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Lapidação

Quando a dor revela quem somos e Deus molda quem seremos

Larissa do Espírito Santo · 2026-04-04 21:18 · 1 claps · 4.2 min read
#lapidação #cura-interior #vida-espiritual #cristianismo #vida-com-deus
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Lapidação

Quando a dor revela quem somos e Deus molda quem seremos

Em certos momentos da vida, nos acontecem situações que nos levam a refletir sobre quem nós somos, o que estamos fazendo e se estamos entregando um lado verdadeiro de nós mesmos para o próximo. Situações do cotidiano, no trabalho, em amizades, relacionamentos e assim por diante, que nos colocam em confronto com a nossa pessoa, caráter e integridade.

Quando penso em lapidação me lembro da história de Jó, que teve a sua realidade mudada de forma repentina, o que lhe gerou tanta dor, aprendizado e intimidade com Cristo. Sim, isso mesmo: no meio do processo da dor da lapidação é possível sentir que o fato de nos recorrermos a Deus nos gera intimidade. Sabemos que essa intimidade vem de um cristão que não questiona o silêncio de Deus, mas que o vive interpretando o que Ele quer nos ensinar.

Jó não murmurou, ele não reclamou ou blasfemou, e ele evidentemente teve circunstâncias suficientes que o levaram a esse estágio, mas ele não desistiu; ele buscou compreender a vontade de Deus, entender o porquê de sua dor, mas não duvidou de que Deus seria seu juiz em todas as situações.

Quando ouvimos a história desse patriarca, o que mais escutamos é que ele era o homem mais rico e perdeu tudo, mas Deus lhe deu tudo em dobro. Sua mulher o incentivou a negar Deus e amaldiçoá-lo, mas ele não fez isso. E assim por diante. Mas você já parou para pensar no quanto Jó sofreu ao descobrir que seus três amigos, Elifaz, Bildade e Zofar, homens próximos de Jó, no momento da dor geraram ainda mais desconforto? Eles não foram homens de apaziguar, mas de fermentar. A ferida que já estava aberta se abriu ainda mais com uma teologia moralista e fria, que transforma o sofrimento em acusação.

Em Jó capítulo 1 ele se sente isolado e ridicularizado pelos amigos. O sofrimento físico é intensificado pelo abandono espiritual. Teologicamente vemos aqui o retrato do servo sofredor, um princípio da rejeição de Cristo, que também foi cercado de zombadores na cruz, conforme os salmos.

No versículo adiante, Jó clama por um mediador, que o justifique, que defenda a sua causa. Quando leio isso, logo penso: é Cristo, o verdadeiro intercessor de Jó, o mesmo que nos justificou.

A fé de Jó é admirada, pois em meio a ruínas ele se levanta e declara: “Eu sei que o meu Redentor vive, e por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19:25). A palavra de Deus é clara em dizer que o nosso Redentor se levanta em nosso favor. O silêncio não é sinônimo de que Ele não está agindo, e mesmo quando Ele decide não agir como queremos, isso também é uma forma Dele falar. Jó não compreendia o que Deus estava fazendo, mas confiava. Não via, mas crê. Não sentia, mas acredita. Em meio à dor, a melhor decisão é acreditar e depender do Deus que cuida de tudo.

Assim como Jó enfrentou julgamentos e palavras injustas enquanto vivia sua dor, nós também, em momentos difíceis, podemos ser alvos da maledicência. Quando estamos fragilizados, é fácil que as palavras dos outros pesem ainda mais, mas é aí que somos chamados a escolher o silêncio e a confiança, lembrando que o cair é do homem, mas o levantar é de Deus, como o Salmo 37:24 nos lembra: “Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o sustém com a sua mão.”

O pecado da maledicência anda ao nosso redor; ele tenta nos atingir em nossa identidade, reputação e conduta. Ele aparece de forma inocente, como uma forma de ajuda ou de querer deixar as coisas às claras, mas, quando percebemos, as coisas estão fora de controle, longe daquilo que, no início, parecia estar sob controle.

Jó poderia a cada visita de um amigo diferente questionar o que cada um disse, gerar dúvidas e contendas, mas ele levou tudo para Deus; ali no seu secreto ele questionou.

Ser alvo disso é perder uma parte daquilo que você construiu para ser, na sua pessoa e no seu caráter. O inimigo de nossas almas anda ao nosso redor procurando momentos para gerar discórdias, pensamentos e dúvidas. Deus não é autor de confusão; pelo contrário, Ele detesta. Nosso Deus é um Senhor de paz, ordem e decência.

Assim como o salmista diz: “Põe, Senhor, uma guarda à minha boca; vigia a porta dos meus lábios” (Salmo 141:3).

Da mesma forma peço que Deus guarde a minha boca, o que eu falo, os meus pensamentos, o meu coração, pois o que a boca fala é o que o coração está cheio.

Que a minha boca seja vigiada e resguardada de todos os comentários torpes, indiscretos e maldosos, que afetam a minha reputação e conduta cristã. Agir pela nossa própria percepção é o nosso maior erro; é fracasso na certa.

Guarde seus pensamentos, guarde seu coração. O que você tem observado, leve para oração; não espalhe, não comente. Seja discreta. Ser uma pessoa discreta é lindo: preserva você, mantém sua imagem, sua conduta cristã e seu testemunho.

Que os erros, as quedas e a maledicência nos ensinem o prejuízo que esse pecado causa. Que o processo de lapidação comece quando reconhecemos os nossos pecados, quando sabemos onde erramos e o que nos levou a pecar. Pois assim conhecemos os passos que nos conduziram até este obstáculo de podridão, para que o caminho certo nos leve à transformação.

O cair é do homem, mas o levantar é de Deus. Precisamos aceitar, reconhecer e mudar. A lapidação acontece, mas primeiro precisamos fazer o movimento de ir até o Oleiro da lapidação, contar o que Ele precisa moldar, o que está danificado, se é seu coração, seus olhos, seus pensamentos, sua mente.

A conduta cristã não precisa de palavras para se posicionar; a cada gesto em silêncio estamos sendo observados, e assim mostramos quem nós somos. Jó mostrou a sua fé mesmo conhecendo Deus apenas de ouvir falar; seu sofrimento mostrou quem ele é, mas também mostrou quem Deus é para ele. Isso porque dentro dele havia uma sensibilidade espiritual para perceber quem é o Cristo. Em meio à sua dor, prostre-se ao seu Redentor, pois ele vive e por ti se levantará.


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