Nos últimos capítulos…
É fim do ano, é proximidade com meu aniversário, é mudança marcada pro apartamento novo. A sensação de que preciso fazer um balanço geral…
Nos últimos capítulos…
É fim do ano, é proximidade com meu aniversário, é mudança marcada pro apartamento novo. A sensação de que preciso fazer um balanço geral recebe uma certa dose de euforia, a tal esperança em dias melhores.

Eu começo a pensar nas coisas que eu quero resolver, nas conquistas que foram impossibilitadas nos últimos meses, mas que agora podem estar mais próximas porque o calendário vai mudar. Porque eu vou me mudar e voltar a fazer academia, mas também poderei tomar sol e nadar.
Os últimos meses foram complexos. Quase enlouqueci no processo de compra do apartamento. Quase enlouqueci no desmame do medicamento para crises de pânico. Quase enlouqueci com o trabalho. Quase enlouqueci com a saudades dos meus pais. Quase enlouqueci com a enxaqueca. Quase enlouqueci com tantas mortes próximas. Quase enlouqueci com discussões. Quase enlouqueci com as notícias do mundo.
Ou talvez tenha mesmo enlouquecido, mas não estou me dando conta.
Trocas
Estive conversando sobre desejar que outra pessoa, um guru, uma entidade ou uma amiga, qualquer pessoa, tivesse respostas, instruções sobre o que eu devesse fazer para a vida dar certo.
Primeiro que a vida dar certo é um conceito bem relativo. Será ganhar mais dinheiros? Talvez ter mais coisas? Ou poder conviver com quem gostamos?
Segundo é que eu não sou muito fã de obedecer sem questionar. Simples assim. Isso significa também que eu tenho uma relação complicada com a fé. Acreditar porque está escrito é muito difícil pra mim.
Entender melhor o autismo e a superdotação tem sido importante nesse processo. Da tal rigidez cognitiva que me trava em algumas ocasiões ao entendimento processos neurológicos e emocionais, que são diferentes dos que acontecem com as pessoas típicas.
Maior suscetibilidade a dores, incluindo a enxaqueca. O pensamento acelerado. A autocobrança diante das minhas falhas. A forma de reviver lembranças como se as coisas estivessem acontecendo no exato momento. Tudo o que me falaram a vida toda que eu ficava me autossabotando. Não é bem como acontece com os típicos — não é bem uma questão de escolha e preciso de ferramentas um pouco mais avançadas que as pessoas comuns para lidar com essas coisas. Não é apenas necessidade de pensamento positivo ou de tirar o foco dos meus problemas em particular.
Lembro que quando eu era pouco mais que uma adolescente, escutei de um médico que eu precisava aprender a não dar espaço pra dor. Tipo, quando a cabeça começasse a doer, eu teria que decidir que não estava mais sentindo dor e com isso ela deveria diminuir. Nunca funcionou e eu passei a me cobrar por não tentar melhorar o suficiente. Esse ano eu estou aprendendo a respeitar meus limites. Um pouco, não tudo. Afinal, ainda tem muito não pra eu dizer e muita culpa indevida pra processar.
Uma coisa engraçada em dizer não é que você passa a ser considerada uma pessoa difícil. Grossa, mal educada, egoísta. Uma sagitariana, talvez. Talvez eu devesse tentar aprender um pouco com o arquétipo que me classifica e começar a dar coices mais certeiros, mas sou uma pessoa que tem medo de magoar, mesmo que isso me machuque. Os coices, quando saem, saem sem direção ou sentido, até sem intenção.
Não quero fazer o seu roteiro, me adequar ao que você acha certo, me moldar totalmente para agradar. Seja você quem for.
Tenho uma autoestima pra recuperar. Nos últimos capítulos eu me senti burra, perdida, feia, descartável. Aprendi que eu sinto raiva, sou sem educação, não dou conta de tudo e talvez nem queira. Sou tipo humana, falha, em aprendizado, sem obrigação de ser perfeita. O erro é certo, isso não é exatamente um problema.
Apetite
Apesar desse tamanho todo, não tenho tido vontade de comer. Quando como, busco um sabor, uma sensação que nunca chega. Não é a primeira vez que sinto isso, e na anterior eu tinha muita vontade de Coca-Cola. Hoje, nem isso. Isso deveria me ajudar a emagrecer, mas não. Eu como para não ter dor de cabeça e fico frustrada. Então entro na tentativa de sentir alguma coisa, doce, salgado, amargo ou azedo. Será que a próxima mordida será melhor?
Nunca é. Tudo parece ter uma qualidade pior do que eu me lembro. Talvez voltar a fazer exercícios ajude com isso. Talvez mudar de ambiente e comer mais frutas frescas. Talvez ter mais projetos pessoais.

Não sei. A sensação de fim de ciclo me faz achar que as coisas podem ser diferentes. Apesar da melancolia, eu sou uma otimista.
메타데이터
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