VSFS está de volta (mas a gente precisava mesmo?),
Prada rumo à Lua, OXXO dando aula de experiência, Zara tropeçando no colonialismo e meus destaques do SPFW. E tem mais, claro! :)
VSFS está de volta (mas a gente precisava mesmo?), Zara tenta ‘Brasil’ e erra feio, SPFW mostrando como se faz moda de verdade e muito mais!
Prada rumo à Lua, OXXO dando aula de experiência, Zara tropeçando no colonialismo e meus destaques do SPFW. E tem mais, claro! :)
Victoria’s Secret Fashion Show: A fantasia principal foi a tentativa de diversidade e inovação.
Passei dias tentando processar o que realmente achei da volta do Victoria’s Secret Fashion Show (VSFW). Com tantos comentários, posts e tweets disfarçados de “análises especializadas”, minha cabeça quase explodiu. Se você estava desconectado ou não viveu a década de 2010, estou falando daquele evento que era mais aguardado do que qualquer semana de moda ou premiação. O VSFW era o queridinho, com seu próprio pink carpet, as maiores estrelas pop do momento e, claro, as modelos mais magras, desfilando asas e a ditadura da magreza com cabelos lisos — o sonho eurocêntrico embalado em glitter. Mas aí, 2017 chegou com todo o feminismo e rebeldia, e a marca foi devidamente cancelada, com um buraco de prejuízo tão grande que até hoje é difícil mensurar. Em 2021, a Victoria’s Secret tentou — miseravelmente — um retorno mas foi um fracasso tão épico que nem vale a sua atenção, e muito menos a minha. Mas, adivinha? Estamos em 2024, e a marca está tentando novamente ressurgir das cinzas dos cancelados, jurando que agora está “atenta” ao mercado e suas demandas. E, sim, eu disse ao mercado, não às pessoas que explodem as redes sociais clamando por inclusão e diversidade. Porque, sejamos sinceros, essas vozes muitas vezes não são as que realmente compram das grandes marcas. Mas, como todos já sabem, inclusão e diversidade viraram demandas urgentes em praticamente todos os mercados, forçando as marcas a repensarem suas estratégias se queriam continuar relevantes.

O que eu realmente achei? Patético, no sentido mais literal da palavra. Diria que talvez o único acerto foi não terem chamado aquela nepobaby miserável dona do pior catwalk do mundo aka Kendall Jenner. Sem o famoso pink carpet e com o desfile transmitido ao vivo, o evento perdeu toda a vibração que todo mundo esperava do VSFW. A interação calorosa entre as modelos, cantores e público, que era marca registrada, desapareceu. A única que tentou salvar o desastre foi a nossa colossal Adriana Lima, que sabe como entregar simpatia até em cenários de completo colapso.
A passarela, antes tomada por brilhos, maximalismo e aquele exagero típico da marca, foi sugada pela vibe sem vida do minimalismo. A abertura com Gigi Hadid foi, sinceramente, uma piada. A gata tem uma irmã que é a verdadeira estrela das semanas de moda e que teria carregado aquelas asas gigantes com a leveza de uma pluma. Gigi, no entanto, parecia desconfortável a cada passo. E aqueles cabelos volumosos, milimetricamente ondulados e perfeitos? Sumiram. No lugar, tivemos rabos de cavalo sem emoção e cabelos lisos sem frizz, mais monótonos que reunião de condomínio. E as botas de cano alto, capazes de parar guerras? Esquece. Optaram por scarpins tão comuns que pareciam prontos para a formatura de qualquer amigo seu.
Quanto ao casting “diverso”? Melhor que todas as semanas de moda juntas, mas vamos ser sinceros, a VSFW nunca quis se enquadrar nesse formato. A marca sempre foi sobre vender sonhos e fantasias, e trazer corpos mais velhos ou maiores (mas sempre com cinturas super marcadas) não me parece exatamente diversidade de verdade. É, no máximo, um passo minúsculo em direção à inclusão. Agora, o que realmente pode agitar as coisas é a nova jogada da marca: roubar a ex-CEO da Savage X Fenty. E olha, se tem uma marca que sabe fazer inclusão e diversidade de verdade, é essa. Savage X Fenty vende sensualidade para qualquer corpo, sem se curvar às réguas eurocêntricas, o que deixa claro quem está realmente na vanguarda da moda inclusiva.
Lojas OXXO dando uma masterclass de como transformar cada esquina em um ponto de consumo e conversa

Fonte: LinkedIn
No último resumão (que você pode conferir aqui), falei sobre como as lojas físicas estão ressurgindo das cinzas e se tornando verdadeiros gigantes do varejo, usando técnicas de “encantamento” para atrair consumidores e mantê-los dentro das lojas o máximo de tempo possível. Agora, preciso compartilhar um case que tem chamado minha atenção recentemente: a rede de lojas OXXO. Sim, aquelas que você vê a cada esquina de São Paulo — é impossível não notar, né? E é justamente aí que entra o golpe de mestre da marca.
Provavelmente cansados das piadinhas sobre terem uma loja em cada canto, a OXXO resolveu dar um passo além. A marca investiu pesado em encantamento (leia-se diferenciação) e apostou em colaborações com outras marcas potentes no Brasil. O resultado? Sucesso absoluto e muita conversa nas redes sociais. Quando até o meme se torna marketing, você sabe que estão jogando o jogo certo.
A marca se juntou com a Fini, M&M e RedBull e o resultado vai te deixar pensando no que uma loja não faz pra te manter por lá. Confere aí!

Um casamento de muito sucesso: Farm e Adidas completam 10 anos de parceria
A Farm foi a primeira marca brasileira a fechar parceria com a Adidas, e essa collab já completou 10 anos de pura estampa e sucesso. Foram mais de 160 prints icônicos e 25 coleções que vão desde performance até lifestyle. Pra comemorar essa década de união, a nova coleção traz o Brasil tropical nas famosas três listras, além de peças de streetwear cheias de estilo, com acessórios como mochilas, bonés e até uma bola de altinha (porque, né, nada mais BR que isso).
A coleção já está disponível no site e nas 108 lojas pelo Brasil, com preços que variam entre R$80 e R$1.300. Sim, meio salgado, mas se você é cliente da Farm, isso não é exatamente novidade, né?
Zara lança coleção em homenagem ao Brasil ou será BraZil?

Juro que tentei pensar em várias maneiras de começar esse texto sem ser ofensiva, mas vamos direto ao ponto. A Zara, que tem insistido em se posicionar como uma “fast fashion de luxo”, lançou na última semana uma coleção desastrosa, alegando que é uma “homenagem ao Brasil”. Se você leu esse briefing e já pensou em mil formas criativas de como poderiam ter abordado a pluralidade do nosso país — com toda a diversidade de sons, sotaques, biotipos e cores — sinto informar: para a Zara, o Brasil se resume à zona sul do Rio de Janeiro. Sim, estamos falando de peças brancas, com aquele foco clichê no ano novo na Barra ou na P12 de Jurerê. Risos… de desespero. Outro -pequeno- detalhe: os modelos claramente não foram pensados para corpos fora do padrão europeu. Pra variar. E os preços? Um verdadeiro surto. Não têm qualquer relação com a qualidade do material oferecido ou com a realidade financeira da maioria dos brasileiros.

Foto: ZARA
E fica aqui também meu desabafo pra outras marcas que amam surfar na onda do “brasilcore”, como Palace, Travis Scott e tantas outras, mas que sequer vendem seus produtos por aqui. Para todos eles, incluindo a Zara, o Brasil não é visto como uma nação ou um mercado consumidor, mas como produto. A fumaça do colonialismo ainda é fortíssima na visão daqueles que dizem nos “homenagear”. Eles nos veem, sim, mas através das lentes de superioridade e colonialismo, colocando-nos em uma prateleira inferior, sugando nossa estética e traduzindo em “core” o que, pra gente, é sobrevivência, resistência e arte.
Prada no topo… e agora na Lua: não basta dominar a Lyst, a marca também vai vestir astronautas em missão histórica
Não só vamos pisar na Lua novamente depois de mais de 50 anos, mas vamos fazer isso com estilo: vestindo Prada! E como se isso não fosse o suficiente, essa missão é histórica por outros motivos icônicos. Pela primeira vez, uma mulher e uma pessoa negra também vão deixar suas pegadas por lá — tudo, claro, com o toque fashion de Mama Miuccia Prada e Raf Simons.
A escolha da marca vai muito além do hype. Caso tenha esquecido, a Prada é pioneira no uso de materiais inovadores, e por isso foi encarregada de desenvolver toda a parte externa dos trajes. Previsível? Talvez. Icônico? Com certeza! Os trajes combinam branco e vermelho, com barras exibindo o logo da Prada, o inconfundível toque da linha Linea Rossa. Feitos para aguentar caminhadas lunares de até 8 horas e resistir a temperaturas extremas, os trajes ainda contam com sistemas avançados de resfriamento e remoção de dióxido de carbono. Tudo isso sob os rigorosos testes realizados em parceria com engenheiros da NASA, Axion e SpaceX.
Mas, no fim das contas, moda é só futilidade, né?
💫 Até teria algumas pautas bônus interessantes pra listar aqui, mas desde segunda-feira (14.10) o São Paulo Fashion Week está em pleno vapor, e não dá pra ignorar o valor da moda brasileira. Então, nada mais justo do que destacar os desfiles que já aconteceram até agora, porque a nossa moda tem voz, tem história e merece brilhar. 💫
HERCHCOVITCH;ALEXANDRE: Logo depois de estrear sua nova marca na Casa de Criadores, em julho, o estilista foi convidado de última hora para o SPFW e teve menos de dois meses para criar toda a coleção verão/outono 25. E o que ele fez? Pegou a vibe dos anos 60 e 70, jogou aquele toque Alexandre Herchcovitch no mix e nos entregou cores vibrantes, sensualidade e cortes modernos em peças clássicas. Porque sim, ele consegue transformar o vintage no novo cool sem nem suar.
GUSTAVO SILVESTRE | PROJETO PONTO FIRME: Definitivamente um dos meus queridinhos, a marca, fruto de uma colaboração coletiva entre o estilista e sua iniciativa social, vem brilhando na SPFW desde 2018 e até já deu o ar da graça na Semana de Moda de Paris em 2022. Desta vez, a coleção desfilada nas escadarias do Museu do Ipiranga focou no tema de Ano Novo. Com 40 looks de cair o queixo, o crochê — assinatura do projeto — evoluiu de trama artesanal para tecido sofisticado, se tornando um produto tão desejado que outras marcas já estão de olho. Tons de dourado, prata e branco harmonizaram com bordados e cristais, transformando o desfile numa verdadeira festa de luxo e textura.
Another Place: Uma das marcas mais queridinhas e cobiçadas do evento, apostou no que faz de melhor: reinventar o jeans. Conhecida por sua pegada sensual com um toque de underground, a grife de Raphael Nascimento, estilista e fundador, jogou seguro, mas certeiro. Para a passarela, trouxe o que seu público já ama — regatas justas, segundas peles inusitadas, decotes e transparências. O jeans, claro, brilhou em todas as suas formas, provando mais uma vez que ele nunca sai de moda, apenas ganha novas interpretações.
⭐️ FOZ: ⭐️ Responsável por me deixar na beira da loucura de ansiedade desde que vi o convite diferentão do desfile (confira aqui), a narrativa por trás dessa coleção me conquistou de cara, e o resultado final foi tudo o que eu esperava e mais um pouco. O estilista reimaginou a vida de sua tia-avó Laura, que fugiu de um lar abusivo para se tornar cangaceira nos anos 30. O que ele pensa e queria que tivesse acontecido com a história dessa mulher que foi apagada de sua família, se traduziu em uma coleção cheia de técnicas artesanais, frescor, e cor, tudo com tingimento natural. Patchwork e botões dominaram a passarela, mas o ponto alto foi o cenário — uma cama de madeira com *Nataly Rocha deitada durante todo o desfile, aparentemente dormindo sob lençóis. *Na fila final, a atriz se levantou, revelando que os lençóis eram, na verdade, um vestido longo branco. Um momento poderoso, simbolizando que, assim como a tia-avó do estilista, ela também “acordou” e tomou as rédeas da própria história.
Normando: É a estreia da dupla paraense, Marco Normando e Emidio Contente, e, gente, que desfile impactante! Eles se inspiraram no movimento modernista do Norte do Brasil, que bombou no início do século 20. A coleção traz alfaiataria com técnicas indígenas, ombreiras super marcadas, roupas com aquele toque marinheiro, vestidos de seda estampados com peixes amazônicos e jaquetas super alongadas. O uso de látex amazônico, fibra de juta que, quando misturada com algodão, se transforma em um “jeans” incrível, e tecidos estruturados com barbatanas tingidos com café dão vida a peças icônicas que são simplesmente sensacionais e totalmente fora da curva. Uma estreia digna de aplausos que, gostando ou não, vai ficar na memória quando o assunto for inovação e valorização dos produtos brasileiros.
🚨 Até o momento que estou escrevendo essa versão, já rolou mais 9 desfiles, e para não deixar você com sono, prometo que na semana que vem trago meus favoritos. Se você quiser uma cobertura completa e sensacional, eu sou super fã da galera do FFW, da ELLE BRASIL e da clássica Harper’s Bazaar BR ❤

Obrigada por se juntar a mim! ❤ Continue explorando, questionando e, principalmente, se divertindo! ;)
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