Deve o crente em Yeshua guardar o Shabat?
Um dos mandamentos mais antigos e frequentemente ignorados entre os seguidores de Yeshua (Jesus) é o Shabat, o dia de descanso. Apesar de…
Deve o crente em Yeshua guardar o Shabat?

Foto de Tara Winstead para Pexels
Um dos mandamentos mais antigos e frequentemente ignorados entre os seguidores de Yeshua (Jesus) é o Shabat, o dia de descanso. Apesar de ser um dos Dez Mandamentos, muitos crentes hoje acreditam que ele foi abolido ou substituído por outro dia. Mas, o que realmente disse Yeshua? O que fizeram seus discípulos? Quem mudou o dia de adoração? Este artigo responde a essas perguntas com base nas Escrituras e em fatos históricos.
- Yeshua não aboliu a Lei Yeshua foi claro quanto à validade da Torá (a Lei):
“Não penseis que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til se omitirá da lei, até que tudo seja cumprido.” — Mateus 5:17–18
Aqui, o Messias declara que não veio cancelar a Lei. A palavra “cumprir” não significa “terminar”, mas viver plenamente o que a Lei ensina. Como o céu e a terra ainda existem, a Lei continua em vigor, incluindo o Shabat.
- O Shabat é um dos Dez Mandamentos O mandamento do Shabat se encontra em Êxodo 20:8–11:
“Lembra-te do dia de descanso, para o santificar… Em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra… e descansou no sétimo dia; por isso o SENHOR abençoou o dia de descanso e o santificou.”
Este mandamento faz parte do mesmo conjunto que diz “não matarás” e “não furtarás”. Se ainda consideramos válidos os outros nove mandamentos, por que descartar logo o quarto, o que nos chama a descansar e separar um dia para o Criador?
- Yeshua guardou o Shabat Longe de ignorá-lo, Yeshua honrou o Shabat e o viveu segundo seu propósito original. Em Lucas 4:16 lemos:
“Foi a Nazaré, onde havia sido criado, e no dia de descanso entrou na sinagoga, conforme o seu costume, e levantou-se para ler.”
Guardar o Shabat era seu costume. Além disso, em Mateus 24:20, falando dos eventos do fim, advertiu:
“Orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no dia de descanso.”
Isso demonstra que mesmo em tempos futuros, Yeshua esperava que seus discípulos considerassem o Shabat como um dia especial e guardado.
- Fazer o bem no Shabat é parte de seu propósito Um dos mal-entendidos mais comuns é pensar que o Shabat proíbe absolutamente toda forma de trabalho, mesmo quando se trata de ajudar ou salvar vidas. No entanto, Yeshua esclareceu que o Shabat não anula a misericórdia nem a compaixão:
“É lícito no dia de descanso fazer o bem, ou fazer o mal; salvar a vida, ou tirá-la?” — Marcos 3:4
Também disse:
“Quem dentre vós que tenha uma ovelha, se esta cair num buraco no dia de descanso, não a pega e a tira? Pois quanto mais vale um homem do que uma ovelha. Portanto, é lícito fazer o bem no dia de descanso.” — Mateus 12:11–12
Estas palavras confirmam que ajudar uma pessoa ou um animal em necessidade não só é permitido, como é o correto no Shabat.
Portanto, profissões como médicos, enfermeiros, bombeiros, policiais, socorristas, e qualquer outro que atue para salvar ou proteger vidas humanas ou animais, podem exercer seu trabalho no Shabat sem temor de estar quebrando-o. O importante é manter a intenção de santificar o dia, agir com compaixão e honrar a Deus em tudo.
- Os apóstolos também guardavam o Shabat depois da cruz Muitos acreditam que a morte e ressurreição de Yeshua aboliram o Shabat. Mas a evidência do livro de Atos demonstra o contrário:
Atos 13:42–44: Paulo prega na sinagoga no Shabat, e os gentios pedem que ele lhes pregue no Shabat seguinte. Atos 17:2: “E Paulo, como costumava, foi a eles, e por três dias de descanso discutiu com eles…” Atos 18:4: “E discutia na sinagoga todos os dias de descanso, e persuadia judeus e gregos.”
Se os apóstolos pregavam e se reuniam no Shabat, até mesmo com gentios, é claro que nunca consideraram abolido esse dia sagrado.
- Quem mudou o dia de descanso? Não foi Yeshua A mudança do dia sagrado do sétimo dia (sábado) para o primeiro dia (domingo) não foi ordenada por Deus. Essa mudança foi um ato político e religioso do imperador romano Constantino, que no ano 321 d.C. decretou:
“No venerável dia do Sol, que os magistrados e o povo descansem…”
Esse edito não teve base bíblica, mas foi parte de uma fusão entre o cristianismo e o paganismo romano. A Igreja institucional posterior adotou essa prática, afastando-se das raízes hebraicas da fé.
- O Shabat também será guardado na eternidade O profeta Isaías declara que o Shabat não é apenas para o passado ou o presente, mas também para o futuro glorioso do Reino de Deus:
“E de mês em mês, e de dia de descanso em dia de descanso, virão todos adorar diante de mim, diz o SENHOR.” — Isaías 66:23
Isso confirma que o Shabat tem um caráter eterno, como sinal da aliança entre Deus e seu povo.
O Shabat é uma bênção, não um fardo Yeshua nunca aboliu o Shabat. Ele o viveu, o santificou, o ensinou, e seus discípulos continuaram observando-o. É um dia para descansar, adorar, refletir e renovar nossa relação com Deus.
Guardar o Shabat não é legalismo, é obediência amorosa:
“Se me amais, guardai os meus mandamentos.” — João 14:15
O inimigo tem tentado ocultar esse mandamento por séculos, mas o Espírito de Deus está despertando corações para voltar às veredas antigas (Jeremias 6:16). É tempo de restaurar o que foi perdido e voltar a honrar o dia que Deus abençoou desde a criação.
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