São Paulo assombrada: cinco lugares aterrorizantes da cidade
Confira as histórias de locais que intrigam moradores e turistas da capital paulista

São Paulo assombrada: cinco lugares aterrorizantes da cidade
Confira as histórias de locais que intrigam moradores e turistas da capital paulista
Nicholas Street
São Paulo, a maior metrópole da América Latina, é carregada de mistérios e lendas urbanas. Entre ruas movimentadas e arranha-céus imponentes, alguns endereços da capital paulista guardam relatos de assombrações que intrigam os moradores e os turistas. Quem explorar esses lugares pode se deparar com histórias de aparições, sons inexplicáveis e eventos sobrenaturais que desafiam a razão.
O LabJor participou em março do São Paulo Haunted Tour, um passeio que explora lugares com fama de mal assombrado. Também conversou com o guia David Corolla e com Daniel Pires, apresentador do canal LendaCast, um podcast de histórias de terror. Confira abaixo o que eles contaram e cinco lugares de São Paulo considerados aterrorizantes.
Castelinho da Rua Apa

Castelinho da Rua Apa / Foto: Diogo Moreira / Flickr
Inaugurado em 1912, o Castelinho da Rua Apa pertencia à Família Reis, composta pelos advogados Álvaro e Armando e pela mãe deles, Maria Cândida. O imóvel carrega consigo a história de assassinatos que até hoje não foram esclarecidos.
Em 1937, os membros da Família Reis foram encontrados mortos por tiros dentro do Castelinho da Rua Apa. Maria Cândida foi achada no térreo, enquanto Álvaro e Armando foram encontrados no andar superior do castelo, com os corpos posicionados e alinhados um ao lado do outro.
“Os legistas disseram que aquela não era uma posição que indicava luta, nem um assassinato ou suicídio. Eles não podiam ter se matado e deixado os corpos tão organizados. Do lado deles (Álvaro e Armando) tinha uma pistola, calibre 9 milímetros, e dizem que encontraram uma arma de calibre diferente perto do corpo da mãe. Então esse é um mistério — a polícia diz que até hoje ninguém consegue saber o que exatamente aconteceu na casa”, diz David Corolla.
Após o crime, o Castelinho da Rua Apa foi abandonado e passou a ser considerado um lugar assombrado. Frequentadores do local alegavam ouvir vozes e ver coisas estranhas acontecendo dentro do castelo, como torneiras que se abriam sozinhas.
O Castelinho da Rua Apa só foi ocupado novamente no início dos anos 2000, por uma mulher chamada Maria Eulina Hilsenbeck, fundadora da ONG Clube de Mães do Brasil, que oferece ajuda para pessoas em situação de rua e socialmente vulneráveis.
Edifício Joelma

O antigo Edifício Joelma. Foto: Gabriel Schincariol Cavalcante / Pexels
Localizado no centro de São Paulo, o Edifício Joelma foi palco de uma das maiores tragédias urbanas da história do País. No dia 1 de fevereiro de 1974, o prédio foi atingido por um incêndio que matou 181 pessoas e deixou mais de 300 feridas.
Durante o incêndio, 13 vítimas acabaram morrendo carbonizadas dentro de um dos elevadores do prédio. Até hoje não se sabe quem são essas pessoas, apelidadas de “as 13 Almas do Joelma”. Elas estão enterradas no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, e são consideradas milagreiras.
“Na crença católica, dizem que quando uma pessoa passa por um grande sofrimento durante a vida ela pode ser uma alma milagrosa. Muitas pessoas até hoje vão ao Cemitério São Pedro de Vila Alpina para pedir milagres para essas almas, pois acreditam que elas sofreram”, explica David Corolla.
Logo depois do incêndio, começaram as especulações de que o Edifício Joelma seria assombrado. Funcionários relatavam ouvir vozes e coisas estranhas no local. Além disso, durante a gravação do filme Joelma 23º Andar (1979), um fotógrafo teria feito algumas imagens dos atores dentro do prédio e, nessas fotos, teriam aparecido figuras sobrenaturais.
Hoje em dia o prédio se chama Edifício Praça da Bandeira, mas muitas pessoas ainda conhecem o local pelo seu nome antigo, Joelma.
Cemitério da Consolação

Entrada do Cemitério da Consolação, com a capela ao fundo. Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons
O cemitério mais antigo de São Paulo, aberto em 15 de agosto de 1858, abriga os túmulos e mausoléus de figuras históricas importantes do Brasil, como Monteiro Lobato, Tarsila do Amaral e Mario de Andrade. Mas, assim como quase toda necrópole, o Cemitério da Consolação não escapa de histórias sobrenaturais.
Uma das histórias do Cemitério da Consolação é a de um coveiro que acabou morrendo de infarto enquanto estava enterrando uma mulher da família Matarazzo. O corpo do homem teria caído em cima do caixão que estava sendo sepultado. Desde então, existem relatos de que o espírito deste sepultador assombra a região do Mausoléu dos Matarazzos.
Existe também a história do menino Antônio da Rocha Marmo, o Antoninho, que teria previsto a própria morte e, depois de morto, acabou sendo considerado pelas pessoas como um milagreiro do Cemitério da Consolação.
“Ele fala o dia exato que vai morrer e acaba morrendo exatamente no dia que fala que vai morrer”, explica Daniel Pires. “Ele morre de tuberculose, se eu não me engano ele morre com 11 ou 12 anos. Então ele acaba virando um santo popular do Cemitério da Consolação.”
Existe uma estátua em tamanho real do Antoninho em cima do seu antigo túmulo no Cemitério da Consolação. Os restos mortais do menino foram retirados da necrópole e levados para um hospital na cidade de São José dos Campos, no interior de São Paulo, que foi nomeado em sua homenagem.
Casa da Dona Yayá

Casa de Dona Yayá, em foto de agosto de 2018. Foto: Cecioka / Wikimedia Commons
Sebastiana de Melo Freire, conhecida como Dona Yayá, era de uma família muito rica e teve a vida marcada por tragédias sucessivas. Uma das suas irmãs, de 3 anos, morreu asfixiada em um berço. Sua outra irmã faleceu de tétano aos 13. Já seus pais morreram com dois dias de diferença. Por fim, seu irmão morreu misteriosamente durante um cruzeiro em Buenos Aires, deixando-a sozinha e sem parentes.
Depois dessas perdas, Dona Yayá passou a apresentar traços de psicose esquizofrênica, que foram agravados pelas opressões que ela sofria da sociedade. Após um tempo internada no Sanatório do Juquerí, em Franco da Rocha, Dona Yayá acabou sendo isolada em uma das casas da família, localizada na Rua Major Diogo, região central de São Paulo, até sua morte.
“Dizem que a casa ficou assombrada pelo espírito raivoso da Dona Yayá, porque ela queria sair de lá, queria viver, queria ser livre. Falam que a casa fica assombrada por conta desse espírito dela, que está aprisionado ali”, explica Daniel Pires.
As pessoas que frequentam a região relatam ouvir os gritos da Dona Yayá pedindo ajuda até os dias de hoje. Atualmente, a casa pertence à Universidade de São Paulo (USP), que transformou o local em um museu que homenageia a antiga proprietária.
Edifício Martinelli

Edifício Martinelli. Foto: Thgusstavo Santana/ Pexels
O primeiro arranha-céu de São Paulo foi erguido pelo imigrante italiano Giuseppe Martinelli e possui 30 andares. Algum tempo depois da construção do prédio, ele perdeu muito dinheiro e acabou perdendo também para o governo o edifício que leva seu sobrenome.
Abandonado, o Edifício Martinelli foi ocupado por moradores de rua, traficantes, gangues, bandidos e prostitutas. Nesse período, aconteceram muitas mortes dentro do prédio.
As pessoas que habitavam o edifício jogavam lixo no fosso do elevador e existem relatos também de que os resíduos descartados foram preenchendo o espaço até o oitavo andar do prédio.
“O então prefeito Olavo Setúbal convocou a polícia para tirar as pessoas do prédio. Os moradores estavam resistentes, foi uma truculência. Tiraram todo mundo e começaram essa limpeza no Edifício Martinelli. Do fosso do elevador, tiraram vários corpos — as pessoas eram mortas e jogadas ali junto com o lixo”, explica David Corolla.
Hoje, o Edifício Martinelli acabou se tornando um centro cultural da cidade de São Paulo, onde acontecem festas e eventos.
Em termos de assombração, existe uma lenda urbana sobre uma mulher loira que usa um vestido branco e caminha pelos corredores do Edifício Martinelli à noite. Também dizem que a apelidada Moça do Martinelli fica escrevendo em uma máquina de escrever.
Funcionários do prédio relatam que ouvem os barulhos da mulher digitando na máquina de escrever. Eles também dizem que evitam ficar no edifício à noite, pois não querem cruzar com ela.
Serviço
**Cemitério da Consolação: **Rua da Consolação 1.660, São Paulo Horário de funcionamento: 8h às 18h Telefone: (11) 4395–8034
Casa da Dona Yayá: Rua Major Diogo 353, São Paulo Horário de funcionamento: Segunda, terça, quinta e sexta-feira, das 10h às 18h; quartas, das 10h às 20h; domingo, das 10h às 13h Entrada gratuita Telefone: (11) 2648–1501
Edifício Martinelli: Avenida São João 35, São Paulo Agenda de eventos neste link Telefone: (11) 3116–2777
Nicholas Street é aluno de Jornalismo da FAAP
메타데이터
- post_id
- 7d81c7a62bd2
- slug
- são-paulo-assombrada-cinco-lugares-aterrorizantes-da-cidade-7d81c7a62bd2
- url
- https://medium.com/labjorfaap/s%C3%A3o-paulo-assombrada-cinco-lugares-aterrorizantes-da-cidade-7d81c7a62bd2
- canonical_url
- https://medium.com/labjorfaap/s%C3%A3o-paulo-assombrada-cinco-lugares-aterrorizantes-da-cidade-7d81c7a62bd2
- author_url
- https://medium.com/@labjorfaap
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-07-29 06:39:43