O peso do mundo e o tempo do meu passo
Chegar na vida adulta é sempre um convite à responsabilidade, à aceitação e à mudança. Os planos mudam o tempo todo de lugar; já não somos…
O peso do mundo e o tempo do meu passo

Chegar na vida adulta é sempre um convite à responsabilidade, à aceitação e à mudança. Os planos mudam o tempo todo de lugar; já não somos mais os mesmos de dez anos atrás — quem dirá vinte. Não somos mais crianças, embora ainda queiramos nos divertir, gargalhar e brincar. E podemos, sim, aproveitar cada momento da vida, afinal, o adulto criativo é apenas a criança que sobreviveu, mesmo com todos os desafios do tempo, do medo e da vida.
A gente vive, cresce e se desenvolve, e com isso surgem questionamentos sobre o que deveríamos estar fazendo. Escutamos frases como “na minha época era diferente”, ou “esses jovens de hoje em dia não querem nada com nada”. Mas, sinceramente, falo por mim — e talvez por uma boa parte dos jovens adultos: eu quero tudo, mas meus braços não comportam o peso do mundo. Cada vez que abraço uma coisa a mais, acabo derrubando algo que estava ali há mais tempo.
Nos dizem que precisamos trabalhar, estudar, casar, ter filhos, aprimorar a carreira, mudar de cidade, trocar de emprego, visitar os pais e ainda sair com os amigos. Mas a vida não funciona assim. Eu mesma brinco que o dia precisaria ter pelo menos umas quarenta horas para dar conta de tudo o que planejei — e, como isso não é possível, vou distribuindo as tarefas ao longo da semana. Às vezes não dou conta da metade; em outras, acelero o processo e faço além da conta. Mas, no fim, o cansaço chega. A exaustão vem disfarçada de preguiça, e o que muitos chamam de desinteresse talvez seja apenas o peso do excesso — de informação, de preocupação, de exigência.
A gente risca um item da lista e surgem mais três. E é nesse ciclo que aprendi, agora com meus trinta e poucos anos, que quero ir no meu ritmo. Pode parecer lento, mas sei que estou em movimento constante — como o The Flash, que de tão rápido, parece parado. Estou lá, seguindo, correndo, voltando. A vida é para frente que se anda, mas também é preciso olhar para trás e entender o que já não serve mais.
Hoje, na minha mochila, carrego apenas minhas versões antigas — e nada além. O resto é bobagem, excesso de bagagem. E eu não quero pagar mais caro por levar todo mundo na carona, nem carregar medos, ansiedades e preocupações que já não me cabem. Elas estão entranhadas nessas versões antigas, e cada uma carrega sua lição. Agora, quero trocar o “eu deveria estar fazendo” pelo “eu estou vivendo — esse é o meu processo”. Ele pode ser lento, mas é meu. E, no meu tempo, eu sigo em movimento.
메타데이터
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