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Tomar no cu ou se fuder? — Pauta filosófica

A sina pela qual determinados indivíduos buscam uma orientação para a vida, por vezes, parece-me uma verdadeira piada de mau gosto… Não se…

Weberson Ricardo · 2026-05-05 19:32 · 0 claps · 4.2 min read
#filosofia #charles-bukowski #estilo-de-vida #devir #sofrimento
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Tomar no cu ou se fuder? — Pauta filosófica

A sina pela qual determinados indivíduos buscam uma orientação para a vida, por vezes, parece-me uma verdadeira piada de mau gosto… Não se dão conta do lugar a que pertencem, e essa demora — quase sempre permanente — é o que me dá uma ligeira vontade de agarrá-los pelos ouvidos, aproximar paulatinamente minha fossa nasal rente à deles, fungar bem fundo — com olhar penetrante — e dar-lhes um falsete alto de: “acorda pra vida!”.

É preciso saber se pôr no seu lugarzinho; hoje em dia, mais do que nunca, cuzão.

A dor, em certo grau, é imprescindível na nossa jornada. E sofrer, com elegância, não é para qualquer um… Veja bem, já no dia a dia, há tanta merda corriqueira para nos atazanar: o compromisso atrasa, a comida queima, seu celular dá pane pela milésima vez… Não controlamos nem a hora de cagar, meu povão. E isso é só o segundo plano.

Não é o ruído que interessa aqui. A questão que importa, isso sim, é: cadê o toque requintado? Onde está a demanda do sacrifício? Finalmente perder as rédeas das trincheiras?… Para isso, tomar no cu à toa não é para qualquer um. E se fuder, ainda… em função de quê? Onde se vê pergunta assim? Ambas as formas de sofrer carregam uma objetividade única e necessária, só aguardando quem seja capaz de assumir seu ônus existencial: na primeira, garanto, você fica só o pó da rabiola; na segunda, cai o cu da bunda. Qual é a sua escolha?

Tem que ser digno, batalhar para tal. Não necessariamente herdar um dom, uma estirpe nobre, mas ter uma história no mínimo interessante para, no momento do colapso, ficar bonito. É agir como se o momento pudesse ser descrito com afinco num material underground que algum aleatório de gerações posteriores lesse quase caindo da cadeira em êxtase.

Tem gente que se afunda nas bebidas, se deixa impulsionar pelo calor das chamas de suas desgraças, talvez nem mais preocupada quando chegará a hora de ser vingada (e geralmente o é), mas, na hora do vamo-ver que todo gênio enfrenta, de repente ela mesma enche a cara, dá um cochilo numa posição propícia e morre sufocada pelo próprio vômito… Gente? Oi?

Engraçado também é a anedota de que certa vez o filósofo Crisipo de Solis teria se deparado com um jumento comendo figos maduros em uma cesta. “Agora deem ao jumento um vinho puro para lavar os figos!” — falou ele com todo o sorrisinho. Sim, só isso. O cenário mental foi tão absurdo para a concepção da época que ele começou a rachar o bico da própria piada; o êxtase tirou-lhe o fôlego, irrompeu em convulsões e Solis morreu de cagar de rir. Mano?

“anãoKKKKKKKKKKKK que isso lek AHSHASDHSHAHSHASTáMALUCOkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk olha a carinha do filho da putASKDHFJJSKADFHKJSDHFJKSDJKHFSKHDFKJHSDKFHSKJDFJKSHDF ui uid ui ujiikkkkkkk j meu DSEus KKKKK ai aiaiai aiKKKKKKKKKKK mmmmma ooooooh oh ohhhhhhhhh KKKKKKKKKKKKKKK morri”.

“anãoKKKKKKKKKKKK que isso lek AHSHASDHSHAHSHASTáMALUCOkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk olha a carinha do filho da putASKDHFJJSKADFHKJSDHFJKSDJKHFSKHDFKJHSDKFHSKJDFJKSHDF ui uid ui ujiikkkkkkk j meu DSEus KKKKK ai aiaiai aiKKKKKKKKKKK mmmmma ooooooh oh ohhhhhhhhh KKKKKKKKKKKKKKK morri”.

Quem até aqui poderia negar que estou falando de uma essência? Não é preciso ir tão longe ou ser um gênio: falo sobre estilo, ideia já muito gastada pelo meu grande amigo Bukowski. Estilo não necessariamente te diverge; você pode continuar a vida de empresário medíocre, se quiser. Estilo, de antemão, é alguém que despertou no cume de uma multidão dos adormecidos pra vida — o olhar de fora que é também o olhar de dentro, mas em meio a esses sonhadores que chegam até a tilintar e falar muito, mas com o dizer de nada.

Estilo, no ponto em que a palidez da falta de sentido torna-se o próprio sentido da existência, é até um poético jeito de sobreviver na recusa de formas antes veneradas — e que, em grande parte, você não teve escolha a não ser cultivá-las em si, dizendo “uau, então é assim? vamo que vamo!”, e passando-as à frente com a arrogância de sempre. Estilo: ou você o alcança ou ele te abraça; não poderia jamais te jogar pra fora, porque cedo ou mais tarde a vida te submete ao confronto de si mesmo. Os dias se sucedem pelo triz de um ruído — “o que é isso?”. Talvez a vida em si seja entender o que se passa nesse ruído que está em tudo, e o senso para com o estilo é preferível, sendo mais importante, a sistematizar as paradas. Perguntas e mais perguntas junto a conclusões de respostas indefinidas…

A virada de chave é ali, onde se deixa de lado as camadas de uma futilidade que nos cega, e percebemos — ou deveríamos perceber — que nossos gostos mudam: nossa forma de pensar, de agir e, finalmente, as verdades absolutas. Ora, você diz “somos indivíduos”? Eu digo: “somos o todo!”, sempre seguindo o ritmo da mudança constante do devir. Mas não que os valores de outrora estavam errados ou passam a se tornar errados por uma simples troca de afetos para outros afetos, pois aguarde: a vida novamente se faz cíclica. Tudo retorna, e a vontade é inocente — sempre inocente. “Se ao menos o mundo colaborasse…” — tenho eu em mente que está sempre colaborando. Ah, meus amigos… O que seria do dia sem a noite? Da vida sem a morte? E da grandeza sem a superfície? Tudo está como deveria estar. Há quem prefira se aventurar, mas cuidado: quem gosta de abismos tem que ter asas, ou — por que não? — ter estilo.

Estilo é a resposta a tudo, Uma maneira nova de abordar algo chato ou perigoso, Fazer algo chato com estilo é preferível a fazer algo perigoso sem, Fazer algo perigoso com estilo é o quê eu chamo de arte.

Touradas podem ser uma arte, Boxe pode ser uma arte, Amar pode ser uma arte, Abrir uma lata de sardinhas pode ser uma arte.

Não são muitos que tem estilo. Não são muitos que podem sustentar estilo. Eu já vi cachorros com mais estilo que homens, apesar que não muitos cachorros tem estilo. Gatos o tem em abundância.

Quando Hemingway espalhou seus miolos na parede com uma espingarda, aquilo foi estilo. Ou às vezes as pessoas te dão estilo Joana D’Arc tinha estilo, João Batista, Cristo, Sócrates, César, García Lorca.

Eu conheci homens na cadeia com estilo. Eu conheci mais homens na cadeia com estilo que fora dela. Estilo é a diferença, uma maneira de fazer, uma maneira de ser feito. Seis garças de pé quietas numa lagoa, ou você saindo do banheiro, nua, sem me ver.


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