Pletora de conselhos
A era atual, dita da Informação, em que se produz tanta desinformação !— é um tempo de conselhos e conselheiros. Ele (ela) não é mais…
Pletora de conselhos
A era atual, dita da Informação, em que se produz tanta desinformação !— é um tempo de conselhos e conselheiros. Ele (ela) não é mais aquela figura emblemática, do conselheiro Acácio, criada pelo escritor português Eça de Queiroz e tão bem lembrada pelo professor Arnaldo Godoy no artigo ora linkado.

Refiro-me aos conselhos e conselheiros que usam livros, sites, revistas e cursos para faturar no vazio de nossas inseguranças num mundo em mutação constante e em acelerado processo de deterioração.
Segundo Godoy, “O Conselheiro Acácio, a respeito de quem sempre se censurou, criticou, e de quem sempre se riu, não passa, além dos limites que lhe dão o aspecto de uma criação literária, da síntese identificadora das frustrações e ressentimentos que todos somos e vivemos. É uma abatida figura que demanda ajuda, compreensão e carinho. É um homem triste, como às vezes triste foi também Eça, como triste foi às vezes Portugal no século XIX, e como tristes somos na inutilidade dos conhecimentos que pensamos que possuímos.”
Acaciano é o “coach” pós-moderno; acaciano é o gestor do portal que vive de divulgar boas frases alto-astral, ingerindo “likes” e se infartando de ansiedade; acacianos eram (e continuam sendo) os redatores de horóscopos diários; acacianos são os pregadores web e os televangelistas que exploram as madrugadas dos viciados e solitários; acacianos somos de certa forma todos os leitores (e eleitores) que oscilamos em movimentos pendulares e conforme o gosto do prato ou o recheio das carteiras.
O bisturi do Marcelo Ferlin funcionou bem para que eu compreendesse uma das faces desse neo-acacianismo digital. Confiram nesses 140 caracteres “Eu: “Cinismo é: pra ganhar likes basta ser derivativo, aplique conteúdo novo numa estrutura repetida.” DGR: “Mas isso é métrica. É poesia.”
Sem um textão que exemplifique melhor o tema, fica meu conselho: não acredite no cinismo da hora presente, nem no choro do correspondente em Nova York. Prefiro à essa enxurrada de conselheiros versão séc.xxi os urros do Francis: puta-que-o-pariu! Aduzindo uma citação do excomungado Talleyrand, que é p’ra fechar com um conselho nada acaciano: “nunca siga o seu primeiro impulso porque você pode ser por demais generoso.” P.S.: O Ferlin também pode ser lido no Medium.(AQ).
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