A produção do espaço capitalista: A questão da geografia do poder de classe
Anotações sobre a obra: A produção capitalista do espaço: David Harvey
A produção do espaço capitalista: A questão da geografia do poder de classe
Anotações sobre a obra: A produção capitalista do espaço: David Harvey
CAPÍTULO VII — A GEOGRAFIA DO PODER DE CLASSE(1998)
Publicado pela primeira vez no anuário Socialist Register
INTRODUÇÃO
É evidente a necessidade de levar em consideração as condições sociais contemporâneas ao se deparar com leituras clássicas de Marx e Engels, afinal, isso não altera a essência interpretativa, mas funciona como um panorama de comparação das experiências histórico-geográficas da sociedade.
A expansão geográfica, desenvolvimento geográfico desigual e reorganização do espaço são elementos inerentes à acumulação do capital, mais do que isso, são eles os elementos que conseguem manter o funcionamento adequado do sistema econômico político.
O AJUSTE ESPACIAL EM HEGEL E MARX
Como o uso da lógica hegeliana por Marx consegue pontuar a questão do espaço na leitura sobre o sistema capitalista? Busca portanto, no Hegel, visualizar as contradições internas da acumulação de riqueza na sociedade civil e como sua resposta se dá possivelmente à expansão dos mercados, linha que aparece no Hegel sem resposta, mas buscando entender como esse sistema desigual se cristaliza também espacialmente. Para tal, necessita partir da conceituação de Mercadoria, esta que aparece no primeiro capítulo do primeiro volume do Capital. Entretanto, só posiciona a questão do espaço em si no último capítulo, quando busca tratar da problemática da colonização, o que soa controverso por ser um tema tão central, mas o que por si só é criteriosamente estruturado.
Isso porque, ao remontar a análise burguesa de trabalho: um exercício proveitoso da atividade exercida pelo ser, portanto livre e firmada em um contrato social, Marx caracteriza como essa é uma lógica controversa, a forma que o trabalho assume no capitalismo aponta em um sentido que está ancorado na expropriação do trabalhador, um sentido que rompe em pedaços a interpretação liberal. De tal maneira que a farsa do “acumular para si” é negada, de tal modo que se torna impossibilitada no sistema capitalista, uma vez que este opera em uma essência de acumulação e como modo de produção distinto do entendido por Locke. Ou seja, o capital é uma relação social, não algo fictício como apontado na teoria liberal.
Tal relação, na colônia, assume uma dinâmica excludente enquanto acesso à terra, até mesmo com as que não possuíam donos, o que é capaz de preservar um determinado conjunto de trabalhadores aos interesses da exploração. “O trabalho assalariado e o capital se baseiam ambos na separação forçada do trabalhador do controle dos meios de produção”. Ou seja, a acumulação originária(ou primitiva) de capital é um pilar central na dinâmica exploratória em relação à colônia, e mais ainda, não será o “ajuste espacial” que será capaz de resolver essa contradição interna do capitalismo, será ela portanto que intensificará essa contradição. Distinguindo-se portanto do que aparece no Hegel, que pauta puramente a alienação do trabalho como problema e como uma resposta possível, o ajuste espacial da propriedade.
A DIMENSÃO ESPACIAL RELATIVA AO MANIFESTO COMUNISTA
Harvey defende que Marx e Engels privilegiam o tempo e a história em detrimento do espaço e da geografia, por mais bem colocadas que estejam as argumentações a despeito da urbanização, globalização e outras transformações geográficas.
O autor defende que o Manifesto atua como um documento eurocêntrico enquanto defesa da classe trabalhadora. Mas os revolucionários também consolidam sua argumentação baseado em como as mudanças no cenário global aparecem: a ascensão da burguesia está intimamente conectada às estratégias geográficas e atividades escolhidas. Tamanha foi a força deste movimento de expansão burguesa, que foi uma maneira que a burguesia conseguiu ignorar e suprimir os poderes feudais vinculados à um espaço local, também sendo capaz de converter o próprio Estado às suas ambições. Além disso, também foram capazes de alterar a disposição campo-cidade, reduzindo o campesinato a uma classe subalterna enquanto dinamizava mecanismos urbanizatórios. Em outras palavras, concentrando forças produtivas e de trabalho no espaço ao mesmo tempo que fragilizava disposições de poder descentralizadas, dessa forma, sujeitando como nunca as forças da natureza ao controle humano.
Logo, as bases para o surgimento do proletariado como classe de luta estão postas. De tal maneira que são articuladas diversas maneiras a fim de mobilizar as suas devidas reivindicações: sindicatos e outras organizações, ilustrando que a forma-poder burguesa cristaliza no espaço um aspecto inédito: além da acumulação por ela mesma, este espaço também será palco de lutas sociais que antes eram pautadas em características locais e dispersas, mas que na ordem do capital acabam por assumir formas nacionais que apontam continuamente para o global, rompendo fronteiras e se propagando além delas. Existe uma espécie de “mandamento civilizatório”, de maneira que a burguesia atrai para si as mais bárbaras das nações, cooptando-as pelos baixos preços das suas mercadorias, mecanismo que atua como ponta de lança deste modo de vida social burguês, segmentado e marcado por uma classe que será responsável por dar continuidade à essa lógica nos espaços. Agora a problemática não é mais local, mas sim global enquanto preenchimento e globalizante enquanto penetração das mais internas áreas deste globo, sendo assim, a revolução também há de ser ao redor do globo, por isso o imperativo que busca a união dos trabalhadores de todo o mundo a fim do Socialismo.
PROBLEMATIZANDO A QUESTÃO GEOGRÁFICA DO MANIFESTO
Ao mesmo tempo que as diversidades da geografia são fundamentais para a expansão do capital, é inevitável pontuar que o Manifesto também ilustra que a luta de classes se desenrola diferentemente nos mais variados terrenos e realidades, de tal forma que os caminhos para o socialismo também seguem esse panorama de complexidades e realidades distintas. Entretanto, a segunda análise acaba por ser uma leitura razoavelmente aprofundada, uma vez que a abordagem desta temática, a das realidades geográficas de conflito, é obscurecida na escrita.
Para a crítica seguinte, Harvey utiliza de aspectos teóricos presentes na literatura de Mészáros, o que emerge uma temática importante para o seminário em si: como as leituras marxistas bebem de fontes oriundas da autocrítica da própria leitura marxiana. Nessa crítica, o geógrafo busca uma contra-teoria não-hegeliana do desenvolvimento espaço-temporal da acumulação do capital e da luta de classes, em outras palavras, ele tentará argumentar por meio de recortes do próprio Manifesto como algumas leituras ali presentes são problemáticas em relação à questão geográfica-social, destacando anacronismos e outras formas de visão senão a articulada por Marx e Engel.
O autor inicia relacionado como a divisão do mundo em países “civilizados” e “bárbaros” é, no mínimo, anacrônica, mesmo que caracterize uma visão típica da época. Isso porque, surge a impressão de que o capital surge exclusivamente em um lugar, especificamente a Inglaterra ou a Europa, e depois se difundiu pelo resto do mundo. Não se trata portanto de um sistema difusionista como o pregado, mais do que isso, existe uma linha teleológica neste argumento simplista: o espaço será receptor passivo do processo tecnológico, necessariamente do centro fluindo para fora, preenchendo o globo. Por outro lado, a análise de como a geografia acumulativa se mobiliza deve ser pautada na visualização de princípios e suas devidas intersecções ao redor do globo, é fundamental mapear da dinâmica da formação da classe trabalhadora na Europa e no globo, de modo que a centralidade da geografia do capital seja a desigualdade de como se dá a inserção, e não a questão contraditória do dito pioneirismo ou a superioridade social.

A variedade das relações espaciais é útil para um entendimento mais teorizado da dialética espaço-lugar, e como esses recortes evoluem diferentemente em relação à forma que o capital assume em cada um dos espaços. Ou seja, a interligação entre posições de poder e espaços de mercado também percorre essa leitura, em uma estruturação metodológica que facilite a compreensão diante dos privilégios que determinados lugares assumem em detrimento de outros. Harvey defende que o espaço global não é um espaço uniforme como a leitura marxiana assume, mas trata-se sim de um tecido multifacetado com as mais amplas e diversificadas variedades ecológicas, culturais, políticas e sociais. Uma possível leitura empírica para este argumento é a forma que as estruturas mercadológicas assumem: nem mesmo estas são homogêneas, o que evidencia que há um entendimento do capital em relação a essas diferenças, não só o mercado desponta como um diferenciador, a própria revolução também surge de maneira diferente nos mais distantes pontos do mundo, aspecto que aparece no Marx justamente da maneira contrária: ele acreditava que a revolução surgiria no seio da Europa Ocidental(este, ao contrário do primeiro, aparece devidamente no texto do Harvey).
O segundo argumento do autor em relação a problematização geográfica do Manifesto é a noção de antecipação dos progressos tecnológicos. Isso porque, Marx destaca, de maneira certeira, a necessidade-imposição do capital para a redução das barreiras espaciais por meio de investimentos em comunicação e transportes. Discordando em partes, Harvey posiciona como essa é uma qualificação da geografia histórica que acaba por fragilizar as substâncias intrínsecas a determinados espaços absolutos, de tal forma que agora o aspecto diferenciador de um recorte espacial está inserido em uma lógica mais relativista, e não sob uma ótica que resguarda e compreende, de certa forma, a essência de cada lugar. Há um cruzamento entre os fluxos de mercadorias e outros complexos fluxos(integrados ao capital) que são travados no espaço, isso aparece no Manifesto também de maneira certeira, o que enfatiza que a dita penetração capitalista também enfrenta barreiras, mas não é um argumento centralmente explorado como deveria, argumenta o geógrafo.
Em terceiro lugar, há pouco apelo para a organização territorial atrelada ao “braço executivo da burguesia” figurado na imagem do Estado. Propondo então que a leitura sobre os estados-nações no Manifesto apresenta um aspecto simplista, não erroneamente provavelmente, pois tratava-se de um tempo evidentemente em disputa diante da questão territorial, mas contemplar a análise sobre a concepção de Estado se expande em outros aspectos que são considerados pelo autor como centrais diante do objetivo do documento marxiano. “Os fluxos de mercadoria, capital, mão-de-obra e informação sempre tornam porosas as fronteiras”, ou seja, até os dias mais contemporâneos os conflitos marcam a questão territorial nos moldes que são pré-analisados por Marx, postos em bases simplistas e muito maiores do que a realidade daquele tempo demarcava, este tempo chegou, aponta Harvey.
No argumento número quatro, caracteriza o Estado como apenas uma entre as muitas instituições que influenciam a dinâmica da acumulação e da luta de classes no mundo inteiro, articulando que também existem outros fatores dotados de uma certa honra social, como a moeda e as finanças. Dito isso, esse foi um percurso analítico que ficou, de certa maneira, obscurecido por Engels e Marx, não tido como uma falha absurda, entretanto, pois de fato eles ainda estariam por descobrir os seus insights fundamentais sobre a ampla e complexa literatura que viria, produzida por eles.
David posiciona a noção de valor como um aspecto que aparece no Marx apenas como uma representação deste próprio valor, ou seja, como a variável dialética resultante entre a particularidade das atividades enfrentadas na vida material, o trabalho concreto, e o trabalho abstrato, tido como um certo parâmetro universal uma vez que está relacionado à mercadoria, que se encontra em um papel generalizável e difundido na realidade. Ou seja, Harvey defende que falta o aspecto indexador da moeda como uma forma-essência de simbolizar, talvez materialmente, essa questão elementar da desigualdade; mais do que isso, o valor universal trabalhado por Marx como elemento que difunde desigualdades pode ser tido como o sentido da globalização, o que seria este signo mundializado que agrega trabalho e riqueza senão um aspecto-determinante do que é a globalização e a desigualdade entre os Estados-nações? No entanto, há de se lembrar que diante dessa problemática existe o papel que as instituições assumem. São as instituições financeiras, os bancos centrais, os sistemas de troca e as moedas os elementos que se tornam mediadores entre o particular e o universal, permeiam a vida coletiva e também estão sujeitas às mudanças travadas nesta. Além disso, posicionar o debate acerca da moeda financeirizada, mais ainda, do dinheiro financeirizado, surge como expoente involuntário pós-marxiano: compreender o papel do capital monetário e do capital financeiro em reordenar o espaço, e como estes capitais também moldam a noção de território.
Conclui, com o quinto argumento, pontua como apressada as considerações a despeito do subjugo do campo em relação a cidade, bem como os processos de industrialização e urbanização. Isso porque, Marx não lê esses fenômenos como alheios à luta de classes, muito menos como fenômenos neutros perante a vida social, mas são sim como um retrato que marca o desenvolvimento desse conflito engendrado pelas classes, a crítica aqui presente, entretanto, nos leva a outro sentido que é capaz de originar questionamentos: seriam esses estágios de desenvolvimento capitalista necessários em si para o fortalecimento da luta de classes?
A formação de um estímulo de competição entre os próprios trabalhadores opera como um mecanismo burguês de funcionamento do sistema, isso porque, acaba por demarcar uma superioridade capitalista em relação às outras formas de existência. Os movimentos organizados de trabalhadores foram fundamentais para o controle de poder atrelado aos lugares e territórios, mas falharam na interpretação das suas próprias espacialidades: as revoluções socialistas do século XIX restritas a um único lugar sempre foram dizimadas. Trata-se de uma investida geográfico-ideológica do capital, através da “globalização”, capaz de fragmentar as condições coletivas de luta no que concerne ao espaço-lugar, ou seja, é um funcionamento evidentemente distinto ao qual foi o modelo proposto por Marx, a dinâmica de classes rumo ao socialismo na Europa era mais complexa do que ele identificou.
Esta é a linha que será seguida no sexto e último argumento de Harvey, a existência de uma “homogeneização” do trabalhador e das “forças de trabalho” no Manifesto são fundamentos problemáticos à análise. Por outro lado, talvez a presença desta lógica no slogan “trabalhadores do mundo inteiro, uni-vos” é uma forma essencialmente nobre de fazer frente à acumulação geográfica do capital, despindo o caráter nacional dos seres e marcando sua influência em um contexto global. Mesmo quando os contextos políticos locais acabem por demandar uma resistência que se adapte à própria realidade, as condições de luta marcam as condições de existência.
Sendo assim, o Manifesto para Harvey age em duas frentes: A primeira, correta, é de que a única forma de resistir ao capitalismo é por meio da luta global dos trabalhadores rumo ao socialismo, alcançada de forma gradual perpassando o local, as localidades e construindo aspecto nacional para então apontar para o mundial, ou seja, o comunismo deve buscar vias de se consolidar. A segunda, por sua vez, é mais mecanicista, pois ao considerar os avanços burgueses como um vetor de eliminação das diferenças, anseios políticos e localidades, forjando intrinsecamente à essa lógica um movimento comunista que precisa acelerar o fim desta revolução burguesa, e organizar com seu papel revolucionário, a focalidade na construção de uma alternativa.
“TRABALHADORES DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!”
O Banco Mundial estima que a força de trabalho da Terra entre 1966 e 1995 dobrou, atingindo cerca de 2,5 bilhões de homens e mulheres efetivamente ocupados e ocupadas em algum tipo de atividade econômica. Essa é uma condição diante de um contexto que marca a produtividade média do trabalhador como um aspecto em constante crescimento, apoiado em uma liberalização da economia mundial que apresenta um crescimento também feroz do próprio comércio mundial.
A ocupação enquanto trabalho evidencia uma parte de um todo que marca o sistema de produção mundial, engendrado e integrado transnacionalmente, organizado em larga escala e principalmente marcado por trocas via comércio intra-empresas. No seguimento disto, os países se inserem na dinâmica como um ofertador de força de trabalho, com um estímulo de competição entre as nações que aponta para qual delas será capaz de oferecer o menor preço para determinado serviço, ou seja, os padrões de trabalho ao redor do globo estão diretamente relacionado com um fortalecimento da lógica liberal de salário e de mercado, este, quanto mais interligado, mais precariza as condições de trabalho.
Com a forte presença de países densamente povoados em aspecto de desenvolvimento econômico, de modo que as reformas econômicas sejam capazes de articular as “populações flutuantes” em relação ao mercado de trabalho, condensando e alocando ondas populacionais nas mais variadas áreas, sendo a China, no exemplo dado pelo autor, o maior exportador para países industrializados de produtos intensivos em mão-de-obra.
A inserção dessa massa proletarizada nas redes globais de mercado, inevitavelmente engendra convulsões sociais que antes não existiam: há um sentido de classe trabalhadora transnacional, forjado na dependência feminina de criação e cuidado dos seres, extrema precarização nas formas de trabalho, pobreza tamanha e cenários de violências constantes. Sendo assim, é totalmente questionável a forma como o Banco Mundial lida com essa questão, entendendo que a maior liberalização e integração dos mercados juntamente de uma menor intervenção estatal(na institucionalidade regulatória do trabalho) é o caminho mais coerente para o aumento do padrão de vida dos trabalhadores, trata-se de uma farsa globalizada que apenas estimula a acumulação e extremaliza a pobreza e a desgraça diária diante das condições físicas, psicossociais e mentais de existência.
Ou seja, a precarização da vida não existe mais como uma exceção localizada pontualmente em determinados lugares, existindo uma “alternativa”: existiam outros espaços que operavam a mesma função enquanto serviço oferecendo melhores condições e salários, isso não é mais verdade. Trata-se agora da precarização da vida como a regra, o capitalismo transnacional utiliza de mecanismos regulatórios para estabelecer a exploração por uma via normativa, há uma delimitação formal de trabalho justo, existe um código de práticas trabalhistas justas. O proletariado global é maior do que nunca, e o imperativo para os trabalhadores globais se unirem é mais forte do que nunca. Os meios de comunicação se aperfeiçoaram, bem como as oportunidades, mas essa não é a realidade dos mais de 1 bilhão de trabalhadores ao redor deste planeta que vivem com menos de um dólar por dia, por mais diversas e ricas que as suas culturas sejam, todos estão fadados à margem.
Diferenciam-se aqueles que conseguem encontrar melhores condições de vida, como assistência médica básica, resistindo a variações ecológicas e aos conflitos que o capital trava(impõe) no espaço: injustiça ambiental, efeitos da degradação, etc. Em outro sentido, também urge a necessidade do capital em conter movimentos migratórios, comumente atrelado à busca por mais qualidade de vida, este fenômeno se expande assustadoramente, esta é a ordem neoliberal. Também se acelerou a urbanização, criando uma revolução ecológico-político-social diante da organização espacial: entre 1968 e 1998 os contingentes populacionais globais mais que dobraram, evidenciando o aspecto metropolitano do capital. Nesse sentido, também se mostra como mais fácil consolidar a luta de classes em pequenos povoados mineiros no País de Gales, ou mesmo nas cidades industriais do século XIX, do que nas grandes manchas urbanas engendradas pelo urbano e pelo industrial, como São Paulo, Cairo e Los Angeles.
O movimento socialista precisa encontrar formas de considerar essas transformações geográficas, serão essas leituras que mudarão o rumo da classe trabalhadora deste planeta. A história não surge sob possibilidade de escolha, existe a não-neutralidade das estruturas de exploração, cabe às dinâmicas da classe trabalhadora de resistir ao poder burguês, ou seja, é necessário encontrar um acordo com as condições históricas e geográficas que nos são dadas, sem esse panorama de entendimento será impossível condicionar qualquer revolução. A alienação apenas pode ser tratada pela luta coletiva, o Manifesto propõe o encadeamento entre o pessoal, o local, o regional, o nacional e por fim, o internacional. Forma-se uma hierarquia de escalas espaciais, e a política de classe deve ser construída no seio desta hierarquia, só assim seremos capazes de confrontar a condição universal e transnacional da acumulação do capital.
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