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Beta Redação recebe três treinadores consagrados nas Olimpíadas de Tóquio

Evento online contou com a presença de André Jardine, Haroldo Loureiro Gomes e Moacir Mendes Júnior

Mariana Necchi in Redação Beta · 2021-08-26 19:50 · 0 claps · 5.7 min read
#esporte #olimpíadas #treinadores
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Beta Redação recebe três treinadores consagrados nas Olimpíadas de Tóquio

Evento online contou com a presença de André Jardine, Haroldo Loureiro Gomes e Moacir Mendes Júnior

André Jardine interagiu via Teams e respondeu as perguntas dos alunos. (Imagem: Microsoft Teams/Reprodução)

André Jardine interagiu via Teams e respondeu as perguntas dos alunos. (Imagem: Microsoft Teams/Reprodução)

*Por: **Mariana Necchi, [Mayana Serafini](https://medium.com/@mayanaserafini) e [Thomás Domansk*i](https://medium.com/@thomasramosd)**

Por trás de cada atleta olímpico há um treinador. As Olimpíadas de Tóquio 2020 ficaram marcadas pela superação, diversidade e, principalmente, pelo recorde de medalhas brasileiras na competição — 21 no total, divididas entre sete de ouro, seis de prata e oito de bronze.

Para falar sobre os bastidores, preparação e resultados nas Olimpíadas, a Beta Esporte recebeu, na segunda-feira, 23, três destacados treinadores: André Jardine, ouro com a Seleção Brasileira de futebol masculino, José Haroldo Loureiro Gomes, bronze no atletismo com Alisson dos Santos e bronze no salto de vara com Thiago Braz, e Moacir Mendes Júnior, peça fundamental para a conquista do bronze no judô de Mayra Aguiar e Daniel Borges Cargnin.

Sucesso nas categorias de base, André Jardine se consolida como técnico campeão

Ao conquistar o bicampeonato olímpico, André Jardine acabou por entrar no hall dos principais treinadores do futebol brasileiro. Calmo e bem articulado, o porto-alegrense relembrou a sua trajetória ao longo dos anos, chegando até os dias atuais, onde conquistou o feito histórico no comando da seleção olímpica. Quando pequeno, Jardine conta que possuía o sonho de se tornar jogador profissional de futebol: “Joguei dos 10 aos 15 anos (…), mas eu acho que eu fui muito feliz na escolha que fiz de parar de jogar. Foi uma escolha muito pessoal, na qual eu acho que eu ainda tinha nível de talvez ir um pouquinho mais longe, mas não sei se teria condição de virar um jogador profissional”.

Aos 20 anos, André já sabia que queria ser treinador de futebol. Formado em educação física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o profissional relata que ingressou no curso com o seu objetivo traçado. Enquanto seus colegas do período da faculdade se reuniam em bares ao redor do campus, Jardine passava suas horas na biblioteca atrás de mais conhecimento na área desejada. “Entre uma aula e outra, eu ia para a biblioteca, buscava sempre algum livro voltado para o que eu queria fazer. Então isso foi um diferencial que eu vejo na minha trajetória, foi muito cedo saber aquilo que eu queria ser e muito cedo buscar me diferenciar dos outros”, relembra ele.

Jardine iniciou a sua carreira como treinador no time de base do Sport Club Internacional em 2003, permanecendo na mesma função até 2013, quando saiu para comandar a categoria de base do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Após essa experiência, seguiu para o São Paulo Futebol Clube, em que, após 3 anos no comando da base, passou por uma curta experiência sendo o treinador do time profissional do clube. Em abril de 2019, André foi convidado para assumir a Seleção Brasileira Sub-20 e, na sequência, passou a comandar o treinamento da Seleção Brasileira Sub-23. Em sua história, André possui mais de 30 títulos colecionados, sendo o principal deles o título conquistado nas Olimpíadas de Tóquio, no qual se tornou o primeiro técnico vencedor ao comandar a seleção olímpica no exterior.

Ao falar do recente título, o treinador exalta a importância da união do grupo: “A gente acertou em cheio, foi um grupo que realmente soube viver as Olimpíadas intensamente, soube ser um grupo, soube encontrar na parceria, na lealdade, na amizade e no trabalho coletivo a grande força nossa. Isso refletiu sem dúvida dentro do jogo”. Sobre o seu futuro no comando da seleção sub-23, ele declara: “Não sei o quanto ainda tenho coisas para viver ali dentro (Confederação Brasileira de Futebol — CBF), espero que em breve eu discuta com a direção e saiba exatamente qual é o próximo passo, qual é o próximo projeto, para poder também tomar minha decisão de para onde eu sigo”.

O espírito de equipe do técnico Arataca

Arataca em conversa com os alunos da Beta Esporte. (Imagem: Microsoft Teams/Reprodução)

Arataca em conversa com os alunos da Beta Esporte. (Imagem: Microsoft Teams/Reprodução)

Conhecido como um dos treinadores mais renomados do atletismo Brasileiro, José Haroldo Loureiro Gomes tem uma trajetória esportiva repleta de vitórias. Arataca, como foi apelidado na época de escola, treinou diversos atletas presentes em sete jogos olímpicos, medalhistas em mundiais e jogos Pan-Americanos. Cearense, nascido em Fortaleza, migra com o pai militar e sua família para o Sul, após o Golpe de 64. Com 40 anos de Sogipa, o professor dedicou praticamente metade da sua vida ao esporte. Além de ser técnico da Seleção Brasileira, o professor também foi, durante 12 anos, técnico da Confederação Brasileira de Atletismo.

Durante os jogos de Tóquio, muito se falou sobre a saúde mental e pressão sofrida pelos atletas. Arataca contou que esse é o momento em que cada profissional tem a oportunidade de mostrar tudo que pode, então existe pressão por parte dos patrocinadores, dos clubes e, às vezes, até do próprio comitê olímpico. Segundo o técnico, temos uma cultura em que o segundo lugar é considerado o último colocado da competição. ‘’A gente tem tentado mudar essa ideia de que a medalha de prata e bronze são derrotas. É muito difícil a gente mudar essa cultura, mas acredito que com entretenimento, lazer e principalmente os valores reforçados dos jogos, a gente tem avançado muito no movimento olímpico’’, contou.

Sobre a experiência olímpica, o professor ressalta que a convivência com os atletas durante o período de treinamento é o que deixa os competidores muito mais próximos. Todos torcem para todos e, apesar das diferenças culturais, no final todo mundo se sente parte de uma família.

Mais de 90% da população japonesa era contra a realização dos jogos no país. Por isso, os protocolos de segurança contra Covid-19 foram super rigorosos, incluindo testes diários e diversas restrições para os participantes do evento. Fazer turismo era proibido, então a rotina diária foi resumida entre ficar no hotel e ir para a pista treinar. Mesmo com a insatisfação local com as Olimpíadas, os japoneses respeitaram os jogos e ajudaram muito para que tudo desse certo. Por isso Arataca ressalta: ”Se os Jogos Olímpicos não fossem no Japão, não haveriam jogos’’. A seleção de atletismo passou 21 dias na Vila Olímpica, que segundo o técnico, foram fantásticos pela companhia de diversas raças e etnias.

A visão objetiva do treinador-atleta Moacir

“Um beijo para o Moacir. Ele me fez amar a luta no chão e acreditar”, foram as palavras emocionadas da judoca Mayra Aguiar após a conquista do bronze — e, agora, ela carrega o título de ser a primeira atleta brasileira a ter três medalhas olímpicas na categoria de esporte individual. “Fui muito insistente para fazer ela entender o quanto aquilo era importante. Ter feito ela amar a luta no chão vale mais do que uma medalha”, conta o sensei Moacir.

Moacir Mendes Júnior, de 40 anos, é um dos maiores e principais mentores do judô no Brasil: além de Mayra, ele também treina os fundamentos de luta no chão dos atletas olímpicos Daniel Borges Cargnin, Ketleyn Quadros, Maria Portela e Rafael Macedo.

A trajetória de Moacir na modalidade iniciou ainda na infância. Movido pelo incentivo da família, começou a treinar aos 4 anos: “O judô logo se tornou uma parte importante da minha vida e fiz disso a minha prioridade. Sempre tive uma construção sólida do que eu queria”, conta. Durante a carreira como atleta profissional, o canoense se consagrou tetracampeão brasileiro, tricampeão do Troféu Brasil, medalhista de ouro no Campeonato Pan-Americano de 2006 e foi eleito o melhor do mundo na prática da luta no chão, em 2012, pela Confederação Internacional de Judô. Como professor e treinador, atualmente é integrante da comissão técnica da Sogipa, da Aliança Mário Reis e colabora com a Seleção Brasileira. Além disso, tem a sua própria academia.

O caminho para ser campeão é formado por persistência, esforço e, principalmente, escolhas: “Cansei de ver meus amigos indo para festas e se divertindo, enquanto eu ficava trancado em casa porque tinha que descansar para treinar no dia seguinte”, relembra. “Eu fui beber a primeira gota de álcool aos 31 anos. O medo de afetar a minha performance me fez ficar totalmente focado na saúde”, diz.

Para motivar os alunos nas competições, Moacir usa da sua vasta experiência no esporte: “Eu já estive do lado lá. Eu sei o que o atleta pensa, o que sofre (…). Tento abordar essas questões de uma maneira mais leve. E sempre lembrando que tudo isso faz parte de um grande processo, porque o sofrimento faz parte. Não existe glória sem sacrifício”, completa.


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