William Blake e O Evangelho: “O Infinito na Palma da Mão”
A Encarnação, William Blake e a Poesia do Presépio
William Blake e O Evangelho: “O Infinito na Palma da Mão”
A Encarnação, William Blake e a Poesia do Presépio
Ver um mundo em um grão de areia / E um céu numa flor selvagem / É ter o infinito na palma da mão / E a eternidade em uma hora.” William Blake (1757–1827).
Sempre que leio esses versos do poeta inglês William Blake, minha mente é transportada imediatamente para uma estrebaria escura na Judeia. Imagino Maria e José, exaustos da viagem e do parto, contemplando o pequenino Jesus recém-nascido em seus colos. À luz das Escrituras, aqueles pais terrenos podiam dizer, sem sombra de dúvidas, que estavam tocando e segurando na palma de suas mãos Aquele que sustenta o universo inteiro com Suas poderosas mãos. Não conheço profundamente a biografia de Blake – além desses versos e do seu famoso poema “O Tigre” —, e não sei dizer com exatidão qual era a sua intenção primária ao escrever essas linhas. Mas, sabendo que ele era um artista profundamente marcado pelo imaginário bíblico e avesso ao racionalismo frio de sua época, não é difícil crer que sua inspiração tenha vindo justamente do maior paradoxo da história: o Criador vestindo-se de criatura. Alguns poderiam argumentar que enxergar o Evangelho em um poema secular não passa de um “olhar viciado” ou de um viés teológico. Para mim, no entanto, trata-se de colocar em prática a verdade daquela conhecida canção que diz: *“Eu Te vejo em tudo”(Casa Worship). Quando a nossa mente é renovada por Cristo, a nossa imaginação é redimida; passamos a ser incapazes de olhar para a beleza da arte sem discernir os vestígios do Artista Supremo. Não consigo lutar contra isso. É impossível ler sobre o “infinito na palma da mão” e não visualizar o momento em que o Filho de Deus se encarnou em um bebê tão pequeno que caberia no antebraço de qualquer adulto comum. Essa imagem me evoca uma memória pessoal de quase vinte anos atrás. Fui visitar uma amiga cujo bebê havia nascido prematuro, aos sete meses de gestação. Eu, um jovem na casa dos vinte anos, fiquei aterrorizado ao pegá-lo nos braços. Ele era tão minúsculo e frágil que quase cabia na palma da minha mão; tive medo de quebrá-lo. Hoje, aquele bebê é um homem feito, provavelmente mais alto do que eu e meus 1,80m de altura. Se a fragilidade de uma criança comum já nos desperta esse temor reverente, imagine o que se passou no coração de José e Maria. Eles sabiam que aquela criaturinha dependente e chorosa era a manifestação visível do Senhor do Universo. A teologia da Encarnação nos confronta com esse mistério insondável: Aquele que é Infinito e preenche o cosmos se contraiu o suficiente para caber no útero de uma virgem e, depois, no aconchego de Seus braços. O Ser Eterno, cujos dias não tem começo nem fim, que habita muito além das barreiras cronológicas, submeteu-se ao tempo. O relógio de Deus passou a bater no ritmo de um coração humano.
Durante trinta e três anos, o Eterno andou por nossas estradas empoeiradas e habitou entre nós. William Blake acertou, mesmo que não soubesse an amplitude do seu acerto: na face de Jesus Cristo, a humanidade finalmente segurou o Infinito na palma das mãos e contemplou a Eternidade no espaço de uma hora.
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