocorre a cerimônia de inauguração da USM, e assim se pronunciou Mariano. Ainda em 1961, em 28 de outubro, tem início das obras da Cidade Universitária.

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Em 20 de Agosto de 1965 a USM é federalizada e assume seu nome definitivo, UFSM (Universidade Federal de Santa Maria). Ainda neste ano, o Diário Oficial da União publica o decreto de concessão do canal de rádio para a Universidade Federal de Santa Maria. A emissora foi idealizada por José Mariano da Rocha Filho e foi oficialmente inaugurada em 27 de maio de 1968.

No ano de 1969, em ação pioneira da UFSM, instalação do Campus Avançado de Roraima, em Boa Vista. O campus era uma extensão da atual Universidade Federal de Santa Maria fora de sua área geo-educacional, e caracterizava-se pela presença permanente de universitários e professores executando atividades que visavam o desenvolvimento da microrregião onde se estabelecia. O trabalho realizado nas áreas prioritárias definidas pelo governo militar buscava integrar e desenvolver a região. O campus inseria-se de certa forma nos objetivos do Projeto Rondon. Mais tarde, o Campus Avançado de Roraima se tornou Universidade Federal de Roraima.

Entre 1970 e 1971 foram criados alguns dos Centros da UFSM. CCS (Centro de Ciências da Saúde), então com nome de Centro de Ciências Biomédicas, mantido até 1978. CCSH (Centro de Ciências Sociais e Humanas), então com o nome de Centro de Ciências Jurídicas, Econômicas e Administrativas. CCNE (Centro de Ciências Naturais e Exatas), seu primeiro nome era Centro de Estudos Básicos, mantido até 1978. CCR (Centro de Ciências Rurais e CEFD (Centro de Educação Física e Desportos).

Em 14 de dezembro de 1971, ocorreu a inauguração do Planetário da UFSM, construído por iniciativa do Reitor José Mariano da Rocha Filho. As verbas para seus equipamentos foram conseguidas pelo então Ministro da Educação, Tarso Dutra, e a obra teve esboço de Oscar Niemayer. Em 1972 foi concluída e inaugurada a primeira fase da construção da Cidade Universitária e da Biblioteca Central Manoel Marques de Souza — Conde de Porto Alegre.

Em 1973, o reitor Mariano deixou a reitoria por conta de um decreto do governo. o qual impedia a reeleição dos reitores das instituições federais. Mariano, durante o seu período de gestão conseguiu grandes feitos para a UFSM, entre eles materiais importados da Hungria, devido a uma dívida de governo.

Após deixar a reitoria, Mariano da Rocha continuou presidindo a Aspes, fez parte do conselho estadual da educação, do conselho regional de medicina, ainda permaneceu participando de congressos internacionais e nacionais, entre várias outras atividades.

Durante os anos de 1973 a 1989, Mariano ficou fora da Universidade. Até que em 1989, o então atual reitor da UFSM, Tabajara Gaúcho da Costa, convidou Mariano da Rocha para voltar a trabalhar na UFSM, onde ajudou principalmente em questões internacionais.

Em 15 de fevereiro de 1998, José Mariano da Rocha Filho faleceu em sua residência, em Santa Maria. Mas não sem antes marcar as pessoas por onde passou, seja na vida profissional ou familiar.

Hélio João Bellinaso, que foi professor e motorista da UFSM, conta em seu livro “UFSM: Uma luz em nossas vidas”: “O Dr. Marianinho, no início de sua caminhada, era uma pessoa muito disposta, gostava de conversar, apresentar e fazer ressaltar suas ideias, ele tinha orgulho de sua conquista, fazia a gente se sentir contagiado.”

A criação da UFSM e o período gerido por Mariano da Rocha, foi sem sombra de dúvidas um sucesso. O seu propósito de democratizar e interiorizar do ensino superior foi cumprido. E embora não tenha conseguido concretizar 100% o seu sonho de terminar a Cidade Universitária enquanto estava em seu posto de reitor, Mariano fez um ótimo trabalho, o qual seus sucessores têm seguido e continuando a aperfeiçoar para dar a população e os estudantes, não apenas de Santa Maria e região, mas também, de todo o Brasil, uma educação de qualidade.

Confira a linha do tempo da gestão de Mariano:

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Texto: Laura Coelho de Almeida

Edição do texto: Laura Coelho de Almeida

Apresentação do podcast: Jonas Faria e Paola Jung

Edição do podcast: Juan Grings e Jonatan Mombach

Linha do tempo: Laura Coelho de Almeida

Imagens e vídeo: Arquivo


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