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O vale encantado

Quantas vezes te vi passar de bike, chinelo de dedo, bermuda de tactel e boné surrado — teu cabelo, ondulado e descolorido escapando pelas…

DosRamons · 2025-06-20 21:17 · 0 claps · 5.3 min read
#gay #contos #erótico #periferia #latinos
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O vale encantado

Quantas vezes te vi passar de bike, chinelo de dedo, bermuda de tactel e boné surrado — teu cabelo, ondulado e descolorido escapando pelas laterais.

Tu me cumprimenta com um movimento de cabeça, e eu, sentado na calçada em frente de casa, retribuo. Teus olhos parecem fazer um convite, um meio sorriso emoldurado pelo bigodinho safado me estremece. Minhas pernas querem levantar meu corpo e montar na tua garupa, rapaz.

Outro dia, nublado, mas quente como o diabo. Dessa vez tu passa a pé, no mesmo horário. “boa tarde”, digo tentando manter a naturalidade — por dentro penso: “esse cara é uma obra de arte”. Sem cerimônias, tu senta do meu lado. Te observo pegar algo no bolso da bermuda, um beque e um isqueiro.

Com o cigarrinho aceso, tu traga e passa pra mim, sinto a umidade dos teus lábios na pontinha da celulose. Te observo de rabo de olho: sempre sem camisa, vestindo bermuda tactel. Sinto o aroma do teu suor misturado à fumaça, incenso masculino. Ao te devolver o beque nossos dedos se tocam, meu coração bombeia sangue desesperadamente para todas as extremidades. Mais uma vez, estremeço.

“bora ali, mano?” tu se levanta num salto. Vejo a montanha se formando atrás do velcro da tua bermuda. “bora, mas disfarça esse volume aí”, me levanto sorrindo envergonhado ao perceber minha própria saliência. Os dois, sem camisa, partem para o final da rua sem saída.

As casas se amontoam por todo o caminho, cachorros latem ao ouvir os barulhos dos chinelos se arrastando. Não passam carros nem pessoas por nós. O caminho termina no mato. Uma placa colocada pelos moradores implora “não jogue lixo” — mas não parece surtir muito efeito. Passamos por uma camada de detritos em direção à floresta escondida, uma trilha fina é visível. Tu anda na frente, com segurança, virando pra trás de vez em quando pra me passar o banza. “Curto queimar um nesse lugar, mó paz”, tu diz, com um sorriso na voz já amolecida. Te observo caminhando — de vez em quando dando tapinhas nas pernas pra se livrar dos insetos. A bermuda está caindo, vejo o alto do teu cofrinho e penso: “só tem uma camada de tecido?”

Na borda de um rio nos encontramos, te observo escalar algumas rochas, pulando os vãos entre elas até chegar numa mais ou menos reta. Tu vira pra mim de braços abertos e um sorriso magnético, tira o boné e os chinelos, pousa o beque no chão, abre a bermuda — o som do velcro se abrindo me emociona. Meus olhos não sabem onde focar, se nos teus cachos descoloridos ou no belíssimo pau meia bomba. Corro pra chegar até onde está aquela obra-prima brasileira. Quando me aproximo da pedra quase reta, tu dá uma cambalhota pra trás e cai na água. Tiro a bermuda com pressa, quase tropeço em cima da rocha, me jogo na água de um jeito mais simples — já que não faço cambalhotas.

Na água gelada, sorrimos. O líquido era tão cristalino que dava pra ver o teu corpo todinho, ainda que ligeiramente distorcido. Do teu jeito cheio de marra, se aproximou de mim com propósito bem definido. Chegou me segurando pela cintura, primeiro as picas se tocaram depois as barrigas, depois os peitos e por fim, os lábios. Senti os caralhos crescendo. A tua mão esquerda nas minhas costas nos mantinha grudados, enquanto a direita apertava minhas nádegas. Coloquei meus braços em volta do teu pescoço e fiquei nas pontas dos pés, queria facilitar a procura dos teus dedos — que pareciam saber onde queriam chegar. Eu cheirava teu pescoço, passava a mão nos teus cabelos enquanto teus dedos entravam no meu corpo. “vai fundo nessa porra”, sussurrei no teu ouvido. Teus dedos me comiam enquanto nossos paus se amassavam. Tu retirou os dedos e afastou nossos corpos alguns centímetros, a mão direita agora unia os caralhos numa masturbação conjunta e logo a mão esquerda se juntou a ela. Tu olhava pra baixo sem se distrair e eu olhava pra ti, admirando teu corpo molhado e as gotas que caíam dos teus cachos. Uma sensação de prazer intenso se apoderou do meu corpo, as mãos quentes esfregando teu pau no meu dentro daquela água fria me fizeram gemer cada vez mais alto. Tu aumentou a fricção junto com o volume da minha voz, ver os músculos dos teus braços trabalhando pelo nosso prazer foi a gota d’água. Meu leite jorrou submerso, pouco depois senti as tuas pulsações liberando a alegria nas águas daquele rio.

Fomos para as margens, lânguidos, mas ainda não completamente satisfeitos. Subimos novamente na pedra, eu fui na frente. Fiquei de pé, observando aquele cenário perfeito, te esperando chegar. Tu veio por trás, as mãos acariciando minhas coxas peludas, beijando meu pescoço e meus ombros, o alto das costas e foi descendo. Abriu minhas nádegas e esfregou o rosto todo no meu vale encantado — o nariz, o queixo, o bigode e os lábios. Beijou meu cu de língua. Depois ficou de pé e, enquanto posicionava o pau na portinha, sussurrou no meu ouvido: “Quer essa rola na tua bunda?”, eu respondi pressionando meu corpo contra o teu, já rebolando pra facilitar a entrada. A lubrificação natural foi suficiente pra ti entrar. Virei a cabeça pra trás e tu me beijou enquanto metia com força.

O barulho dos nossos corpos molhados colidindo ecoava pela floresta. “Viado gostoso”, tu falou ofegante entre os beijos. Gozei pela segunda vez, sem nem tocar no meu caralho. Tu gozou em seguida, me preenchendo. Vestimos as bermudas, tu acendeu um segundo beque e fumamos ele todo. Quando voltamos pra rua de casa já estava anoitecendo. Nos despedimos e seguimos nossos rumos.

Alguns dias depois, te vi passar de bike com um parça na garupa. Os dois com cabelos descoloridos, vestindo bermuda de tactel e chinelos de dedo. Só que em vez de cachos o outro tinha um cabelo bem curtinho, com linhas raspadas formando um desenho abstrato, uma corrente grossa em volta do pescoço e óculos escuros. Pareciam com pressa, nem cumprimentaram. Quando passaram de volta, pararam na frente de casa. Deixaram a bicicleta jogada na calçada e sentou cada um de um lado. “Quer fumar um com a gente?” o cacheado perguntou. “bora”, respondi, já com o coração acelerado. Se levantaram. O de cabelo raspado me deu a mão pra ajudar a me levantar.

Começamos a andar em direção ao final da rua sem saída.

~ Ramon https://linktr.ee/dosramons


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2026-06-25 07:00:49