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Rivais que são muito mais — breves reflexões

A conta não bate quando dois mais um é igual a dois

Rodrigo Torres in Revista Cine Cafe · 2024-06-19 01:34 · 4 claps · 2.0 min read
#rivais #challenger #caro-diário #suspense #estreias-da-semana
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Rivais que são muito mais — breves reflexões

A conta não bate quando dois mais um é igual a dois

(Rivais, 2024)

(Rivais, 2024)

Vi o filme há 1 hora, botei um curta em seguida, mas não parei de pensar em Rivais (2024). Ainda não consegui condensar tanta informação num só texto ou ideia (nem sei se vou), mas quero já registrar que as dualidades, as ambiguidades, a bissexualidade, a femme fatale como interseção e divisão de dois “polos” que eventualmente se opõem, como suas personalidades se completam e se anulam, as completudes e incompletudes entre eles agindo também na relação com ela, a fluidez (e a liquidez) dessas relações, a artificialidade da narrativa, extremamente estilizada: tudo isso me parece perfeitamente conectado e coerente. Entre si, diegeticamente, e para fora, conforme o nosso tempo.

Um de cada lado — esse tipo de plano é bem comum no filme, sobre jogos e duelos de todo tipo (Rivais, 2024)

Um de cada lado — esse tipo de plano é bem comum no filme, sobre jogos e duelos de todo tipo (Rivais, 2024)

Ou, sinteticamente: a câmera que voa em direção à Zendaya sentada em frente à rede que separa os dois protagonistas, bem no início do filme, resume a trama tão bem quanto a cena final, em que eles se abraçam e ela grita.

Muitos significados ali, com a mão pesada do diretor Luca Guadagnino, a trilha sonora invasiva (e de boate) de Trent Reznor e Atticus Ross, o simbolismo dos tons de rosa, azul e roxo nas artes do filme e tudo mais servindo perfeitamente ao roteiro de Justin Kuritzkes.

Fotografia estilizada, um evento climático bizarro e música eletrônica no talo: o filme dispensa o naturalismo das relações humanas e apela aos hiperestímulos em seu clímax (Rivais, 2024)

Fotografia estilizada, um evento climático bizarro e música eletrônica no talo: o filme dispensa o naturalismo das relações humanas e apela aos hiperestímulos em seu clímax (Rivais, 2024)

Um filme sobre intrigas na superfície e, por baixo, uma série de temas e comportamentos contemporâneos — desde liquidez de relações e sentimentos, fluidez de gêneros, competitividade interpessoal e saúde mental até uma estética que, em pleno clímax, emula o excesso de estímulos da sociedade atual.

Por ora, não acho o melhor filme dirigido por Luca Guadagnino. Mas é, sem dúvida nenhuma, o mais provocante até aqui. E ainda é o filme mais sexy do diretor de Um Mergulho no Passado (2015) e Me Chame Pelo Seu Nome (2018) — por incrível que pareça.

Obra citada:

**Um Mergulho no Passado (A Bigger Splash, 2015), [Me Chame Pelo Seu Nome](https://www.imdb.com/title/tt5726616/?ref_=nm_knf_t_1) (Call Me By Your Name, 2017) e Rivais* (Challengers*, 2024), de Luca Guadagnino.

*Texto originalmente escrito no dia 28 de maio de 2024.*

*Caro Diário é uma seção da Revista Cine Cafe na qual escrevemos nossas impressões sobre os filmes em poucas linhas ou num registro mais pessoal.*

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