Agro e Indústria, uma aliança necessária.
Não é surpresa para ninguém que o Agronegócio vem crescendo impressionantemente nos últimos anos. No entanto, por mais que ele tenha se…
Agro e Indústria, uma aliança necessária.

Não é surpresa para ninguém que o Agronegócio vem crescendo impressionantemente nos últimos anos. No entanto, por mais que ele tenha se tornado um fator importante na economia do nosso país, ele não pode manter nosso país sozinho. Obviamente, para um país crescer é necessário que todos os agentes de uma economia cresçam de uma forma conjunta. Quando isso não acontece, o país não atinge todo o seu potencial e enfrenta crise após crise, sempre “remediando” o problema de forma temporária. É o que acontece no Brasil nos últimos anos, independentemente do governante da vez. Claro, sempre existem os “Bons momentos”, onde a economia se mantém estável, mas mais cedo ou mais tarde a crise ressurge. Um dos motivos disso acontecer é o que citei no início desse artigo. Enquanto o Agro foi ganhando força, o país começou a passar por um período de desindustrialização (iniciado no começo dos anos 80), e continua até hoje.
Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA):
“Em 2020 o setor agropecuário representou 26,6% do PIB brasileiro” e “A indústria, que inclui as atividades extrativas, de transformação, construção e produção e distribuição de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, representa cerca de 22% do PIB brasileiro” e “O setor de serviços é o maior componente do PIB brasileiro, representando aproximadamente 52% do PIB. Este setor inclui atividades como comércio, transporte, armazenagem, correio, serviços de informação, intermediação financeira, previdência complementar, atividades imobiliárias, administração pública, saúde, educação e seguridade social.”
Como podemos ver, por mais que o Agro esteja vivendo seu maior momento, o setor de serviços é o maior componente do nosso PIB. E a enfraquecida indústria, continua sendo um fator relevante para nossa economia. É importante lembrar que muito do que é produzido pela indústria brasileira e pelo setor de serviços vem de produtos produzidos pelo Agronegócio. No entanto, é evidente o crescimento desproporcional desse setor em relação aos outros.
O Brasil tem muito a perder num cenário como esse, e de fato, é isso que vem acontecendo nos últimos 20 anos. A questão industrial brasileira deve parar de ser entendida como uma pauta somente de esquerda ou direita, mas sim como algo de interesse da nação como um todo. Infelizmente, vivemos tempos onde pautas importantes como essa vão sendo tomadas por interesses políticos e algo que beneficiaria a todos se torna somente pautas de interesse de alguns.
Ironicamente, a região Centro Oeste parece estar aprendendo essa lição. Com o índice de indústrias sendo implementadas vem aumentando a longo do tempo. Segundo dados do IBGE, o estado de Goias lidera o número de indústrias no Centro Oeste com mais de 7 mil unidades industrias na região, isso corresponde cerca 52,6% de empregos na região. Mato Grosso vem em segundo com 3,154, Mato Grosso do Sul 1, 929 e o Distrito Federal com cerca de, 1262 no total.
Também segundo o IBGE: “A fabricação de produtos alimentícios representa mais da metade da receita líquida industrial de Goiás, com 54,9% da participação. O valor de transformação industrial (VTI) de Goiás foi de R$ 64,8 bilhões, superior ao de Mato Grosso (R$ 41,1 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 36 bilhões) e Distrito Federal (R$ 4 bilhões.”
Todos esses numeros são impressiontantes. No entanto todos esses valores, são “pequenos” perto do que poderia ser feito com o investimento e a estrategia adequeada. Conforme a nossa agricultura cresce é importante que os nossos produtos agricolas, como por exemplo a Soja, Milho, Arroz e Algodão sejam processados para gerarem o produto final. E isso abre uma de muitas oportunidades que o fortalecimento da industria brasileira poderia gerar. Podemos falar de exemplos que já acontecem, como o Mato Grosso se tornando um campeão nacional dos Biocombustiveis com suas Usinas de Etanol e Milho. Temos o exemplo das famosas industrias de processamento de alimentos em Goias que faturam valores listados em bilhões de dolares.
A roda da economia é clara: A agricultura produz a materia prima, a industria fabrica o produto final e os serviços fazem a sua distribuição. Essa antiga equação economica é tão atual hoje como era a 100 anos. E podemos observar o que acontece quando esse principio não funciona de forma igualitaria no nosso país hoje. Afinal, em 2025 o Centro Oeste (região do agro) será a unica região brasileira com uma previsão de crescimento no PIB, enquanto as outras, onde os outros setores são predominantes tem uma perspectiva de queda. E isso num cenario em que o país passa por uma nova crise economica com a inflação crescente. Todo esse cenario pode ser usado para demonstrar que o ciclo Agricultura X Industria X Serviços deve ser respeitado. Não podemos ser ingenuos, ou arrogantes a ponto de achar que só por que um setor da nossa economia está indo bem em uma região especifica, ela dará conta de sustentar o país inteiro.
A discussão economica brasileira é complexa, mas uma coisa é certa. Se o Brasil quiser sair desse ciclo interminavel de crises, deverá buscar uma forma de fortalecer todos os setores da sua economia de uma forma complementar, harmoniosa e o ter seu crescimento da forma mais igualitaria possivel.
Gabriel S. Carvalho
메타데이터
- post_id
- 90d14cb3e306
- slug
- agro-e-indústria-uma-aliança-necessária-90d14cb3e306
- url
- https://medium.com/@gabriel_carvalho/agro-e-ind%C3%BAstria-uma-alian%C3%A7a-necess%C3%A1ria-90d14cb3e306
- canonical_url
- https://medium.com/@gabriel_carvalho/agro-e-ind%C3%BAstria-uma-alian%C3%A7a-necess%C3%A1ria-90d14cb3e306
- author_url
- https://medium.com/@gabriel_carvalho
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-06-26 08:21:59