a quem possa interessar
“He who practises the Dharma abides in happiness with a pacified mind.” (Dhammapada 79)
a quem possa interessar
To Live One Day
“Better it is to live one day seeing the Supreme Truth than to live a hundred years without ever seeing the Supreme Truth.”
(Dhammapada 115)
faz uma semana que me dedico ao meu aprimoramento espiritual como budista desde o nascer até o pôr do sol. me abdiquei de práticas mundanas e pensamentos moralmente repreensivos pelo budismo e adquiri uma dieta ovovegetariana como ensinado em templos budistas, repreendi minha vida social e aprendi que o silêncio é a melhor resposta para todos os momentos da minha vida.
visitei o templo zulai, em cotia, acabei vendo uma palestra sobre budismo e a morte, pratiquei meditação em grupo e fiquei sozinha com meus pensamentos e reflexões sobre tal assunto. me peguei pensando no blog do nato e lembrei que mesmo depois de ler tanto sobre a morte de epicuro, a falência ainda é algo que me assusta.
“Samsara tem o sentido literal de ‘perambulação.’ Muitas pessoas pensam que esse é o nome Budista para o lugar em que vivemos no momento — o lugar que abandonamos quando vamos para nibbana. Mas nos textos Budistas mais antigos samsara é a resposta, não para a pergunta, “Onde nós estamos?” mas para a pergunta, “O que estamos fazendo?” Ao invés de um lugar, é um processo: a tendência de ficar criando mundos e depois se mudando para dentro deles. À medida que um mundo se desintegra, você cria um outro e lá se instala. Ao mesmo tempo, você dá de cara com outras pessoas que também estão criando os seus próprios mundos. (,,,) O Buda tentou encontrar o caminho para parar essa ‘samsar-ização’. E uma vez que ele o encontrou, ele encorajou outros a seguí-lo também.”
– Ajaan Thanissaro
sentar e refletir sobre samsara me fez compreender que eu tenho todo o tempo do mundo para viver sob a escuridão da ignorância e aceitar meu destino como leiga, ás vezes quero saber de tudo mesmo não estando apta a aceitar naquilo que acredito. sinto que o nirvana está sempre ao meu alcance, estou sempre tão perto de atingi-lo mesmo sem fazer esforço para tal. não sofro, não minto como eu sinto, sucinta, como um conde de saint-germain me abdico de conhecimentos mundanos.
o samsara é a vida como a vivemos sob a influência da ignorância, o mundo subjetivo que cada um de nós cria para si mesmo. este mundo contém bem e mal, alegria e dor, mas são relativos, não absolutos; eles só podem ser definidos em relação uns aos outros e estão continuamente se transformando nos seus opostos. embora o samsara pareça ser todo-poderoso e onipresente, ele é criado pelo nosso próprio estado de espírito, como o mundo de um sonho, e pode ser dissolvido no nada como o despertar de um sonho. quando alguém desperta para a realidade, mesmo que por um momento, o mundo não desaparece, mas é experimentado em sua verdadeira natureza: puro, brilhante, sagrado e indestrutível. não tenho mais medo da morte pois consigo compreender que a morte vai me manter nesse ciclo interrupto de sofrimento, sofro pela ignorância de algo que eu anseio de maneira negativa, eu sofro por antecipação e fico incapaz de aproveitar a vida que foi me oportuna nesse ciclo de vida.
ao mesmo tempo que compreendo essas ideias, ainda estou presa no samsara, ainda estou presa no desejo, e eu estou conformada com isto. eu desejo existir e ser feliz, desejo estar no plano imaterial, mesmo que não seja meu presente, ainda me mantém em sofrimento por ansiar pela felicidade. a paz vem de dentro, não de fora, infelizmente estamos presos num mundo material e imoral perante tal prática budista, não conseguiremos atingir nirvana enquanto existir desejo e objetivos materiais.
“A maioria das pessoas se sente confortável o suficiente no samsara. Eles realmente não têm a aspiração genuína de ir além do samsara; eles só querem que o samsara seja um pouco melhor. É bastante interessante que “samsara” tenha se tornado o nome de um perfume. E é assim. Isso nos seduz a pensar que está tudo bem: o samsara não é tão ruim; cheira bem! A motivação subjacente para ir além do samsara é muito rara, mesmo para pessoas que vão aos centros de Dharma. Há muitas pessoas que aprendem a meditar e assim por diante, mas com o motivo subjacente de que esperam se sentir melhor. E se isso acaba fazendo com que eles se sintam pior, em vez de perceberem que isso pode ser um bom sinal, eles pensam que há algo errado com o Dharma. Estamos sempre procurando nos sentir confortáveis na prisão.” – Jetsunma Tenzin Palmo

Wheel of Time | Buddhist Documentary | Werner Herzog
existe um documentário sobre uma prática budista tibetana muito interessante, se chama *Wheel of Time ou (**bhavacakra), ***ela consiste em uma tradição de criar o samsara com instrumentos hiper delicados que demora dias para ser feito, ele pode ser feito em lugares não tão convencionais para o público mas também é feito na jornada ao himalaia dos tibetanos. a pintura do samsara é feita por uma equipe de monges e após horas de dedicação, eles destroem o ciclo, passam a mão e toda a pintura é desfigurada. o propósito principal é ensinar que nada é permanente, até práticas que demoram dias, anos, decadas ou séculos para serem aperfeiçoadas, tudo tem um propósito final e não levaremos ele para o fim. isso nos mantém em sofrimento. o propósito é desfigurar o apego que temos em coisas passageiras, como a pintura, mas não só a pintura, como a vida.

Wheel of Time | Buddhist Documentary | Werner Herzog
o bhavacakra não é algo fácil de ser executado e nem seria executado por algum acaso, ele foi metricamente calculado e matematicamente acurado em todos os aspectos, tendendo a ser totalmente perfeito. muitas pessoas imaginam que budismo é um estilo de vida ou religião apenas com bases filosóficas e éticas, porém na prática é muito adverso á esse conceito, o budismo tem uma fortíssima base metafisica e complexada de se compreender.

Wheel of Time | Buddhist Documentary | Werner Herzog

Wheel of Time | Buddhist Documentary | Werner Herzog
recomendo a todos que estiverem nos seus 15–20 anos assistirem esse documentário de mente aberta. não precisa se interessar por práticas budistas nem gostar aprofundamente de tal religião, mas sim estar aberto a novas descobertas éticas e compreensão além do seu ponto de vista sobre relações e fim de ciclos.
assista Wheel of Time por aqui se estiver mais interessado, recomendo por leitura *Samsara por **Ajaan Thanissaro***,
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- 2026-07-27 16:47:00