Sobre muletas
Por um acaso do destino, um dia desses fiz um teste do buzzfeed do tipo “qual é o signo mais compatível para você?”. O resultado deu câncer…
Sobre muletas

Por um acaso do destino, um dia desses fiz um teste do buzzfeed do tipo “qual é o signo mais compatível para você?”. O resultado deu câncer e, automaticamente, eu mandei uma mensagem pro meu ex.
Meu ex, que é canceriano, também foi um cara com quem eu estive em uma on-and-off relationship por dez anos. Poderia fazer um blog somente a respeito da minha relação com ele, de tanta coisa que vivemos juntos. Se tem alguém que me conhece do avesso é esse cara e, em mil e uma discussões e choros pós-termino eu também descobri que também sei muito dele. Isso é um problema.
A mensagem que eu mandei ria do resultado do teste. Pedi para ele fazer também e o resultado não foi o meu signo. Quando falei que talvez, afinal, não estejamos escritos nas estrelas, ele me diz a frase mais simples possível: “Eu não preciso de teste para saber que sou compatível com você”. Esse é o tipo de mensagem que ele me manda.
Ao longo dos anos e de outras desilusões amorosas, nós dois sempre buscamos colo um no outro, uma ajuda para superar, uma muleta pra conseguir ir em frente. O problema é esse: muletas são instrumentos temporários, que você usa durante um curto período de tempo até voltar a andar sem elas. Ninguém quer ficar dependente de muletas para sempre. Uma vez que você machuca as pernas, quer voltar a correr livre de novo. As muletas emocionais também devem ter esse fim. Ou melhor, a gente nem deveria precisar delas em primeiro lugar.
Esse meu relacionamento me lembra muito de um que vi na TV e que influenciou muito a forma com que eu lidei com o meu ex: Chuck e Blair, de Gossip Girl. Pra quem não lembra, o Chuck e a Blair passaram alguns anos também numa on-and-off relationship e, depois de namoros com outras pessoas, casamentos com outras pessoas, a perda de um bebê e uma morte, casaram e viveram felizes para sempre. Os diálogos deles sempre me marcaram muito e o que mais se encaixava na minha filosofia de vida até bem pouco tempo era “se duas pessoas estão destinadas a ficar juntas, em algum momento elas vão achar o caminho de volta uma para a outra” (minha tradução livre porque eventualmente e eventually são falsos cognatos).

Só que essa teoria, apesar de linda e bem artística, não é real. Tem outra história que eu queria compartilhar: Uma amiga da minha irmã tem uma tia que, quando tinha 16 anos, se apaixonou por um menino. Eles namoraram, terminaram e voltaram várias vezes, como os adolescentes nos anos 70 faziam. Um dia, eles cansaram disso e ela acabou namorando com outro rapaz, com quem noivou e decidiu casar. O ex correu atrás dela, pediu desculpas, disse que queria tentar novamente e ela cedeu. Acabou o noivado e voltou para o ex. Após um breve período, ele a traiu, ela se chateou e terminaram. O noivo ainda gostava dela e pediu para voltar. Voltaram e planejaram o casamento. Qual foi a surpresa dela quando viu o ex ao lado do padre com a taça das hóstias na mão… ele tinha treinado para ser coroinha justamente para impedir a moça de casar. (Eu JURO que é uma história verídica)

A moça casou, mas o ex infernizou a vida dela. Uma vez o marido viajou e o ex invadiu a casa dela durante a noite. Passou a ir no trabalho dela, na casa dos pais, em qualquer lugar em que pudesse vê-la e declarar que ela estava cometendo um erro. Após um tempo, a moça pensou que, se o amor era tanto assim, talvez ela estivesse mesmo agindo contra o destino (o conceito de stalker ainda não era difundido). Se separou, juntou as tralhas, por fim, com o ex e, dois anos depois, tiveram uma filha. Fim da história feliz…
…ou não. Quando a menina tinha uns 3 anos de idade, o ex, agora marido, disse que não aguentava mais e saiu de casa. Disse que “precisava de um tempo pra si”, como os bon vivants da vida fazem. É de se pensar que a moça da história nunca mais fosse olhar na cara desse traste de homem, porém, em intervalos de aproximadamente três em três anos, eles voltam, têm meses super felizes juntos e terminam porque a pressão de uma vida estável faz com que o cara pire. A filha deles hoje em dia já tem 30 anos e pouco conviveu com o pai.

A moral dessa enorme história é para dizer: muletas só são boas se usadas uma vez, para ajudar a recuperar. Se você não deixá-las de lado, vai ficar eternamente dependente delas e nunca mais vai andar livre. Apesar de eu conhecer bem o meu ex, sei que não somos compatíveis para estarmos juntos e, por isso, o melhor a fazer é manter o contato ao mínimo. Se fôssemos um par ao menos funcional (porque- sério- par perfeito é uma coisa que não existe) estaríamos juntos. O que há hoje é um fantasma de um relacionamento que já acabou. As minhas muletas, se usadas com frequência, me viciam e eu posso acabar entrevada para sempre.
E você? Usa essas muletas?

메타데이터
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