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Como é fazer futebol em Alagoas longe dos holofotes

O futebol se tornou um negócio que supera o âmbito esportivo. Não apenas sobrevive dele, mas em momento mundial de globalização e efeitos…

Guilhermemnobre · 2026-06-05 00:55 · 0 claps · 12.5 min read
#futebol #alagoas
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Como é fazer futebol em Alagoas longe dos holofotes

Futebol do interior é maioria no estado, mas minoria no desempenho

Futebol do interior é maioria no estado, mas minoria no desempenho

O futebol se tornou um negócio que supera o âmbito esportivo. Não apenas sobrevive dele, mas em momento mundial de globalização e efeitos diversos da geopolítica do capitalismo, quando vale o que tem mais em meio ao avanço tecnológico, este esporte não foge à regra. Continua a servir como algo de relevância social para entretenimento, mas agora soma-se a preocupação financeira.

Contudo, a sobrevivência de alguns clubes dentro disso é seletiva. A própria modalidade mostra que o seu crescimento pode servir como uma ferramenta de ascensão social, mas também pode ser cruel. Em meio a tanto sucesso, dinheiro, luxo e fama, existem aqueles que não conseguem desfrutar do mesmo e estão longe desse “palco”.

De acordo com os números e com a história, é difícil que algum clube desfavorecido de alguns fatores, como localização privilegiada para, investimentos privados e estrutura, ocupe os grandes espetáculos do futebol. Isso acontece de maneira majoritária no Planeta Bola.

Hoje, a lista de times mais ricos do mundo, **atualizada em pesquisa da renomada empresa de consultoria Deloitte**, em 2026, começa com a liderança de clubes como Real Madrid, Manchester City e Paris Saint-Germain. Todos eles possuem uma riqueza que ultrapassa a margem dos 900 milhões de euros e não por acaso figuram entre os times mais vitoriosos no aspecto esportivo.

Entre 2025 e 2026, houve um crescimento de 11% nas receitas desses clubes ricos

Há exceções, como o caso do rico Manchester United em má fase nos últimos anos, porém, a situação é superada pelo norte imprevisível do esporte.

Aqui, traremos essa análise para o cenário local, em que o estado de Alagoas sintetiza, guardadas as devidas proporções, exatamente isso.

RADIOGRAFIA DO FUTEBOL MASCULINO EM ALAGOAS

Na estrutura empregada ao futebol masculino brasileiro, que se reflete também no caso alagoano, é quase que sufocante sobreviver de maneira contínua, em uma temporada inteira.

Dos 8 clubes que disputaram a elite do futebol de Alagoas em 2026, apenas 1 possui calendário e atletas contratados pelo ano inteiro, o CRB na segunda divisão nacional. A maioria, portanto, sobrevive durante pelo menos 3 meses, a depender de suas participações em torneios posteriores. E por incrível que pareça, as histórias dos que não estão nesse patamar, são quase idênticas.

O jornalista político Marcos Rodrigues fala sobre essa questão:

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Na atualidade, cerca de 18 clubes de futebol masculino estão oficialmente ativos profissionalmente, perante a Federação Alagoana de Futebol (FAF). Entretanto, apenas dois desses terminaram 2024 com lucro — CRB e ASA. Os demais não conseguem superávit e vivem no vermelho. Esse fator é um dos maiores impeditivos em relação ao ganho esportivo, que é o grande objetivo de todos.

Demonstrações financeiras dos clubes de Alagoas em 2024. Arte: ChatGPT

Demonstrações financeiras dos clubes de Alagoas em 2024. Arte: ChatGPT

Dados os devidos parâmetros e especificidades, existe a desigualdade financeira entre os clubes. É a partir deste contexto e da compreensão das desigualdades que trataremos de quem sobrevive no futebol alagoano.

DEPENDÊNCIA DE RECURSOS PÚBLICOS EM ALAGOAS

Boa parte da sustentação dos clubes alagoanos parte por apoios financeiros de órgãos públicos. Todos os clubes pesquisados por essa reportagem já receberam qualquer tipo de ajuda em relação ao governo, seja municipal ou estadual.

No interior, isso é muito mais evidente, com clubes sendo divulgadores em troca de patrocínio que mantém o clube, além da estrutura onde se joga e até onde se treina.

Dentre os 8 times que disputaram o Campeonato Alagoano de 2025, apenas o Murici não carregou em sua camisa algum tipo de patrocínio referente ao poder público, federal, estadual ou municipal — mesmo sendo confirmado o apoio financeiro por parte do seu município.

Em 2024, o Governo de Alagoas, destinou quase R$ 6 milhões em patrocínio para CRB, CSA, ASA e CSE. Valor que foi dividido entre os clubes. Já no ano de 2025, o mesmo voltou a lançar um aporte financeiro de R$ 2,5 milhões, para os dois clubes da capital alagoana, valores que superam inclusive as folhas mensais de pagamento de cada um. No caso do CSA, equivaleu a pelo menos 3,5 folhas de pagamento mensais do clube em 2025.

Em 2024, Governo de Alagoas dividiu recursos entre equipes de futebol. Arte: ChatGPT

Em 2024, Governo de Alagoas dividiu recursos entre equipes de futebol. Arte: ChatGPT

Fora esse apoio, é frequente o envio de emendas parlamentares por parte de alguns políticos ocupantes de cargos no Poder Legislativo, seja municipal ou estadual. Tal ato tornou-se comum, ao ponto de ser um valor considerável para a sustentação de cada uma das equipes.

O CSE, representante de Palmeira dos Índios, recebeu em 2024 cerca de R$ 1,7 milhão em patrocínio da prefeitura da cidade. Ainda assim, mesmo com esses valores consideráveis, não consegue uma projeção maior.

Esse ano, após uma falta de apoio perante um desacordo entre clube e prefeitura, o Tricolorido entrou em uma crise financeira grave, que rendeu atraso de salários divulgados por jogadores.

O CSE joga no Estádio Juca Sampaio, cedido pela prefeitura, que o administra. Como mostram as imagens capturadas no dia 5 de maio deste ano, ainda que tenha sido liberado pela CBF e órgãos públicos para receber os jogos da na Série D do Campeonato Brasileiro o espaço para o torcedor é de um desconforto frequente.

Banheiro do estádio Juca Sampaio, em Palmeira dos Índios. Foto: Guilherme Nobre

Banheiro do estádio Juca Sampaio, em Palmeira dos Índios. Foto: Guilherme Nobre

Com essa situação, é difícil imaginar um crescimento. Os depoimentos internos de cada clube externam exatamente a situação preocupante: a dificuldade de se fazer futebol por não se ter dinheiro, tampouco estrutura para tal.

Estrutura da cabine de imprensa. Foto: Guilherme Nobre

Estrutura da cabine de imprensa. Foto: Guilherme Nobre

Juca Sampaio segue liberado para jogos de Campeonato Brasileiro: Fotos: Guilherme Nobre

Juca Sampaio segue liberado para jogos de Campeonato Brasileiro: Fotos: Guilherme Nobre

FUGIR DO PADRÃO E ALÇAR A GLÓRIA

Fora aqueles que lideram os rankings de ganho financeiro, em raros momentos vimos clubes modestos figurando no topo. Neste século, os exemplos limitam-se ao tricampeonato alagoano do Coruripe, em 2006, 2007 e 2014; e ao título do Murici em 2010. Indo um pouco para trás no tempo, houve a conquista do Capelense, em 1988.

E a história do futebol alagoano se molda perante isso.

[embed]Radialista Orlando Batista lembra quando teve que ajudar clube alagoano em dificuldades

Aqui, não há exemplos recentes de clubes que conseguiram furar a bolha fora do estado. Em pouquíssimos casos, houve momentos marcantes, como a classificação do Murici à terceira fase da Copa do Brasil em 2017, eliminado Juventude e América-MG;, ou quando o Santa Rita de Boca da Mata, em 2014, chegou às oitavas de final do mesmo campeonato. Ambos padeceram perante o Cruzeiro, e não conseguiram feitos parecidos com o passar dos anos. A maioria dos exemplos são de momentos delicados e não promissores.

O próprio Corinthians Alagoano, citado por Orlando, foi um expoente no estado durante os anos 2000, e ainda assim sucumbiu. Apesar de seus faturamentos com vendas de jogadores, com estádio próprio para jogar, optou por fazer uma fusão com o Santa Rita, em 2013. Apesar dessa união visar bons frutos, durou pouquíssimo tempo, já que em 2019 o clube desativou suas atividades e nunca mais voltou ao futebol.

[embed]Orlando explica o que pode ajudar clubes de Alagoas

OS IMPEDIMENTOS FINANCEIROS

Os casos envolvendo esse “atraso” do futebol alagoano, não é segredo. Inclusive, isso é colocado pelos próprios clubes, que por vezes são reféns da própria estrutura.

Exemplos claros nos últimos anos envolvem clubes como o Igaci, que subiria de divisão em 2025, mas desistiu de participar, alegando falta de apoio financeiro, por parte do órgão público da cidade homônima. Sem tempo para chamar outro clube, a edição do estadual teve 7 equipes, com a FAF punindo o clube agrestino com uma multa de R$ 50 mil.

No fim de 2025, o Murici Futebol Clube passou por uma transformação inimaginável há pouco tempo, depois de sofrer um transfer ban. Em uma união junto ao Guarany, formou-se o Murici Sport Clube, tirando o homônimo tradicional das competições.

Se este cenário não é tão comum na primeira divisão, nas modalidades de mulheres e na segunda divisão há um rodízio de equipes, com algumas delas se mantendo de um ano para o outro.

Em 2025, por exemplo, o CEO, de Olho d’Água das Flores, declarou publicamente não ter dinheiro para sequer montar uma equipe para disputar o campeonato estadual da segunda divisão.

Outro fator, é o desaparecimento recorrente de clubes do futebol profissional, como nos exemplos abaixo:

Alagoas acumula clubes que desativaram atividades. Arte: ChatGPT

Alagoas acumula clubes que desativaram atividades. Arte: ChatGPT

Atuando em vários municípios, o Desportivo Aliança, chegou com uma proposta de

modernização e tratamento diferente do meio, subiu para a primeira divisão em 2021, quando alcançou a semifinal estadual; no ano seguinte, seria vice-campeão da Copa Alagoas. O que pareceria uma crescente não se confirmou, acabou sendo rebaixado em 2023, com apenas três estaduais disputados.

Mas isso não ocorre apenas com equipes que, no máximo, chegaram às semifinais. O Murici, tradicional e campeão alagoano em 2010, o que gerou participação na Copa do Brasil, não conseguiu avançar, 15 anos após sua maior conquista.

O que gerou este cenário? Buscamos entender com representantes de cada um desses clubes.

DESPORTIVO ALIANÇA: NOVA PROPOSTA, MESMO RESULTADO

Desportivo Aliança foi sensação no futebol de Alagoas. Foto: Guilherme Nobre

Desportivo Aliança foi sensação no futebol de Alagoas. Foto: Guilherme Nobre

Fundado em 2012, o Desportivo Aliança surgiu com uma nova ideia de se administrar um clube de futebol. Sob a ótica de revelar atletas, vendê-los e uma visão mais moderna do “fazer futebol”, o clube conseguiu sucesso momentâneo.

O Aliança funciona quase que como um clube empresa não oficializado. O time iniciou de uma compra de uma equipe amador em Rio Largo, daí veio ao profissionalismo com uma proposta bem diferente. Chegou na elite do futebol alagoano em 2021, ocupando um promissor 4º lugar em sua primeira participação.

Mas diferente do que era mostrado, o time logo bateu em um teto. Retornou à segunda divisão de Alagoas em 2022 e passou por mudanças administrativas, com a venda do comando do clube.

O atual mandatário do Aliança, Fagner Marcos, falou sobre os desafios e a realidade da Arara, apelido da equipe:

“A parte financeira pesa bastante, pois o futebol é muito caro. Quando não se tem um apoio de uma prefeitura fica muito mais difícil. Os patrocinadores não veem mais o futebol como uma forma de exibir seu negócio, têm outros meios mais acessíveis e ‘baratos’ para divulgação. Sobre o dinheiro que utilizamos anualmente, não tenho como dizer a margem exatamente, mas giro em torno de 120 a 150 mil/ano”.

Esse é o contraponto exato de como as distâncias são enormes. Uma folha anual do Aliança, equivale a 6,6% de um gasto mensal do CRB, por exemplo. Algo que sintetiza a distância gigantesca entre clubes próximos no sentido geográfico, mas distantes nas finanças e projeção esportiva.

“A falta dos clubes tradicionais em divisões maiores, quase que estaciona os clubes menores. Por exemplo, se tivéssemos um cenário onde dois dos mais tradicionais do estado estivessem em uma Série B do Campeonato Brasileiro, e pelo menos um na Primeira Divisão, abriria possibilidade de mais vagas para outros clubes no cenário nacional e mais possibilidades de outros clubes terem calendário fixo ascendendo à Série C, ranqueando melhor o estado na CBF”, opinou Fagner.

Fato é que essa amostragem torna o comparativo histórico evidente. Alagoas nunca teve mais de cinco clubes em divisões nacionais em um mesmo ano. Em comparação com outros locais isso também representa outra distância enorme.

Hoje em dia, Alagoas conta com quatro clubes divididos entre Série B e Série D. Ceará, por exemplo, já possui oito clubes. Ainda no Nordeste, Pernambuco conta com sete clubes em divisões nacionais, enquanto A Bahia tem seis.

CEO: SUMIÇO GRADATIVO

O CEO é um dos clubes mais proeminentes do sertão de Alagoas. Tem dois títulos de 2ª Divisão do Campeonato Alagoano, ambos conquistados neste século, em 2011 e 2016, o que por si só poderia ser um sinal de evolução. O que se viu, no entanto, foi mais um time que se afundou em crises financeiras, administrativas e não conseguiu alcançar o estrelato.

A “Estrela do Sertão” jogou a Série A do Alagoano 9 vezes. E chegou até a ter uma campanha de destaque em 2013, quando ficou em 3º lugar. Em 2021, o time caiu e desde então nunca mais voltou.

Porém, apesar de seus maiores feitos terem sido realizados no século em que o futebol ganhou mais fama e inflacionou financeiramente, o clube de Olho d’Água das Flores fez o caminho contrário e atualmente vive um calvário financeiro.

Desde o rebaixamento de 2021, o time sertanejo sofreu com temporadas onde nem sequer participou da segunda divisão. Em 2025, decidiu não jogar a Segundinha justamente por problemas financeiros, mesmo após ter vindo de uma temporada vitoriosa no ano anterior, no Sub-17, quando conseguiu o inédito título do Campeonato Alagoano. Mas nem isso foi suficiente para fazer o time respirar.

Conversamos com o historiador do clube, Henrique Martins, que trabalhou internamente no CEO, e contou o que fez com que o clube tivesse uma queda tão brusca.

“A queda para Série B em 2015 teve um impacto direto no contexto. Foi um época áurea do CEO, ao ponto de fazer esquecer a campanha de 2013, onde o CEO chegou a semifinal, perdendo a prorrogação para o CRB no Rei Pelé. Embora tenha conquistado o acesso já em 2016, em 2015 foi meio que um fantasma, perdendo patrocinadores importantes, consequentemente, um time menos competitivo, o que afastou ainda mais o torcedor, e sem torcedor, sem força para novos patrocinadores”, resumiu.

Pontos importantes justificam o momento. O estádio ainda se encontra precário em pontos importantes. Fora isso, o CEO é um dos clubes que sempre dependeram das finanças políticas municipais. Há ainda todos aqueles obstáculos mostrados anteriormente.

“Como em todas as áreas, sim, há injustiça. É aquela velha máxima: “se paga, pelo que se oferece”. Mas não é injusto dois clubes receberem milhões do Estado, enquanto os outros não recebem quase nada ou muito pouco?

Para o CEO, a história é de muita luta. O sucesso parte de uma estrutura financeira que não temos na região. O próprio município não detém recurso disponível para esporte profissional, por várias vezes, com a estrutura limitada ficamos à frente de clubes de cidade com maior poder aquisitivo como CSE, Coruripe, Penedense, entre outras”, pontuou

JOGADORES: PERSONAGENS DESSA REALIDADE

Léo é volante e já defendeu diversos clubes de Alagoas. Foto: Cortesia

Léo é volante e já defendeu diversos clubes de Alagoas. Foto: Cortesia

Apesar de tudo mostrado e pontuado, na realidade do futebol brasileiro são frequentes os exemplos de jogadores convivendo com isso ano após ano. De acordo com levantamento feito pela própria CBF, de 2016, 96% dos atletas profissionais possuíam um salário inferior a R$ 5 mil.

Claro, ao passar desses dez anos, muita coisa pode ter mudado, mas a esmagadora maioria do futebol brasileiro segue no mesmo parâmetro salarial. No site da CBF é possível ver a quantidade de jogadores de cada divisão.

Gráfico mostra a diferença de quantidade de atletas em casa divisão nacional. Arte: ChatGPT

Gráfico mostra a diferença de quantidade de atletas em casa divisão nacional. Arte: ChatGPT

Com mais clubes, na Série D estão mais da metade de atletas profissionais. Assim, a maior parte deles está onde se paga menos e numa competição de menor tempo no calendário.

A situação vivida pelos jogadores no estado de Alagoas não é simples. Fora a distância para outros centros, como já mostramos. A falta de estrutura do futebol local ainda é algo notório quando nos deparamos com coisas que deveriam ser básicas, como estádios bem estruturados, profissionalismo e investimento.

Conversamos com Léo Oliveira, zagueiro de 28 anos que soma passagens por CRB, Desportivo Aliança, Zumbi, Penedense, Guarany-AL e Cruzeiro de Arapiraca. Atualmente, atua no Uirapuru, na segunda divisão do Mato Grosso, em mais uma prova que na realidade do futebol brasileiro há necessidade de ser disposto a se mudar para seguir no mercado.

“Já passei por umas situações difíceis, principalmente em clubes que não tem o orçamento ideal para fornecer a estrutura necessária no dia a dia. Por ter passado 10 anos no CRB e ter me profissionalizado lá, posso afirmar que das condições de trabalho não há o que reclamar para um clube que está na Série B. CSA e ASA, mesmo estando na Série D, afirmo que para realidade que se encontra ainda fornece boas condições pros atletas. Entre o restante dos clubes menores, na minha opinião, o que falta mesmo é dinheiro, investimento para estruturar estádios, campos de treino, academia e valorização financeira dos atletas”, disse.

É comum vermos relatos e ocasiões por todo o país com reclamações de jogadores, disputas entre dirigentes e atletas, tudo devido à estrutura escassa.

O pesquisador Fernando Rossetto, no artigo “Geografia do Futebol das cidades médias brasileiras: relações entre sucesso esportivo e características urbanas”, mostra como o fator financeiro local interfere para que haja ou não resultado expressivos, claro, que há depender de cada caso.

Isso é reforçado por Léo Oliveira:

“Já passei por umas situações de atraso de salário, alimentação não ser a adequada, ou ter só o básico de estrutura no clube. Mas a maior dificuldade no meu caso por nos últimos anos estar jogando fora de Alagoas é sempre estar longe da família. Jogador precisa ser resiliente e dedicado, tem que entender que independente de onde você esteja sempre vai ter alguém vendo, e no profissional tem que estar sempre minutando, com regularidade. E é necessário respeitar o processo, ser respeitado pela sua índole dentro e principalmente fora de campo e se destacar, só se valoriza no mercado quem se destaca e para isso é necessário sempre estar preparado fisicamente, tecnicamente, psicologicamente”.

FUTURO PROMISSOR OU MAIS DO MESMO?

À medida que o tempo passa, conseguimos observar clubes de menor poderio financeiro infiltrando-se entre os mais ricos. Porém, o demonstrativo é que esse fenômeno é exceção e não regra. Enquanto nos últimos cinco anos tivemos apenas um estreante na Série A do Brasileirão (Mirassol), tivemos apenas um também em Alagoas, em um cenário que existem menos clubes.

Para além disso, um campeão inédito não aparece há 20 anos, quando o Coruripe chocou o estado em 2006, tal como um finalista inédito. Já o interior, não leva uma taça sequer desde 2011.

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Fato é que o futebol dificilmente se tornará um esporte homogêneo. Cada clube será responsabilizado pelas decisões que tomar. Uns acertarão mais do que os outros e é mais provável que o ciclo continue. Ainda existem formas para amenizar distâncias, disparidades e desigualdades. Contudo, para isso acontecer, pontos que ainda não são utilizados precisam ser enaltecidos, como o profissionalismo e a união em prol do todo.


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