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O ÍNICIO, O FIM E O MEIO

A série ”Fim” é um grande retrato da vida.

Lucas Henrique · 2025-06-18 18:15 · 0 claps · 3.1 min read
#comedia #drama #fim #globoplay #fernanda-torres
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O ÍNICIO, O FIM E O MEIO

A série ”Fim” é um grande retrato da vida.

Finalmente tive a chance de assistir à minissérie Fim, lançada pelo Globoplay em 2023, baseada no romance homônimo escrito por Fernanda Torres. A série foi criada e escrita pela própria Fernanda, com supervisão de adaptação de Maria Camargo e direção de Andrucha Waddington e Daniela Thomas.

A sinopse é relativamente simples: a trama se passa num período entre 1968 e 2012 e é dividida em quatro fases que abrangem a juventude, a maturidade e a velhice dos personagens. Ao longo das décadas, eles compartilham amores, traições, mágoas, alegrias, manias, loucuras e frustrações.

O foco é especialmente nos cinco amigos: Ciro (Fábio Assunção), Ribeiro (Emilio Dantas), Silvio (Bruno Mazzeo), Álvaro (Thelmo Fernandes) e Neto (David Junior). Com personalidades diferentes:

Ciro é o galanteador conquistador que eventualmente se apaixona perdidamente por Ruth (Marjorie Estiano numa interpretação impecável, como de costume). Ribeiro tem paixão por novinhas e pelos problemas que vêm com isso. Silvio é o cara mais livre, sem amarras, egoísta e antimonogâmico. Álvaro, o broxa conformado. E Neto, o conservador que sossega com o grande amor da sua vida, Célia (Heloísa Jorge).

Fim fala sobre a morte e, para isso, é preciso falar sobre a vida. Sobre o caminho que leva ao inevitável. Sobre como o percurso até o fim é sempre insatisfatório, insuficiente e implacável. Traições, amores não correspondidos, mortes, frustração. A felicidade é restrita, mas o sofrimento sempre chega. Nada acaba nem percorre do jeito que nós queremos, e resta aprender a viver com isso.

(Quase) todos os personagens se iludiram com uma suposta vida perfeita com família e filhos, mas logo se tocam que a vida adulta e conjugal é muito mais difícil do que as promessas que lhes foram feitas.

A montagem é fantástica, e a ideia de contar tudo de forma não linear, sem explicar isso com cartões que mostram a data, é acertada. Funciona e não confunde. Mas a melhor escolha do roteiro é a não condescendência. Os personagens são falhos, humanos, amáveis, carismáticos, engraçados, mas muitas vezes mesquinhos, egoístas, burros, preconceituosos e detestáveis. O grande trunfo de Fim é não entrar na onda cada vez mais comum no audiovisual atual, a de tentar vender uma lição de moral.

Os personagens discutem entre si sobre as atitudes imorais uns dos outros. Eles se criticam, brigam, têm ações questionáveis, fazem você sentir raiva, mas, em momento algum, os roteiristas apontam o dedo na cara do espectador e esfregam uma liçãozinha de moral tosca. Não tratam o público como um idiota que não sabe tirar suas próprias conclusões. Eles apenas retratam. A opinião é sua. A reflexão sobre a vida, o casamento, a monogamia, a sociedade, o sexo, os homens, as mulheres, a morte ou qualquer outro assunto que surja é sua. Raro, nos dias de hoje, um roteiro que não trata os espectadores como bebês sem cérebros. Muito digno.

Vale destacar que a direção é fantástica. A ambientação dos anos 70 é perfeita (não que eu tenha vivido).

Falando em anos 70, a trilha sonora é o que dá muito do ritmo. Uma das coisas que mais me conquista em uma série, filme ou novela é a trilha sonora. Não é só uma música boa por si só, e sim como ela encaixa com a cena, com os personagens, com o contexto. O quanto a cena fica ainda mais marcante pela escolha da música certa. E isso Fim faz de maneira espetacular. A canção “Divino Maravilhoso”, de Gal Costa, que Ruth canta quando conhece Ciro, e também a que encerra a série, define tudo:

É preciso estar atento e forte Não temos tempo de temer a morte É preciso estar atento e forte Não temos tempo de temer a morte

Alguns pontos:

  • Ainda falando sobre a trilha sonora combinada com uma direção esperta, as cenas com “Azul da Cor do Mar”, do Tim Maia, e “Bandido Corazon”, do Ney Matogrosso, talvez sejam as minhas favoritas nesse sentido.
  • O Globoplay lançou uma playlist com as canções da trilha sonora. Vou deixar logo abaixo:

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  • Eu destaco as atuações de Marjorie Estiano e Bruno Mazzeo. Mas o elenco inteiro, dos protagonistas aos coadjuvantes, às participações especiais, está todo absurdamente bom.
  • Tainá Medina é outra que merece destaque. Suzana é uma personagem apaixonante e igualmente detestável.
  • Elenco
  • Eu, provavelmente, já gostaria muito da série. Mas, tendo passado por um luto recente, ela me conquistou muito mais.
  • LIVRO
  • Agora preciso ler o livro que deu origem à série. Dizem que é bem mais engraçado. A série tem seus momentos cômicos, mas é mais uma tragicomédia.
  • Assista

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