A carta
sem apresentação, apenas aceite...
A carta
sem apresentação, apenas aceite...

Oi.
Eu escrevi isso pensando em você.
Talvez você nunca leia estas palavras… Talvez leia um dia… A verdade é que não importa muito, porque tenho quase certeza de que nunca vou entregá-las diretamente. Existe algo estranho em carregar um sentimento e, ao mesmo tempo, escondê-lo. Como se o coração gritasse enquanto a boca aprendesse a permanecer em silêncio.
Você é única...
Talvez não no sentido que os poetas costumam dizer, mas única para mim... Única da forma como certas pessoas atravessam nossa vida e deixam marcas que não sabemos explicar… Como se tivessem encontrado um lugar dentro de nós antes mesmo de pedirem permissão para entrar...
As ocasiões que nos colocam juntos raramente são bonitas. E, ainda assim, eu gostaria que fossem diferentes...
Gostaria de te amar de uma forma que ninguém jamais tentou. Não porque eu seja melhor que os outros, mas porque seria nossa… Queria cuidar de você nos pequenos detalhes, naquilo que quase ninguém percebe. Queria estar presente nos dias bons e nos dias que ninguém quer lembrar.
Mas não vou.
Ou talvez não consiga.
No fim, espero que possamos nos abraçar como amigos, porque qualquer coisa além disso exige uma coragem que eu ainda não encontrei em mim.
E isso me faz pensar se o silêncio também é uma forma de covardia.
Saber que seu coração foi quebrado por outra pessoa me machuca mais do que deveria. Talvez porque eu desejasse ter sido abrigo quando o mundo decidiu ser tempestade. Talvez porque ver sua dor me faça desejar carregá-la junto, mesmo sabendo que não posso.
Eu gosto do seu sorriso.
Do seu jeito.
Do seu cheiro.
Da paz estranha que existe ao seu redor.
Uma paz que eu não conhecia antes de você.
Mas existe uma distância que não cabe nos mapas. Não é medida em quilômetros. É feita de histórias, circunstâncias, escolhas, medos. Somos extremos em muitas coisas. E, ao mesmo tempo, assustadoramente parecidos em outras.
Talvez seja justamente isso que me assuste.
Sou covarde por não te dizer isso olhando nos seus olhos.
Mas talvez seja ainda mais covarde por escrever onde provavelmente nunca será lido.
Às vezes imagino outras versões de nós. Outros caminhos. Outras vidas.
Em alguma delas, talvez eu encontre coragem.
Em alguma delas, talvez eu possa te beijar.
Em alguma delas, talvez você esteja livre das correntes que te prendem aqui.
E eu também.
Mas até essas fantasias me assustam, porque existe sempre o risco de que a verdade afaste aquilo que a imaginação aproxima.
Você roubou uma parte de mim.
Não de um jeito ruim.
Só aconteceu.
E desde então eu tento encontrá-la em todos os lugares. No céu. Na brisa da manhã. No silêncio das madrugadas. No sereno da noite. Como se este planeta inteiro tivesse decidido guardar fragmentos seus para me lembrar, todos os dias, daquilo que nunca tive coragem de dizer.
Eu te amo em mil idiomas.
E ainda assim, em todos eles, as palavras continuam parecendo pequenas demais...
(obs: isso n é um desabafo, n tô sofrendo de amor, mais achei interessante a ideia)
메타데이터
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