A dor humana e o vazio emocional
E se a anestesia da alma fosse pior que a ferida? Caminhamos pela vida tentando evitar a dor, mas não seria ela a única prova de que…
A dor humana e o vazio emocional
E se a anestesia da alma fosse pior que a ferida? Caminhamos pela vida tentando evitar a dor, mas não seria ela a única prova de que estamos vivos?

A mente humana é um dos maiores enigmas já vistos. Estamos em uma constante batalha emocional em busca daquilo que nos faz sentir minimamente vivos. Do mesmo modo que quando sentimos, buscando incessantemente por modos e maneiras de não sentir absolutamente nada.
“Its better to feel pain, than nothing at all”
— The Lumineers
A dor mata lentamente, nos corrói e leva todo e qualquer fragmento do que imaginamos fazer parte da nossa essência. Porém também nos reconstrói para lidar com tudo de novo, mas dessa vez, de maneira diferente.
A dor no ajuda a enxergar o mundo com outros olhos, outras cores, outras fontes e outro sentido. Ela altera toda a física do nosso pequeno órgão esponjoso que é responsável por tudo no nosso corpo.
O sofrimento constitui cada célula do nosso corpo, e foi através dele que nós, meros seres humanos, fomos capazes de criar as mais lindas artes, o mais lindo modo de se expressar, e o maior modo de transmitir tudo aquilo que guardamos por tantos anos.
Ela possui sua beleza, é inegável. Mas se sua beleza é tão grandiosa e necessária para o ser humano, por que nos faz desejar e ansiar pela morte?
“A dor deixa de ser sofrimento no momento em que encontra um sentido.”
— Viktor Frankl.
A dor nos faz desejar a morte porque ela se torna insuportável quando não há sentido, propósito ou alívio. Frankl traz muito desta ideia em seu livro, “Em busca de Sentido”. Quem encontra um significado, mesmo na angústia, pode suportar o insuportável. O momento em que encontramos um sentido para nossa aflição, ela se reduz a nada.
No momento em que a dor se encontra no ápice da ruptura para a realidade, que encontramos seu real sentido. Talvez demore. Um tempo que para muitos pode parecer uma eternidade, principalmente por aqueles assombrados pela depressão.
E é neste exato instante em que entro com a seguinte indagação.
A dor realmente é um dos piores sentimentos humanos? Existe algo que possa supera-lo e fazer com que enxerguemos de maneira inconsciente, as nuvens empoeiradas da morte em vida?
A dança fatal e obscura entre sentir tudo, e não sentir nada.
Quando chegamos ao estágio de apatia, onde nossa alma se encontra anestesiada de todo e qualquer sentimento, é neste momento em que morremos em vida. A indiferença sobre toda e qualquer coisa na vida se torna a mais cruel dor do ser humano. Mesmo que ela signifique a ausência de sofrimento.
Mas por que? Por que não sentir nada é pior e mil vezes mais mortal do que sentir tudo e sesntir as piores dores existentes?
Quando há sofrimento, há vida. Enquanto há qualquer sentimento, seja ele bom ou ruim, há um resquício de vida aí dentro, há um resquício de esperança.
O ato de sentir é o que verdadeiramente nos torna humanos. A capacidade de sentir a brisa leve, o clima denso, as borboletas no estômago, o nó na garganta. Todo isso nos faz termos certeza de que somos humanos. Sem os sentimentos seriamos apenas robôs. E daqueles muito mal feitos, convenhamos!
A apatia e o vazio emocional funcionam como um presságio da morte. Pois é com ela que temos a coragem (ou a falta do medo) para darmos um fim naquilo que nos pertubou por anos. É com elas que paramos de nos importar com aquilo que nos faz sentir vivos. E é com ela que desistimos dos que um dia sonhamos.
No final, talvez a verdadeira tragédia não seja a dor, mas a ausência dela. Pois sentir é existir. E existir, com toda a sua brutalidade e beleza, é o que nos torna humanos.
메타데이터
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