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Deve a Esquerda Unir-se?

Com os resultados desastrosos da esquerda parlamentar nas eleições legislativas passadas e com as eleições autárquicas cada vez mais…

Iúri Soares · 2025-07-13 20:51 · 1 claps · 2.9 min read
#eleições #autárquicas #esquerda #esquerda-progressista #união
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Deve a Esquerda Unir-se?

Com os resultados desastrosos da esquerda parlamentar nas eleições legislativas passadas e com as eleições autárquicas cada vez mais próximas, coloca-se a questão, deverá a esquerda unir-se?

As eleições legislativas de 2025 demonstraram a ineficácia dos partidos de esquerda na mobilização dos eleitores a seu favor, demonstrando-se a sua incapacidade em apresentarem-se como uma alternativa atrativa e real para a resolução dos problemas do eleitorado, o que culminou na sua derrota com a diminuição de cerca de 150 mil votos do Bloco de Esquerda e de 20 mil votos da CDU, entre as eleições de 2024 e de 2025, que se materializaram na perda da bancada parlamentar dos primeiros e de 1 deputado dos segundos. O Livre conseguiu, porém, captar algum deste eleitorado expandindo-se para 6 deputados. No entanto, no seu conjunto, os partidos de esquerda saíram eleitoralmente derrotados.

Com esta pequena observação dos recentes resultados eleitorais evidencia-se a necessidade da união da esquerda para a criação de um caminho conjunto e claro para os eleitores que procuram uma solução progressista e de esquerda para os seus problemas, evitando-se a dispersão dos votos. Neste âmbito, se uma coligação tivesse sido formada para estas eleições, o número total de deputados obtidos em conjunto aumentaria de 10 para 18, evitando o desperdício de votos resultantes do Método de Hondt. Imagine-se então se estas fossem disputadas por uma coligação unitária e sólida com uma campanha eleitoral esclarecedora e forte apresentando propostas capazes de resolver os problemas reais dos eleitores.

Os pontos verdes representam os 18 deputados de uma coligação LIVRE-BE-CDU caso fossem juntos a eleições, superior aos 10 deputados atuais eleitos por estas forças políticas

Os pontos verdes representam os 18 deputados de uma coligação LIVRE-BE-CDU caso fossem juntos a eleições, superior aos 10 deputados atuais eleitos por estas forças políticas

Apesar desta necessidade de união, que não seria a primeira vista na Europa tendo em conta o exemplo da Nouveau Front Populaire em França de Mélenchon que conseguiu com algum sucesso conciliar os diferentes interesses dos partidos da esquerda francesa, a vontade destes partidos políticos não tem vindo a alinhar-se neste sentido, pelo menos para as próximas eleições autárquicas, onde para a câmara do Porto o Livre já apresentou a sua candidatura após uma tentativa de aliança com a esquerda onde “os interesses não coincidiram” que já demonstrou níveis baixos de intenção de voto segundo as últimas sondagens realizadas (4% para Diana Ferreira da CDU e 3% para Sérgio Aires do BE) e na câmara de Lisboa o PCP já apresentou João Ferreira como o seu candidato, recusando-se a convergir com as outras forças de esquerda. Curiosamente, a tendência à direita é inversa, com a Iniciativa Liberal em negociações com o PSD para em conjunto disputarem Lisboa.

Veja-se que em Portugal a direita obteve uma maioria sociológica e parlamentar nos últimos anos porque a direita organizou-se e soube juntar-se quando necessário, extremando o seu discurso de maneira a canalizar e mobilizar o descontentamento da população portuguesa para o ódio aos membros e minorias mais fragilizadas e ostracizadas da nossa sociedade. A esquerda deve fazer o mesmo, ou seja, orientar a infelicidade sentida pelas pessoas e trabalhadores em direção a origem real dos seus problemas, demonstrando empiricamente que a explicação propagada pela direita é falaciosa, que não é o imigrante que causa o caos da habitação, mas sim a especulação imobiliária e a inércia para a realização da construção pública e para a requalificação de milhares de imóveis devolutos que poderiam a ajudar a solucionar esta problemática; que os principais beneficiários dos apoios do Estado não são minorias étnicas, mas sim os grandes grupos económicos que recebem borlas fiscais que aumentam os seus lucros já estratosféricos, porém recusando-se a distribuir estes pelos seus trabalhadores.

Concluo assim que está na altura da esquerda alterar as suas prioridades e deixar as discussões pseudointelectuais que almejam provar quem é o mais “puro”, sendo necessário e fundamental para a sobrevivência destas forças políticas que estas se juntem em prol de uma coligação progressista capaz de comunicar claramente ideias e propostas que possam resolver as dificuldades das pessoas e da classe trabalhadora e que, simultaneamente, permitam a desconstrução do ódio propagado pela direita direcionando-o para quem realmente é responsável pelos problemas que nos afetam.


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