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Entre fogo e água: a travessia dos sentimentos e da alma

(c. 2022)

Cárita · 2025-06-21 14:32 · 7 claps · 2.3 min read
#rosacruz #alquimia #viagem-astral #espiritualidade
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Entre fogo e água: a travessia dos sentimentos e da alma

(c. 2022)

Já deitada na cama para dormir, resolvi ler um texto de alquimia escrito por um amigo francês da Rosacruz. Assim que terminei de ler o texto, adormeci e, logo em seguida, despertei na minha cama, com paralisia do sono. Vi algo sair de mim, entre o meu cardíaco e o plexo solar: era um ser magro, em tom azul-escuro, que me olhou nos olhos e eu entendi: era minha raiva personificada. Não era raiva de ninguém especificamente, e sim o sentimento que já devia estar em mim há muito tempo.

Assim que ele saiu e se empoleirou sobre meu corpo, eu comecei a me transformar em labaredas de fogo que atingiam todos os cantos do quarto. Esse ser foi sumindo aos poucos, então despertei de fato: não havia fogo nenhum no quarto, claro! Mas a experiência me fez sentir renovada, ou melhor, transmutada. Algo que eu só via em rituais, o uso do fogo, eu havia usado em mim mesma: eu era o fogo.

Ao adormecer novamente, tive uma experiência extracorpórea marcante, desta vez, com outro elemento: a água. Eu estava prestes a atravessar uma ponte, acompanhada de uma mulher que sempre aparece nos meus sonhos. Às vezes, eu a confundo com a minha mãe por causa do cabelo longo, mas talvez ela seja uma amiga espiritual… Quem sabe?

Estávamos prestes a cruzar uma ponte que parecia ligar uma cidade a outra, ambas a pé. Ela segurou a minha mão direita e disse: “Assim que atravessarmos esta ponte, não tem mais volta. Você vai ter que deixar para trás todas essas pessoas”. E apontou para trás de mim. Vi ali diversos rostos de pessoas que fizeram parte do meu passado, as quais reconheci na hora. Ela me questionou novamente: “Quer ir?”. E eu disse que sim. Apenas acenei com a mão para os que ficaram.

No início da travessia, olhei para a água sob a ponte: era cristalina, linda, brilhava com os raios do Sol. Parei por um instante e comentei com ela sobre a beleza da água. Ela parou e apreciou comigo. Sabia que aquilo era novidade para mim, mesmo parecendo comum para ela… ou melhor, para a vida dela ali.

Do outro lado da ponte, esperavam por mim pessoas familiares, porém que não estavam na minha memória física naquele momento, e sim no meu coração. Elas esperavam ansiosas e amorosas pela nossa chegada, como se a ponte, por menor que fosse, demorasse muito para ser atravessada. A cidade do outro lado tinha ruas estreitas e construções antigas, lembravam bastante as ruas centrais de Paris, dos primeiros arrondissements, ruas que não foram destruídas pelas guerras. Porém, não era Paris, e conseguia ser muito mais bonita ainda.

Não me lembro como foi a minha chegada, não me lembro das pessoas que encontrei, se as abracei ou não. Mas lembro da sensação incrível do fogo, queimando e transmutando o que não condiz mais com a minha personalidade atual, e da água cristalina sob a nossa travessia.

As pessoas do passado ficaram no passado. Não tive mais contato com elas. E compreendi que o ciclo da vida é este: partir de algum lugar, se despedir de quem fica, e chegar a outro lugar, sendo recepcionada por quem já sentiu muito a nossa falta.


메타데이터
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