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Reino Unido ordena revisão de ativista egípcio após polêmica com posts antigos

Preso por 5 anos, Alaa Abd El-Fattah, teve tweets antigos contra sionistas expostos

Iago N. e Silva · 2025-12-30 18:28 · 0 claps · 2.6 min read
#noticias #direitos-humanos #inglaterra #egito #sionismo
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Reino Unido ordena revisão de ativista egípcio após polêmica com posts antigos

Preso por 5 anos, Alaa Abd El-Fattah, teve tweets antigos contra sionistas expostos

O ativista britânico-egípcio Alaa Abd el-Fattah, após ser libertado da prisão, ao lado de sua mãe, Laila Soueif, e irmã, Sanaa, em casa em Gizé, Egito, em 23 de setembro de 2025 — Foto: Mohamed Abd El Ghany/Reuters

O ativista britânico-egípcio Alaa Abd el-Fattah, após ser libertado da prisão, ao lado de sua mãe, Laila Soueif, e irmã, Sanaa, em casa em Gizé, Egito, em 23 de setembro de 2025 — Foto: Mohamed Abd El Ghany/Reuters

A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, ordenou nesta terça-feira (30) uma revisão urgente sobre “falhas graves de informação” no caso do ativista egípcio britânico Alaa Abd El-Fattah. A decisão ocorre após a descoberta de publicações antigas nas redes sociais em que ele aparentemente incitava violência contra sionistas e policiais.

Abd El-Fattah é um ativista pela democracia de 43 anos que se tornou símbolo da repressão política no Egito. Ele ficou preso por cinco anos sob acusação de espalhar notícias falsas, condenação considerada violação ao direito internacional por investigadores da ONU. O ativista recebeu cidadania britânica em dezembro de 2021, concedida pelo então primeiro-ministro conservador Boris Johnson através da sua mãe, nascida no Reino Unido.

Ele foi libertado em setembro após perdão do presidente egípcio Abdel-Fattah el-Sisi e chegou ao país no dia 26 de dezembro, quando se reencontrou com o filho que vive em Brighton. A libertação foi resultado de anos de campanha diplomática dos governos conservador e trabalhista britânicos.

A polêmica dos tweets

A controvérsia começou quando publicações antigas, algumas datadas de 2010, ressurgiram nas redes sociais logo após políticos britânicos, incluindo o primeiro-ministro Keir Starmer, darem boas-vindas públicas ao ativista. Os posts continham comentários que incitavam violência e foram considerados “abomináveis” pelo governo.

Cooper afirmou em carta à presidente do Comitê de Relações Exteriores que sucessivos primeiros-ministros e funcionários do governo “não tinham conhecimento” das publicações durante todo o processo de defesa do caso. A ministra disse estar “muito preocupada” porque a descoberta dos tweets, junto com as mensagens de boas-vindas de políticos, “aumentou a angústia sentida pelas comunidades judaicas no Reino Unido”.

Reações divididas

Conservadores e o partido de ultradireita Reform UK pediram a deportação de Abd El-Fattah ou a revogação de sua cidadania. O porta-voz conservador para segurança interna, Chris Philp, classificou o pedido de desculpas do ativista como “insincero” e pediu à ministra do Interior, Shabana Mahmood, que revogue a cidadania.

Além disso, o Reform UK criticou os conservadores por não terem investigado o histórico das redes sociais do ativista. Um porta-voz do partido declarou que “os conservadores não são confiáveis”.

Já o governo trabalhista defendeu o retorno de Abd El-Fattah. De acordo com Downing Street, o Reino Unido “acolheria o retorno de qualquer cidadão preso injustamente no exterior”, posição central ao “compromisso da Grã-Bretanha com liberdade religiosa e política”.

Autoridades governamentais avaliam que não há base legal para remover a cidadania dele, uma vez que a lei estavbelece isso apenas para casos de fraude ou contra criminosos perigosos e terroristas.

O governo trabalhista defendeu o retorno do ativista. O porta-voz de Downing Street afirmou que o Reino Unido “acolheria o retorno de qualquer cidadão detido injustamente no exterior”, posição central ao “compromisso da Grã-Bretanha com liberdade religiosa e política”. Autoridades governamentais avaliam que não há base legal para remover a cidadania dele, uma vez que a jurisprudência estabeleceu isso apenas para casos de fraude ou contra criminosos perigosos e terroristas.

O pedido de desculpas

Em nota pública, Abd El-Fattah pediu desculpas “inequivocamente” pelo conteúdo dos posts. Ele afirmou compreender “o quanto chocantes e dolorosos” foram seus comentários anteriores e explicou que eram “principalmente expressões de raiva e frustrações de um jovem em época de crises regionais”, citando as guerras no Iraque, Líbano e Gaza, além do aumento da brutalidade policial contra jovens egípcios.

O ativista disse lamentar especialmente publicações feitas “como parte de batalhas de insultos online, com total desrespeito a como seriam lidas por outras pessoas”. Ele reconheceu que “deveria ter sabido melhor”.

*Com informações dos jornais The Independent e Al Jazeera


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