Entre primaveras e recomeços
27/09/25 — 18:14
Entre primaveras e recomeços
27/09/25 — 18:14
Nosso encontro foi preciso. Poderia colocar na conta do acaso mais uma — coitado — seria uma injustiça. Nos atraímos como centro de gravidade, pois além de tudo era necessário (como disse, muito bem dito por Guimarães Rosa).
A primavera começou e com ela, inúmeros recomeços. Mudanças repentinas. Folhas caindo, flores nascendo, tudo isso sem pedir. O tônus do existir. As marcas daquilo que foi se estendem pelo chão — agora, já repleto de pétalas e pegadas quase que esquecidas deixadas para trás.
O vento corre. Aquilo que era seu, agora carrego comigo. Assim como o que era meu, deixei com você. Nessa nova estação, o que nascera será um pouco de mim em você — assim como, de você em mim.
Recomeços exigem de nós, coisas que jamais seríamos capazes de fazer até mesmo se planejássemos — um belo dia, tudo precisa mudar e tudo muda. Não planejamos os grandes acontecimentos da vida. Simplesmente somos convocados pelo simples devir. As folhas caem e não há o que se possa fazer para segurá-las. É o ciclo natural das coisas.
Segurar é impossível. Assim que a folha cai, o vento invade lembrando de como era sentir o frio. O frio da mudança. A dor daquilo que foi e já não é mais. Lembro-me da carta que nunca enviei naquela tarde — inútil contra o vento, mas necessário contra a ausência. E talvez seja por isso que ela se apresenta na primavera.
Há sempre novos começos em meio a recomeços. Assim como toda primavera uma nova primavera, diferente do que era. No mesmo instante, não há nenhuma estação que volte a ser a mesma e ainda sim, implica em ser.
메타데이터
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