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2016–2026: lições que aprendi em uma década.

(voltei)

Por Mariana Batista · 2026-03-03 18:19 · 0 claps · 2.9 min read
#trends #relacionamentos #separação #amor #vida
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2016–2026: lições que aprendi em uma década.

(voltei)

Demorei muito tempo pra entender que confiar no processo tem suas vantagens, parece papo de coach, longe disso. Mas nesse passar de década que virou trend, eu provei desse sabor.

Sou fã do número 5, carrego o número no meu dedo indicador da mão esquerda, considero meu número da sorte, — mas não passa de uma combinação fraca que fiz com os números da minha data de nascimento. Então, quando completei 25 anos, eu esperava muita muita coisa, boa de preferência. Pois, nasci no dia 25/05 e amo essa combinação.

E realmente, aconteceu muita muita coisa, horas boas, horas ruins.

Aos 25 me separei do cara que compartilhei 5 anos da minha vida, até hoje considero uma das maiores cartadas que fiz na minha vida: a separação. Foi burrada juntar os trapos cedo demais, mas foi tirada certa, me separar logo.

Durante esse período, vivi um relacionamento abusivo. O que me levou à depressão severa, eu definhei, fui afastada do trabalho, algumas pessoas se afastaram de mim, eu perdi todo prazer de viver.

Pra minha idade e pelo que manda a cartilha, eu tinha tudo que precisava, emprego bom, salário ótimo, morava em bairro bom, num sobrado lindo, dois carros na garagem, dois vira-latas lindos, e um companheiro ok.

Quando fui afastada do trabalho pela depressão, viajei com minha mãe e irmã pra Salvador-BA e lá, percebi que não tinha controle de nada da minha vida. Não queria tá doente, não queria dividir minha vida com aquela pessoa, eu só tava infeliz e não tinha como controlar. Então, decidi confiar. Confiar em mim (mesmo em frangalhos).

Numa quarta-feira, cheguei do trabalho, fui à terapia, avisei a psicóloga que aquele era O Dia e quando voltei pra casa, meu ex perguntou se eu queria omelete, aceitei. Quando ele foi levar, peguei na mão dele e disse que não dava mais. A primeira reação dele foi:

  • Você sabia que ia terminar comigo e mesmo assim, fez eu cozinhar pra você.

Eu adoro contar essa parte, acho tão engraçado. A revolta por conta do omelete e não do divórcio.

E assim foi a transição dos meus 24 pros 25. Voltei a ser solteira e tava me curando da depressão. Pra falar a verdade, não teve tanto perrengue, pelo contrário. Foi uma das fases mais felizes da minha vida. Mas foi muita coisa pra assimilar, isso sim.

E de lá pra cá, se passaram dez anos. Prestes a fazer meus 35 e cada suspiro de ansiedade que tenho, só lembro da minha avó me dizendo:

  • Menina, confia. Tudo tem seu tempo. Vive o presente.

Então, quando eu falo que confiar é importante, eu apenas traduzo o que minha avó tentou me ensinar a vida inteira. Viver o presente, um dia de cada vez.

Nesses dez anos venho aprendendo isso. Ontem comentei com minha mãe, se eu for morrer com 70, já vivi metade da vida. (E que vida!)

Nesses dez anos, eu fui sendo guiada pelo que acreditava e estava no meu alcance. Me joguei, como dizem, e vivi pra caramba. Mudei de país, fiz grandes amigos, continuei com amizades antigas, viajei muito e trabalhei também, perdi as contas de quantas casas e cidades morei. Rodei bastante. E talvez, uma das principais coisas: eu amei, pela primeira vez, de verdade-verdadeira.

Me apaixonei por um português, ficamos juntos só três meses, mas foi a amostra que tive pra poder saber o que é eu te amo de verdade. Sou feliz por isso!

Mas também ficou por aí, nunca mais consegui gostar de mais ninguém de verdade. Aqui é meu ponto fraco, — tenho uma dificuldade grande de confiar no amor. Mas eu acredito muito nele, acredito de verdade. Minha avó também sempre me dizia: “O que é seu tá guardado. O que é do homem, o bicho não come, minha filha.”

Então, pra voltar a escrever, eu escolhi entrar na trend da década. Infelizmente, só consigo escrever em primeira pessoa e sobre minha vida. Mas voltar a escrever é uma das minhas promessas de 2026.

Eu sigo confiando na vida e acreditando no amor. Essas são as lições que aprendi em dez anos.

Enquanto escrevia, escutei: Sufjan Stevens

foto tirada pelo menino que eu era apaixonada.

foto tirada pelo menino que eu era apaixonada.


메타데이터
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