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O Não Pertencimento

A relação com o todo a nossa volta deve oferecer uma importante lição: devemos aceitar e trabalhar com influências externas, com o impacto…

Lucas pinduca · 2023-10-27 16:25 · 1 claps · 2.5 min read
#alteridade #não-pertencimento #responsabilidade-afetiva #monteiro-lobato #bell-hooks
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O Não Pertencimento

A relação com o todo a nossa volta deveria oferecer uma importante lição: devemos aceitar e trabalhar com influências externas, com o impacto daquilo que vem da rua, os pontos de vista de cada pessoa e a nossa luz interior, buscando união e pertencimento, lançando um olhar para um maior esclarecimento sobre os relacionamentos, enquanto criamos uma relação equilibrada entre a forma de viver e o nosso próprio lugar, procurando compreender o mundo não só com a razão e inteligência, mas com o coração (inserir compaixão e misericórdia bem aqui).

Por exemplo, quando nos revelamos aos nossos parceiros, descobrimos que isso traz cura e não dano, e acabamos por realizar uma descoberta importante: relacionamentos íntimos podem ser um refúgio num mundo de aparências, um espaço sagrado onde podemos ser nós mesmos, como realmente somos. […] Esse tipo de desvelamento — falar nossa verdade, compartilhar nossas lutas internas e revelar nossas arestas — é uma atividade sagrada, que permite que duas almas se encontrem e se toquem mais profundamente. 1

O leitor talvez consiga lembrar de algum momento em sua vida quando teve um novo entendimento ou sentido sobre alguma situação, coisa ou comportamento, quando um inexplicável processo de transformação começou a acontecer em seu caráter, e seus pensamentos, suas palavras e suas ações se voltaram totalmente para aquela ideia que abraçou; e sentiu um ardente desejo de partilhá-la e seu prazer estava simplesmente em compartilhar com outras pessoas esta sua pertença, afinal, felicidade real é felicidade que podemos dividir. E os seus planos estavam diretamente ligados às suas atividades dentro de sua comunidade afetiva e vivia como se isto devesse acompanhá-lo enquanto vivesse: entendia que precisava ser ouvido e devia ouvir também.

Dietrich Bonhoeffer ensinava que, “Assim como o amor a Deus começa com o ouvir da sua palavra, o início do amor pelos irmãos é aprender a ouvi-los”.

Em seu livro, A Filosofia Resolve, Margot Cardoso diz:

Na construção da nossa subjetividade o outro é parte importante desse processo. Eu me descubro, me revelo e me reconheço no olhar do outro. Para eu me realizar como senhor, eu preciso ver com o olhar do escravo.

Por isso hoje, no meio de um mundo repleto de conexões superficiais, ficamos à deriva muitas vezes, ansiosos por um farol de significados para iluminar o caminho. Então, das profundezas da minha alma, eu questiono: onde está o lugar que eu realmente pertenço? Pois o não pertencimento acontece, invariavelmente, como uma culpa estranha que sentimos por associar que vidas alheias são afetadas por escolhas feitas na própria vida, porquê entendemos que nossas ações comprometem os outros e funcionamos melhor quando vivemos algo em comum.

Ademais, estas reflexões sobre a impermanência são tão antigas quanto a própria humanidade. Em sua busca incessante por respostas, Albert Einstein, com sua Teoria da Relatividade, provocou questionamentos profundos sobre a natureza do tempo e do espaço. Seus insights abriram portas para uma realidade onde o tempo poderia ser flexionado e moldado à vontade, ideia em cujo cerne está o eterno anseio humano por conexão e amor (quem gosta da série Star Trek entende sobre o quê estou falando).

Eu sei que isso pode até parecer simplista, porém é verdadeiro: sou o meu eu mais satisfeito, criativo e bem-sucedido quando estou colaborando constantemente com as outras pessoas para o seu bem. Por sua vez,

as coisas mudam de forma, estão em constante evolução, pois tudo muda, cresce e as luzes mudam também; e numerem-se os séculos anterior ou posteriormente ao Cristo, a essência nunca muda.2

1- Citação retirada do Quarto capítulo do livro “Tudo sobre o amor” de Bell Hooks, publicado pela Editora Elefante.

2- Citação de Monteiro Lobato, em Urupês, 1918.


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