A Longa Marcha, de Francis Lawrence
No auge de seus 77 anos, o mestre do terror Stephen King já teve inúmeras obras adaptadas para o cinema, entre elas o clássico sucesso…
A Longa Marcha — Caminhe ou Morra, de Francis Lawrence

No auge de seus 77 anos, o mestre do terror Stephen King já teve inúmeras obras adaptadas para o cinema, entre elas o clássico sucesso “Carrie, a Estranha” (1976, Brian De Palma), “Cemitério Maldito” (1989, Mary Lambert) e “O Iluminado” (1980, Stanley Kubrick), entre outros. Mais recentemente, o público pôde conferir nas telonas mais um de seus contos: o emocionante “A Vida de Chuck” (2024, Mike Flanagan).
O que apenas os fãs mais atentos à carreira do autor sabem é que, antes mesmo do sucesso de “Carrie, a Estranha”, ainda na década de 1960, quando frequentava os bancos da faculdade, o então iniciante Stephen King escreveu cinco romances sob o pseudônimo Richard Bachman.
Um desses títulos é “A Longa Marcha”, o segundo livro do chamado “Livro de Bachman”. Sua publicação, no entanto, não aconteceu de imediato — a obra só chegou às livrarias em 1979. Agora, décadas depois, sua aguardada adaptação finalmente ganha as telas, sob a direção de Francis Lawrence e com roteiro de JT Mollner.
O elenco traz nomes de peso e jovens talentos. Mark Hamill interpreta o tirânico Major; Garrett Wareing vive Stebbins (nº 38); Cooper Hoffman, Raymond Garraty (nº 47); David Johnson, McVries (nº 23); Tyt Nyuot, Baker (nº 6); Roman Griffin Davies, Curley (nº 7); e Judy Greer, Ginnie Garraty, entre outros.
Trailer
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Ficha Técnica
Título Original e Ano: The Long Walk, 2025. Direção: Francis Lawrence Roteiro: JT Mollner — baseado no romance de Stephen King (sob pseudônimo Richard Bachman). Elenco: Mark Hamill , Garrett Wareing , Cooper Hoffman , David Johnson, Tyt Nyuot, Roman Griffin Davies , Judy Greer , Ben Wang, Charlie Plummer, Teagan Stark. Gênero: Distopia, Drama, Suspense. Trilha Sonora Original: James Newton Howard. Figurino: Michael Wilkinson. Design de Produção: Nicolas Lepage. Fotografia: Jo Willems. Edição: Peggy Eghbalian e Mark Yoshikawa. Figurino: Heather Neale. Direção de Arte: Kathy McCoy. Produção: James Vanderbilt, Bradley J. Fischer, William Sherak. Produção Executiva: Stephen King, Francis Lawrence. Empresas Produtoras: New Line Cinema, Vertigo Entertainment, Temple Hill Entertainment, Catchlight Studios, 3 Arts Entertainment. Distribuição: Paris Filmes. Duração: Idioma original: Inglês. Duração: 130 min. Classificação indicativa: 16 anos.
A trama é ambientada nos Estados Unidos, em um futuro distópico governado por um regime autoritário de pulso firme. O ponto alto de cada ano é um game show mortal, em que cinquenta jovens são recrutados (teoricamente, de forma voluntária) para uma ultramaratona sem linha de chegada. O prêmio para o vencedor é único: realizar qualquer desejo pessoal.
As regras, contudo, são implacáveis. Cada participante deve manter o ritmo de 4,8 km/h, sem parar para absolutamente nada — nem para descansar, comer ou dormir. Quem falhar, é sumariamente executado. Essa prova de resistência brutal é transmitida para todo o país, transformando-se em espetáculo para as massas.
Não por acaso, a premissa de King inspirou diversas obras posteriores, entre elas “Jogos Vorazes”. De forma quase premonitória, o autor antecipou tanto a febre dos reality shows quanto a curiosidade mórbida em torno da vida alheia, fenômeno amplificado pelas redes sociais.
O roteiro ressalta o perfil dos jovens participantes: em sua maioria, de baixa renda, sem perspectivas de ascensão social e dispostos a qualquer sacrifício em troca de uma chance mínima de mudança — um reflexo direto de problemáticas ainda tão presentes no mundo atual.
Crédito de Imagens: © 2025 Lionsgate





O roteiro final do filme altera a história original dos personagens e Sthepen King concordou com as escolhas para o futuro dos protagonistas
O ritmo narrativo acompanha a tensão do livro, mergulhando o público na exaustão, na angústia e nos incômodos dessa caminhada fatal. A aridez do cenário intensifica a luta pela sobrevivência, enquanto a crueldade das execuções pesa sobre todos. Ainda assim, a situação extrema também cria laços inesperados de amizade e solidariedade, mostrando que, mesmo em meio ao caos, a chama da humanidade resiste.
Entre os personagens, destacam-se Ray Garraty, que deixou a mãe em prantos ao partir e carrega uma história de vingança, e Peter McVries, cujo vínculo com Garraty rende algumas das cenas mais emocionantes da narrativa.
Mais do que uma história de terror e distopia, “A Longa Marcha” convida à reflexão sobre as caminhadas diárias da vida: a luta pela sobrevivência em uma sociedade desigual, o peso do regime opressor, o ódio alimentado pelas circunstâncias e, ao mesmo tempo, os laços fortuitos que podem salvar vidas.
Stephen King prova mais uma vez que sua obra é atemporal e constantemente se renova, permanecendo atual, crítica e indispensável. Imperdível!
por Helen Ribeiro
HOJE NOS CINEMAS
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