Abrir as janelas
Abrir as janelas
Depois de um ano intenso e turbulento, lentamente, volto à minha rotina. Já não acordo tão estressado, já consigo ter noites de sono mais longas. A volta à rotina me traz paz.
Hoje, decidi fazer novamente o caminho que sempre fazia aos domingos: saía de casa, caminhava até o MAC, de lá, corria até o fim da praia de Icaraí e voltava. Hoje, não deu pra correr, mas cá estou, na ponta de Icaraí, escrevendo esse texto.
Ao invés de correr, hoje, caminhei, observei. É curioso, porque sinto que minha vida estava tão parecida com uma corrida de rua: passava rápido por tantos lugares sem olhar… Mas, ao mesmo tempo, estava olhando para mim, e para meus objetivos, me ajudava a me concentrar. Eu amo correr, nunca escondi isso. Mas, hoje, assim como na vida, eu precisei caminhar, pisar lento, e olhar para os lados. Era necessário.

Hoje, eu vi o Cristo brilhando lindamente quando o sol se pôs. Eu vi que muitas pessoas só caminham. Eu vi muita gente seguindo sua rotina, caminhando para pegar um ônibus, Uber.. ou mesmo aqueles que caminhavam em direção às suas casas. Também vi que 95% dos prédios na orla da praia possuem as janelas fechadas. E, num lapso de autocrítica, também pensei: será que também fazemos isso sem perceber?
Estar na rua me remonta ao tempo em que, mesmo morando na favela, eu não tinha medo de sair de casa. Que só ocorreu quando era criança. Por que será que a gente evita tanto abrir as janelas e portas das nossas casas?
Meus pensamentos não estão lá tão organizados do jeito que gosto, mas, ao mesmo tempo, senti a necessidade de fazer isso. Também é voltar a rotina. Não apareço por aqui há quase um ano. Me perdoem a causalidade.
Dito isso, sinto que abri minha janela de novo hoje. Para o que eu já conheço. Para o que me faz bem, e para o que me sustenta em anos de tanto trabalho duro e dedicação. Abri a janela para mim, para sentir o ar puro que sopra lentamente às margens da praia. Para observar os carros que nem sempre passam com farol aceso, ou mesmo para os cachorros que desfilam simpatia pela orla. Pro pessoal bebendo água de coco, ou o rapazinho no início da praia tirando foto de pessoas correndo, já que elas não podem parar pra fazer isso, porque o pace cobra. Fui cobrado o ano todo. Agora, chegou a hora de respirar para, quem sabe, ser cobrado somente no ano seguinte.
Até lá, eu paro, escrevo, me reconecto, me respeito. E me curo. E abro as janelas. E amo. E serei amado pelo meu amor que, mesmo odiando correr, esteve do meu lado nessa maratona que foi 2025.
Só agradecer, sabe?
메타데이터
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