Sem Escolha
Uma simples segunda havia terminado a um trabalhador qualquer, inclusive pra mim. Morava em Londrina há 6 meses. Depois de uma temporada de…
Sem Escolha
Uma simples segunda havia terminado a um trabalhador qualquer, inclusive pra mim. Morava em Londrina há 6 meses. Depois de uma temporada de 15 anos fora daquela cidade, qualquer programa ficaria um tanto tedioso.
Passou na frente do bar que usualmente frequentava, mas, se esqueceu que às segundas era o único descanso que eles proporcionavam aos funcionários. Tinha saído tarde do trabalho aquele dia, já eram 21h30. Não pensava em mais nenhum bar possivelmente aberto.
Estava nessa mesma hora escutando o som de um amigo, da última cidade que morou, e a música, fora do contexto dela, cabia muito bem ao seu momento atual, dizia “You gotta try, try, try”.
Se lembrou, que havia uma conveniência de um amigo que, possivelmente, estaria aberta. Como estava sem grana, foi bem a pé. Chegou umas 22h por lá e encontrou a conveniência quase fechando.
-
Arthur, está fechando já?
-
Sim, sim.
-
Me serve, ao menos, duas doses de whisky com coca num copo alto, por favor.
-
Claro! Gelo de coco?
-
Não, não. Gelo normal.
Foi passar o cartão e ele deu não autorizado.
-
Posso te pagar essa semana?
-
Claro!
Pegou seu drink e esperou seu amigo fechar a conveniência. Primeiro, pela segurança de seu amigo, segundo, não tinha escolha.
Continuou sua caminhada. Lembrou de um bar que frequentava após a catequese, com seus amigos de infância. O bar não era muito longe de onde estava, dava uns 20 minutos no máximo.
No caminho, se lembrou dos amigos de infância e as belas histórias que tinham por terem vivido todos aqueles momentos, depois da igreja, depois da aula e depois da faculdade e, hoje em dia, depois do trabalho. Apesar do tempo, continuavam amigos. Infelizmente, naquela segunda, nenhum podia tomar um biricutico, pois, estavam somente sendo adultos.
Ao chegar na frente do bar, adivinha? Fechado. Se sentou na mureta da frente, ainda nostálgico pelas lembranças que acabara de ter e terminou seu drink, fumando um cigarro. Já estava suando mais que o normal, visto que a cidade era muito quente.
Pensou em ir no bar que ia junto aos amigos depois da escola, no terceiro ano colegial, mas, lembrou que esse havia fechado há uns anos. Não tinha escolha. Como estava sem bebida, passou num posto 24h que tinha ali ao lado.
Chegando no posto:
-
O meu amigo, meu cartão não está passando. Consigo pegar um whisky de bolso e uma coca e te pagar depois?
-
Meu caro, sabe que não. Não sou dono.
Lembrou que tinha um pouco de dinheiro na conta. Pegou a bebida e um maço de cigarro e continuou sua caminhada. Sua saída foi uma casa de baixo meretrício que tinha aberto perto de sua casa. Não tinha escolha.
Após uns 10 minutos de caminhada, chegou lá, pediu um drink e uma donzela se sentou ao seu lado. Conversou com ela:
-
Faz tempo que trabalha aqui?
-
Tempo suficiente pra saber que você só quer conversar.
-
Olha, não me conhece direito.
-
Então, me diz, falei alguma coisa que não é verdade?
-
Não. Realmente só quero conversar.
-
Me paga um drink?
-
Claro.
Marcou em sua comanda. Havia realmente esquecido que seu cartão não estava passando. A conversa durou trinta minutos, no máximo. Apesar de simpática, a moça só queria um cliente para tirar seu troco e não estava muito afim de papo. Não tinha escolha.
Ao se levantar para pagar a conta, foi a até o caixa e não passou o cartão. Arrumou alguma briga, tentando culpar a máquina de cartão, que havia sido usada 5 minutos atrás com outro cliente. Tomou dois tapas do Leão de chácara que cuidava do estabelecimento, deixou o celular penhorado e foi embora.
Três quadras de casa, encontrou um morador de rua que não gostava. Já estava com sangue no canto da boca, sem muita vontade de ser educado:
-
Ôooo irmão, tem dois reais aí?
-
Pra você, não dou nem meio cigarro, filho da puta.
Estava tão bêbado, que tentou dar um soco no cara e errou. Brigaram por 2 minutos, no máximo. Nem um e nem outro tinham condições físicas de estender aquilo por mais que aquilo. Desistiram.
Menos de vinte metros de casa, viu uma marquise com escada e se sentou para descansar. Dormiu.
Acordou de manhã e foi pra casa. Não tinha escolha.
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- 2026-06-22 08:33:11