6 livros para refletir em 2026 e expandir seus horizontes
Como é de praxe em muitas revistas e sites que falam sobre cultura, aqui no dmplay também fazemos recomendações literárias para que você…
6 livros para refletir em 2026 e expandir seus horizontes
Como é de praxe em muitas revistas e sites que falam sobre cultura, aqui no dmplay também fazemos recomendações literárias para que você, leitor e seguidor, possa fazer de 2026 um ano de aprendizado e lições.

Imagem: Reprodução/Freepik
Disclaimer: as opiniões aqui referidas não necessariamente a refletem a posição institucional do Supremo Conselho DeMolay Brasil, DeMolay International ou quaisquer órgão oficial que lidere ou represente a Ordem em qualquer lugar do mundo, sendo de inteira responsabilidade do autor. Esse texto não possui nenhum trecho escrito com inteligência artificial ou por inteligência artificial.
A literatura é parte essencial da formação de qualquer ser humano enquanto ser no mundo (Dasein), valendo-se do conceito central da filosofia heideggeriana, em que o mundo e o ser humano são indissociáveis, e um transforma o outro ao passo em que transforma a si mesmo. O pensamento crítico, essencial na compreensão do mundo e suas nuances, essencialmente é mais bem adquirido por meio da leitura e, consequentemente, do confronto entre o que se descobre através do pensamento de grandes mentes e o que é posto e imposto pelas culturas em que estamos inseridos. Pensando nisso, abaixo estão listadas seis obras que te farão pensar em quem você era e em quem você se tornou após as leituras.
- A Navalha de Ockham, de Johnjoe McFadden (Sextante, 2022, 368 páginas)
Para começar a lista em grande estilo, trazemos aqui o esplêndido livro de Johnjoe McFadden que faz uma criteriosa revisão sobre a evolução do pensamento científico ao longo da história, com foco nos impactos da Lei da Parcimônia (também conhecida como Navalha de Ockham), e seu criador, Guilherme de Ockham, frade franciscano que causou o maior rebuliço no pensamento corrente na Idade Média ao introduzir sua filosofia conhecida como nominalismo, e que teve o mesmo destino trágico do patrono de nossa Ordem, Jacques de Molay, ou seja, a fogueira da Inquisição.
Ockham confrontou alguns dos maiores dogmas da Igreja Católica, simplificando ideias que anteriormente eram complicadas e não chegavam a nenhum lugar do ponto de vista da lógica e suas ideias ecoaram e ecoam há mais de 6 séculos, influenciando sobretudo a tecnologia dos dias atuais, como os computadores cada vez menores e mais poderosos, os chips de silício e tantas outras inovações. Ao longo dos dois mil anos cobertos pelo estudo de McFadden nessa obra, é impossível não repensar pelo menos algumas de nossas crenças.
- O Profeta, de Khalil Gibran (Mantra, 1923 (ed. de 2018), 96 páginas)
Em segundo lugar na lista, está um dos livros mais lindos que a humanidade já teve a oportunidade de ler. Em O Profeta, o autor descreve o momento de despedida do personagem-título da obra da cidade de Orphalese, em que a cidade toda se reúne para pedir que ele fique e lhes dê conselhos sobre os mais variados temas, como a vida, o dinheiro, os filhos, casamento e tudo isso é acompanhado de reflexões belíssimas, como a que está citada abaixo.
“E um jovem disse: Fala-nos da Amizade.
E ele respondeu, dizendo: O vosso amigo é a resposta às vossas necessidades.
Ele é o campo que cultivais com amor e colheis com gratidão.
E é o vosso apoio e o vosso abrigo.
Pois ides até ele com fome e procurai-o para terdes paz.
Quando o vosso amigo fala livremente, vós não receais o “não”, nem retendes o “ não”.
E quando ele está calado o vosso coração não deixa de ouvir o coração dele; pois na amizade, todos os pensamentos, todos os desejos, todas as esperanças nascem e são partilhadas sem palavras, com alegria.
Quando vos separais de um amigo não fiqueis em dor, pois aquilo que mais amais nele tornar-se-á mais claro com a sua ausência, tal como a montanha, para quem a escala, é mais nítida vista da planície.
E não deixeis que haja outro propósito na amizade que não o aprofundamento do espírito.
Pois o amor que só procura a revelação do seu próprio mistério, não é amor mas uma rede lançada que só apanha o que não é essencial.
E deixai que o que de melhor há em vós seja para o vosso amigo.
Já que ele tem de conhecer o refluxo da vossa maré, que conheça também o seu fluxo.
Pois para que serve o vosso amigo se só o procurais para matar o tempo?
Procurai-o também para viver.
Pois ele vos preencherá os desejos, mas não o vazio.
E na doçura da amizade que haja alegria e a partilha de prazeres.
Pois é nas pequenas coisas que o coração encontra a frescura da sua manhã.”
- Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak (Companhia das Letras, 2020, 104 páginas)
Indispensável para qualquer pessoa que tenha esperança de que um novo mundo é possível, Ideias para adiar o fim do mundo, lançado em 2020 em plena pandemia da COVID-19, traz falas do autor, que é uma das maiores lideranças indígenas do mundo, cedidas entre 2017 e 2019 com esse tema em Portugal e no Brasil, tratando questões de importância essencial em nossos tempos, como a importância de se superar o sistema econômico que privilegia o lucro desenfreado em detrimento de uma sociedade e convivência saudáveis com o meio ambiente.
Na obra, Krenak apresenta ao leitor as perspectivas dos povos originários em relação ao convívio com a natureza, que são muito diferentes das do homem branco e ensinam muito sobre preservação do planeta e de toda a vida que nele reside.
Além disso, o livro conta com posfácio excelente do grande sociólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro, que complementa com apontamentos muito pertinentes o que Krenak aponta, levando ao questionamento central: “Somos mesmo uma humanidade?”.
- A defesa do espaço cívico, de Ilona Szabó (Objetiva, 2020, 128 páginas)
Ilona Szabó é uma cientista política brasileira com ampla atuação em questões sociais, sobretudo em temas como a política de drogas e segurança pública, cofundadora do Instituto Igarapé, um think and do tank brasileiro que foca em especial na questão climática no Brasil. Muito respeitada dentro e fora do país, Szabó se viu em meio a uma verdadeira campanha de ódio e perseguição contra sua pessoa orquestrada em 2019 pelo chamado gabinete do ódio, a milícia digital do núcleo duro do bolsonarismo, após sua nomeação para um conselho voluntário no Ministério da Justiça feita pelo então ministro Sérgio Moro, que também teve sua imagem desgastada entre os radicais de extrema-direita que apoiavam o governo Bolsonaro. E é a partir dessa situação que ela realiza uma excelente explicação sobre o que vem a ser o espaço público e a importância da população estar ciente sobre ele e ocupá-lo para que suas reivindicações sejam ouvidas e atendidas.
Curto, de fácil leitura e acessível, o livro consegue ser claro ao ponto de que uma criança seria perfeitamente capaz de compreender tudo o que é dito e suas reflexões são extremamente pertinentes no mundo de hoje, com a volta em larga escala da extrema-direita no mundo, cujo principal símbolo hoje é o presidente (ou ditador, se assim preferir) norte-americano Donald Trump e como podemos usar do espaço público para lutar contra governantes autoritários e criminosos.
- Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire (Paz & Terra, 1968, 255 páginas)
Definitivamente um dos livros mais influentes da história do Brasil, Pedagogia do Oprimido oferece reflexões e um chamado à luta por uma educação verdadeiramente libertadora e que forme seres humanos que possam viver em harmonia com seus semelhantes e o mundo que lhes cerca.
É dessa fantástica obra que vem a famosa citação “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é se tornar o opressor”. O livro apresenta a relação dialética entre opressores e oprimidos e como ela é responsável por grande parte dos problemas do mundo, e um deles é o que o autor chama de educação bancária, aquela que consiste em uma figura que deposita simplesmente conhecimentos engessados e que, muitas vezes, não dialogam com as vivências e a realidade dos seus alunos (o professor, embora isso não seja culpa diretamente dele) e aquela que recebe passivamente, sem reflexão alguma, tudo o que lhe é passado por seu superior (o aluno).
Se toda pessoa que grita aos sete ventos contra Paulo Freire e o vilaniza como sendo o bruxo responsável pelo fracasso da educação brasileira realmente se dedicasse a ler e estudar a fundo sua obra, pouquíssimos realmente teriam a coragem de se declararem contrários às suas afirmações.
- Escritório da Alma, de Joséllio Medeiros (Almeida Editorial, 2024, 121 páginas)
Uma obra linda e que mistura Maçonaria e espiritualidade de forma muito bem-feita, recomendável para qualquer pessoa que sinta a necessidade de conhecer a si mesmo e ao mundo sob o ponto de vista da espiritualidade, além de aprender sobre a irmandade que deu origem à Ordem DeMolay e que fez e faz tanto bem à humanidade.
O autor é o irmão e tio Joséllio Medeiros, de Minas Gerais, formado em Comunicação Social — Jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa e dono de uma escrita poderosa e capaz de ressoar até nos corações e mentes mais endurecidos pelos problemas da vida.
Gostou da nossa lista, caro leitor? Comente aqui em baixo uma dica de livro, se você gostou das recomendações e não se esqueça de compartilhar com todo mundo.
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Luís Eduardo Victor Pinheiro Estudante de Jornalismo (UFCA), documentarista, designer e criador do dmplay. DeMolay ativo do Capítulo Cidade do Crato n.º 527 e Cavaleiro do Priorado Cavaleiros do Vale do Cariri n.º 132.
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