Os “comuns” do cotidiano
Em tempos de exibição de performances, relações parassociais, exposição intensa na internet, pessoas procurando mais e mais engajamento…
Os “comuns” do cotidiano
Em tempos de exibição de performances, relações parassociais, exposição intensa na internet, pessoas procurando mais e mais engajamento, fama e seguidores, exigência de aparecer intensamente, venda de fórmulas prontas em busca de sucesso ou do protagonismo fácil e crescente, há quem leve o cotidiano de um jeito discreto, longe dos holofotes das telas. Muitas vezes nem são conhecidos ou reconhecidos e as pessoas pouco sabem de suas vidas. Eu falo dos “comuns”. Gente que simplesmente vive ou sobrevive sem chamar tanta atenção.
Não estou usando o termo de forma pejorativa. Ser “comum” é subjetivo e nem sempre é ruim, pois o mundo vai além daqueles que vivem somente o topo exibindo a vida em busca de reconhecimento, relevância e poder. Eu me considero “comum”. Você, que está lendo este, talvez também seja alguém “comum”. O “comum” não é necessariamente a derrota total, apesar de os gurus e coachs aparecerem por aí espalhando palavras desprezíveis em relação a quem é um “comum” do dia a dia.
A maioria das pessoas é “comum”. Algumas delas por excesso de autoestima ou falta de consciência de classe acreditam que não. Mas são. Sei que na pressa diária os “comuns” deixam de ser notados ou valorizados por causa da correria dos dias “comuns” que se repetem no automático, tornando menor a capacidade de percepção da importância de certos movimentos rotineiros.

Foto: Pixabay
Os “comuns” apresentam características e pensamentos diferentes. Há os que sonham em um dia deixar de ser “comum”. Tem os que desejam seguir sendo “comum” ou querem manter uma vida “comum”, com conforto e estabilidade, fugindo de enfrentar grandes mudanças na eterna procura por mudanças. Uns visam águas calmas, enquanto outros “comuns” almejam subidas ou experiências fora do “comum”. Existe quem ache a vida “comum” chata e quem pretende nunca trocá-la.
As pessoas “comuns” estão em variados cenários. Só que ao contrário do que acontece nos filmes, na vida real alguns figurantes- “comuns” — exercem papéis fundamentais na construção das histórias da rotina. Apenas não haverá câmeras registrando e muito menos dando glamour.
Os “comuns” são peças silenciosas da engrenagem que faz a sociedade funcionar. Podem passar despercebidos, porque parecem realizar só coisas supostamente simples. Porém, este simples fica simples pela eficiência dos “comuns” em cumprir atividades consideradas pela sociedade como “comuns”. Por isso, representam funções que às vezes são vistas como pequenas pelos olhares de certas pessoas, mas possuem papel essencial na união dos pontos que movem o cotidiano.
Assim os “comuns” seguem suas vidas como figurantes de um filme ou jogadores de futebol que atuam de maneira discreta dentro do campo. Cada um deles traz a possibilidade de fazer fluir o dia a dia de vários tipos de pessoas que precisam dos serviços dos “comuns”.
메타데이터
- post_id
- 8b60a5fee665
- slug
- os-comuns-do-cotidiano-8b60a5fee665
- url
- https://medium.com/@aleatoriedadesdamente/os-comuns-do-cotidiano-8b60a5fee665
- canonical_url
- https://medium.com/@aleatoriedadesdamente/os-comuns-do-cotidiano-8b60a5fee665
- author_url
- https://medium.com/@aleatoriedadesdamente
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-06-27 07:40:21