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Remédios para emagrecer e nutrição: o que muda com o uso de GLP-1?

Semaglutida, tirzepatida e outros medicamentos mudaram o tratamento da obesidade. Mas perder peso é apenas uma parte da história. O que…

Priscila Oliveira · 2026-07-06 13:52 · 0 claps · 14.2 min read
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Remédios para emagrecer e nutrição: o que muda com o uso de GLP-1?

nutrição e glp1 — gerada por IA

nutrição e glp1 — gerada por IA

Semaglutida, tirzepatida e outros medicamentos mudaram o tratamento da obesidade. Mas perder peso é apenas uma parte da história. O que acontece com a alimentação, a massa muscular e a saúde durante o tratamento?

A chegada de medicamentos como semaglutida e tirzepatida mudou de forma importante o tratamento da obesidade.

Conhecidos popularmente como “canetas para emagrecer”, esses medicamentos ganharam espaço nos consultórios, nas redes sociais e nas conversas sobre perda de peso. Os resultados observados nos estudos clínicos ajudam a explicar tanta atenção: algumas dessas terapias conseguem promover perdas de peso que, até poucos anos atrás, eram difíceis de alcançar apenas com medicamentos.

Mas olhar apenas para os números da balança conta uma parte da história.

Ao reduzir a fome e aumentar a saciedade, esses medicamentos podem fazer com que uma pessoa passe a comer muito menos. Isso favorece a perda de peso, mas também levanta novas questões.

O peso perdido vem apenas da gordura? O que acontece com a massa muscular? Uma pessoa que come muito menos consegue consumir todos os nutrientes de que precisa? E o que acontece quando o tratamento é interrompido?

Essas perguntas se tornaram especialmente importantes para a nutrição clínica.

Neste artigo, vamos analisar o que as evidências científicas, com prioridade para ensaios clínicos realizados em humanos, mostram sobre os efeitos desses medicamentos na alimentação, na composição corporal e na manutenção do peso.

Muito além de “tirar a fome”

Para entender como esses medicamentos funcionam, primeiro precisamos falar sobre o GLP-1.

A sigla vem do inglês glucagon-like peptide-1, ou peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1. Trata-se de um hormônio produzido principalmente no intestino e liberado após a ingestão de alimentos.

O GLP-1 participa de diferentes processos no organismo. Ele ajuda no controle da glicose no sangue, estimula a liberação de insulina quando a glicose está elevada e atua em regiões do cérebro envolvidas no controle da fome e da saciedade.

O GLP-1 produzido naturalmente pelo organismo, porém, permanece ativo por pouco tempo.

Os medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 foram desenvolvidos para imitar a ação desse hormônio, mas permanecer ativos no organismo por períodos mais longos.

Semaglutida e liraglutida são exemplos desses medicamentos.

A tirzepatida funciona de forma um pouco diferente. Além de atuar sobre o receptor de GLP-1, ela também age sobre o receptor de outro hormônio chamado GIP. Por esse motivo, é considerada um agonista duplo dos receptores de GIP e GLP-1.

Essa diferença é importante porque, embora semaglutida e tirzepatida sejam frequentemente colocadas no mesmo grupo quando se fala em emagrecimento, seus mecanismos de ação não são exatamente iguais.

Também é uma simplificação chamar todos esses medicamentos apenas de “injeções para emagrecer”. Eles atuam sobre diferentes mecanismos envolvidos no controle da glicose, da fome, da saciedade e do peso corporal.

Por que as pessoas passam a comer menos?

Um dos principais motivos pelos quais esses medicamentos promovem perda de peso é a redução da quantidade de alimentos consumidos.

Mas seu efeito é mais complexo do que simplesmente “tirar a fome”.

A fome e a saciedade são controladas por diferentes sinais produzidos pelo cérebro, pelo sistema digestivo e por outros tecidos do organismo. Esses sinais ajudam a regular quando sentimos necessidade de comer, quanto consumimos e quando interrompemos uma refeição.

Os medicamentos que atuam sobre os receptores de GLP-1 podem influenciar esse sistema.

Ensaios clínicos realizados em humanos mostram que medicamentos como a semaglutida podem reduzir a ingestão de alimentos quando comparados ao placebo. Os participantes também podem apresentar redução da fome, aumento da saciedade e mudanças no controle da alimentação.

Alguns estudos observaram ainda redução dos desejos por determinados alimentos e melhora do controle sobre o ato de comer.

Outro mecanismo frequentemente associado a esses medicamentos é o retardo do esvaziamento gástrico.

Quando o estômago demora mais tempo para enviar seu conteúdo ao intestino, a sensação de estômago cheio pode permanecer por mais tempo.

No entanto, atribuir toda a perda de peso a esse efeito seria uma explicação incompleta.

Com o uso contínuo de alguns agonistas do receptor de GLP-1, o efeito sobre o esvaziamento gástrico pode diminuir. Mesmo assim, a redução da fome e da ingestão alimentar pode continuar presente.

Para a nutrição, uma das consequências mais importantes é bastante simples: muitas pessoas passam a comer consideravelmente menos durante o tratamento.

E comer menos não significa necessariamente comer melhor.

O peso perdido é só gordura?

Quando uma pessoa perde peso, é comum imaginar que todos os quilos eliminados correspondem à gordura corporal.

Na prática, não funciona assim.

Durante o emagrecimento, o organismo pode perder gordura, água e também parte da massa magra.

É importante entender que massa magra não significa apenas músculo. Ela também inclui órgãos, ossos e líquidos corporais.

Por isso, quando um estudo mostra redução da massa magra, não podemos concluir automaticamente que toda essa redução corresponde à perda muscular.

Os ensaios clínicos que avaliaram a composição corporal mostram que medicamentos como semaglutida e tirzepatida promovem uma redução importante da gordura corporal. No entanto, parte do peso perdido também pode vir da massa magra.

Em uma análise do estudo SURMOUNT-1, que avaliou a tirzepatida em adultos com sobrepeso ou obesidade, cerca de 75% do peso perdido correspondeu à gordura e aproximadamente 25% à massa magra.

A maior parte do peso perdido, portanto, veio da gordura corporal.

Ainda assim, a redução da massa magra merece atenção.

Essa perda não é exclusiva dos medicamentos baseados em GLP-1. A massa magra também pode diminuir quando o emagrecimento ocorre por meio de restrição de calorias ou outras formas de tratamento da obesidade.

Por isso, uma das questões que ainda estão sendo investigadas é se esses medicamentos provocam uma redução da massa magra maior do que seria esperado diante da quantidade de peso perdido.

A resposta ainda não é totalmente clara.

Os resultados podem variar de acordo com o medicamento utilizado, as características dos participantes, a duração do tratamento e os métodos usados para avaliar a composição corporal.

Também existe outra limitação.

Exames como o DXA são úteis para avaliar a composição corporal, mas não medem diretamente apenas a quantidade de músculos.

Para compreender melhor os efeitos do tratamento sobre a saúde muscular, também seria importante avaliar a força, a capacidade física e a qualidade do tecido muscular.

Comer menos significa comer pior?

Não necessariamente.

Uma pessoa pode consumir uma quantidade menor de alimentos e continuar mantendo uma alimentação nutricionalmente adequada.

O problema aparece quando a redução da ingestão é muito grande ou quando a alimentação já apresentava baixa qualidade antes do início do tratamento.

Nesse cenário, pode se tornar mais difícil atingir as necessidades de proteínas, vitaminas, minerais e fibras.

Isso não significa que medicamentos baseados em GLP-1 causem automaticamente deficiências nutricionais.

Até o momento, os ensaios clínicos disponíveis não permitem afirmar que todas as pessoas que utilizam esses medicamentos desenvolverão falta de vitaminas ou minerais.

O que existe é uma preocupação relacionada à redução da quantidade de alimentos consumidos.

Quanto menor a ingestão total, maior passa a ser a importância da qualidade dos alimentos escolhidos.

A proteína é um dos nutrientes que merecem atenção.

Como parte da massa magra pode ser perdida durante o emagrecimento, existe uma preocupação com o consumo adequado desse nutriente.

O desafio é que comer proteínas em quantidade suficiente pode se tornar mais difícil quando a pessoa sente pouca fome, fica satisfeita rapidamente ou apresenta sintomas como náuseas e sensação de estômago cheio.

Nesse cenário, simplesmente recomendar que o paciente “coma mais proteína” pode não resolver o problema.

É necessário considerar quanto a pessoa consegue comer, suas preferências, sua rotina, suas condições de saúde e a presença de efeitos adversos.

As fibras também merecem atenção.

Frutas, verduras, legumes, feijões e cereais integrais são fontes importantes desse nutriente. Quando o consumo total de alimentos diminui, a ingestão de fibras também pode cair.

Vitaminas e minerais representam outro ponto de interesse.

Uma alimentação pouco variada e baseada em pequenas quantidades de alimentos com baixa qualidade nutricional pode dificultar o consumo adequado desses nutrientes.

Ainda assim, é preciso evitar conclusões exageradas.

Faltam ensaios clínicos de longa duração desenvolvidos especificamente para avaliar possíveis deficiências de vitaminas e minerais em pessoas que utilizam esses medicamentos para o tratamento da obesidade.

Portanto, recomendar suplementos para todas as pessoas que usam medicamentos baseados em GLP-1 não é uma conduta automaticamente justificada pelas evidências disponíveis.

A necessidade de suplementação deve ser avaliada individualmente.

Náusea, constipação e outros efeitos: o que muda na alimentação?

Os efeitos gastrointestinais estão entre os eventos adversos mais comuns durante o tratamento.

Náuseas, vômitos, diarreia e constipação aparecem com frequência nos ensaios clínicos que avaliaram medicamentos como semaglutida e tirzepatida.

Na maioria dos casos, esses sintomas são leves ou moderados e aparecem com maior frequência no início do tratamento ou durante o aumento das doses.

Para muitas pessoas, eles diminuem com o passar do tempo.

A intensidade e a duração, porém, podem variar.

Quando a redução do apetite se soma à náusea e à sensação de estômago cheio, algumas pessoas podem ter dificuldade para consumir refeições completas.

Nesses casos, insistir em grandes porções pode aumentar o desconforto.

Algumas adaptações na alimentação podem ajudar na tolerância ao tratamento, como reduzir o tamanho das refeições e distribuir os alimentos em porções menores ao longo do dia.

Comer devagar e prestar atenção aos sinais de saciedade também pode ser importante.

Alimentos muito gordurosos podem ser mais difíceis de tolerar para algumas pessoas, principalmente na presença de náuseas.

A ingestão de líquidos também merece atenção, especialmente quando existem vômitos ou diarreia.

Nos casos de constipação, é importante avaliar o consumo de fibras e líquidos e o nível de atividade física.

No entanto, aumentar rapidamente a quantidade de fibras sem considerar a ingestão de líquidos e a tolerância individual pode aumentar o desconforto abdominal em algumas pessoas.

Também é importante não considerar qualquer sintoma gastrointestinal como normal apenas porque a pessoa utiliza esse tipo de medicamento.

Sintomas intensos, persistentes ou que impeçam uma alimentação e hidratação adequadas precisam ser avaliados pela equipe de saúde.

É possível proteger a massa muscular?

Essa é uma das principais perguntas relacionadas ao uso dos medicamentos para obesidade.

E a resposta ainda não está completamente definida.

Até o momento, faltam ensaios clínicos randomizados desenvolvidos especificamente para descobrir qual é a melhor estratégia para preservar a massa muscular em pessoas que utilizam medicamentos como semaglutida e tirzepatida.

Grande parte das recomendações atuais sobre proteínas e exercícios físicos vem de estudos realizados em outros contextos de perda de peso.

Essa diferença é importante.

Existem evidências de que a alimentação e os exercícios físicos, principalmente os exercícios de força, podem contribuir para a manutenção da massa e da função muscular durante o emagrecimento.

No entanto, ainda não podemos afirmar qual quantidade de proteínas ou qual programa de exercícios oferece os melhores resultados especificamente para pessoas que utilizam esses medicamentos.

Um ensaio clínico publicado em 2021 avaliou a combinação de exercício físico e liraglutida após uma fase inicial de perda de peso.

Os participantes receberam exercícios, liraglutida, a combinação das duas estratégias ou placebo.

Após um ano, tanto o exercício quanto a liraglutida contribuíram para a manutenção da perda de peso. A combinação das duas estratégias apresentou resultados ainda melhores na redução do peso e da gordura corporal.

O estudo mostra que atividade física e tratamento farmacológico podem fazer parte da mesma estratégia.

No entanto, é importante observar que a pesquisa utilizou liraglutida, e não medicamentos mais recentes, como semaglutida e tirzepatida.

Também não foi desenvolvida especificamente para determinar qual exercício seria mais eficiente para evitar a perda muscular.

Portanto, ainda precisamos de mais estudos.

Até o momento, não existe uma quantidade única de proteína nem um programa específico de exercícios comprovado como ideal para todas as pessoas que utilizam esses medicamentos.

O que acontece quando o tratamento é interrompido?

Uma das principais dúvidas sobre esses medicamentos é o que acontece quando a pessoa para de utilizá-los.

O peso perdido é mantido?

Os ensaios clínicos mostram que a recuperação de parte do peso após a interrupção é comum.

Um dos estudos mais conhecidos sobre esse assunto foi realizado a partir do ensaio clínico STEP 1, que avaliou o uso da semaglutida em adultos com sobrepeso ou obesidade.

Após o fim do tratamento, parte dos participantes continuou sendo acompanhada por mais um ano.

Nesse período, eles recuperaram, em média, cerca de dois terços do peso que haviam perdido.

Outro ensaio clínico, chamado SURMOUNT-4, avaliou o que aconteceu com pessoas que continuaram ou interromperam o tratamento com tirzepatida.

Inicialmente, todos os participantes receberam o medicamento.

Depois, eles foram divididos em dois grupos. Um continuou recebendo tirzepatida, enquanto o outro passou a receber placebo.

As pessoas que continuaram utilizando o medicamento perderam ainda mais peso.

Já aquelas que interromperam o tratamento recuperaram uma parte importante do peso perdido.

Esses resultados ajudam a entender por que a obesidade é considerada uma doença crônica.

Se um medicamento atua sobre mecanismos envolvidos na fome, na saciedade e no controle do peso, sua interrupção pode permitir que esses mecanismos voltem a favorecer a recuperação do peso.

Isso não significa que todas as pessoas recuperarão todo o peso perdido.

Também não significa que alimentação e atividade física sejam inúteis.

Significa que recomendar apenas que uma pessoa “mantenha os hábitos saudáveis” após interromper o medicamento pode ser uma resposta simples demais para um problema muito mais complexo.

A recuperação de peso não deve ser automaticamente interpretada como falta de disciplina ou fracasso do paciente.

Se o remédio reduz a fome, para que serve o nutricionista?

Essa talvez seja uma das perguntas mais interessantes trazidas pelos novos medicamentos para obesidade.

Durante muito tempo, boa parte das estratégias nutricionais para o emagrecimento esteve concentrada em ajudar o paciente a reduzir o consumo de calorias.

Os medicamentos baseados em GLP-1 mudaram parte desse cenário.

Muitas pessoas passam a sentir menos fome e a consumir naturalmente quantidades menores de alimentos.

Em alguns casos, o desafio deixa de ser apenas fazer o paciente comer menos.

Passa a ser necessário avaliar a qualidade do pouco que ele consegue comer.

O peso mostrado pela balança continua sendo uma informação importante, mas não conta toda a história.

É necessário observar a alimentação, a composição corporal, a presença de sintomas gastrointestinais, a prática de atividade física e outros fatores que podem influenciar a saúde durante o tratamento.

O planejamento alimentar também precisa considerar a quantidade de alimentos que a pessoa realmente consegue consumir.

O acompanhamento pode ajudar na escolha de alimentos nutricionalmente adequados, na adaptação da alimentação diante dos efeitos adversos e no acompanhamento das mudanças na composição corporal.

A relação com a comida também merece atenção.

Pessoas que passaram anos tentando controlar a alimentação podem perceber uma grande redução da fome ou dos pensamentos frequentes sobre comida.

Para algumas, essa mudança pode trazer alívio. Para outras, pode exigir uma adaptação à nova forma de perceber a fome e a saciedade.

O acompanhamento também precisa considerar a manutenção dos resultados em longo prazo e uma possível interrupção do medicamento.

Isso não significa que existe uma dieta específica para todas as pessoas que usam GLP-1.

As necessidades variam de acordo com idade, composição corporal, condições de saúde, atividade física, efeitos adversos e quantidade de alimentos que cada pessoa consegue consumir.

Nesse novo cenário, o medicamento não substitui a nutrição.

Mas também não faz sentido agir como se essas terapias não tivessem mudado a prática clínica.

O que a ciência ainda não sabe

Os medicamentos baseados em GLP-1 representam um dos maiores avanços recentes no tratamento da obesidade.

Mas isso não significa que todas as perguntas já tenham sido respondidas.

Uma das principais dúvidas está relacionada à composição corporal.

Sabemos que parte da massa magra pode ser reduzida durante o tratamento, mas ainda precisamos de estudos que avaliem melhor as mudanças na massa muscular, na força e na capacidade física.

Também existem poucas informações sobre os efeitos da redução da ingestão alimentar no consumo de nutrientes em longo prazo.

Ainda não sabemos com que frequência podem ocorrer deficiências nutricionais nem quais grupos apresentam maior risco.

A quantidade ideal de proteínas durante o tratamento também continua sendo uma questão em aberto.

O mesmo acontece com os exercícios físicos.

Ainda faltam estudos que comparem diferentes estratégias nutricionais e programas de exercício durante o tratamento com medicamentos como semaglutida e tirzepatida.

A duração das pesquisas também precisa ser considerada.

A obesidade é uma doença crônica que pode exigir tratamento durante muitos anos. Mesmo os grandes ensaios clínicos acompanham os participantes por períodos limitados quando comparados ao tempo durante o qual uma pessoa pode utilizar esses medicamentos ao longo da vida.

Também precisamos entender melhor o que acontece após muitos anos de tratamento e quais estratégias podem ajudar na manutenção dos resultados.

Reconhecer essas limitações não significa ignorar os benefícios já demonstrados.

Significa apenas compreender que resultados positivos em grandes ensaios clínicos não encerram a discussão científica.

A balança não conta a história inteira

Os medicamentos baseados em GLP-1 mudaram o tratamento da obesidade.

Ensaios clínicos mostram que semaglutida, tirzepatida e outras terapias podem promover grandes perdas de peso e melhorar diferentes aspectos da saúde.

Isso representa um avanço importante no tratamento de uma doença que, durante muito tempo, foi reduzida de forma injusta à falta de disciplina ou força de vontade.

Mas observar apenas os números mostrados pela balança oferece uma visão incompleta.

A redução da fome, as mudanças na alimentação, os efeitos gastrointestinais, as alterações na composição corporal e a recuperação de parte do peso após a interrupção mostram que o tratamento envolve questões que vão muito além de simplesmente comer menos.

Também é necessário reconhecer os limites do conhecimento atual.

Ainda precisamos entender melhor como preservar a saúde muscular, quais estratégias nutricionais oferecem os melhores resultados e como manter os benefícios em longo prazo.

Por isso, recomendações precisam ser feitas com cuidado.

Nem todas as preocupações levantadas sobre esses medicamentos foram comprovadas pelos estudos. Da mesma forma, possíveis problemas não devem ser ignorados apenas porque ainda faltam respostas definitivas.

O desafio é trabalhar com as melhores evidências disponíveis, reconhecer seus limites e adaptar o acompanhamento às necessidades de cada pessoa.

Os medicamentos baseados em GLP-1 não tornam a alimentação, a atividade física ou o acompanhamento profissional desnecessários.

Também não devem ser vistos como uma solução simples para um problema complexo.

Eles representam uma nova e importante ferramenta no tratamento da obesidade.

Para a nutrição clínica, talvez a principal mudança seja esta: diante de medicamentos capazes de reduzir significativamente a fome e promover grandes perdas de peso, o objetivo não pode ser apenas fazer o número da balança diminuir.

É preciso pensar na qualidade da alimentação, na composição do peso perdido, na preservação da saúde e na manutenção dos resultados ao longo do tempo.

No fim, o verdadeiro avanço no tratamento da obesidade não será medido apenas pela quantidade de quilos perdidos.

Será medido pela capacidade de transformar essa perda de peso em mais saúde, qualidade de vida e cuidado em longo prazo.

Referências

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